Um senhor como eu, que aprendeu a amar “OS INCRÍVEIS” – por Miguel Brambilla

“Toquei muitas vezes em Caxias do Sul, quero voltar, eu sei que tem muitos músicos bons, muitas bandas boas por ai” – Netinho, OS INCRÍVEIS.

Por Miguel Brambilla

Netinho – OS INCRÍVEIS – crédito: produção Os Incríveis.

ASSIM um dos músicos de maior história da música brasileira termina uma entrevista comigo, numa pandêmica tarde de sexta-feira. A vida de jornalista home office no entanto tem os seus percalços técnicos. Como  “nada ocorre por acaso” e no velho chavão de que a “vida escreve certo por linhas tortas” então, pude confirmar in loco, quem é Luiz Franco Tomaz, o Netinho e o motivo que o manteve na mídia brasileira e internacional desde os anos 60.

Como a ideia da entrevista não era fazer uma biografia profunda, impossível de se fazer desta forma , mesmo em muitas horas de trabalho, fizemos um bate papo entre amigos, com a licença de Netinho, registro nesta resenha, por que para mim como músico é uma honra ser chamado assim por esta figuraça.

Falarei sobre as dificuldades enfrentadas por mim vitima de USB (Usuário Super Burro), para manusear o zoom, aplicativo de entrevista, sendo que era o que nos possibilitaria em comum gravar os momentos de bate papo, contei com a paciência de quem sabe o que significa esperar para atingir um resultado e com isso semear amigos pelo mundo que vão falar positivamente sobre você. Combinado o aplicativo, fui estudar. Na quinta-feira não conseguimos. Voltamos na sexta à tarde após várias combinações de horário. Lembre-se que estou falando com Netinho de OS INCRÍVEIS, que frequenta desde os anos 60 até hoje todos os programas da TV, do Rádio e da Internet do Brasil, com raras exceções. A entrevista era para o CAFEÍNA TALK SHOW, meu programa na BitcomTV. Criação minha e do Cléberson Portela, jornalista gestor do canal.

Sou macaco velho em entrevistas, mas burrão no zoom. Medo da impressão do entrevistado sobre nós, sempre se tem. Políticos, artistas e pessoas do dia a dia já entrevistei. Podem confiar na verdade amigos. Não sei se encontrarei novamente tanta paciência num artista brasileiro para uma entrevista bem difícil.

Apelamos para as filhas. A Samadhi na Austrália, a Júlia aqui comigo e em poucos cliques, cravamos o bate papo. Isso durou mais ou menos entre conversas de whatsapp, ligação, combinações e recombinações, por que só conseguimos gravar na sexta-feira a noite depois da intervenção das meninas, num cálculo apressado, seis horas de atenção, para 51 minutos de conteúdo histórico, para mim como músico e jornalista com certeza.

Confira em um dos nossos links nossa entrevista exclusiva com Netinho:

Vou destacar alguns offs de Netinho que não esquecerei. Depois de todos os testes, ele ainda disse: “Se não ficar bom fazemos de novo, já sabemos o canal”. “O zoom grátis só grava 45 minutos, mas podemos gravar em duas etapas”. Ou seja, estava pronto para conversar muito mais do que eu esperava, sendo que para mim que sou um néscio da música nacional, mas também socrático filosoficamente falando, o que me mantem descompromissado da empáfia e da vaidade intelectual, “só sei que nada sei”, foi somando na pasta do coração que nomeei de “carinho”.

Com a licença dos caros leitores, registro rapidamente como nos conhecemos. Em maio de 2019, Carlos Geraldo, o Cargê, me chamou para visita-lo no Hospital Geral. Confesso minha ignorância sobre a história do Cargê, que foi pauta do CAFEÍNA, numa homenagem in memorian anterior a entrevista com o Netinho, que aliás já tinha topado fazer antes disso, mas eu não tinha fechado a manha do programa de vídeo. Músico tem umas coisas interessantes que as vezes as mulheres não entendem muito bem. Se apaixonam por colegas e pelas suas histórias. A música tem uma união energética e astral em quem movimenta o ar físico com notas e melodias que criam um ciclo de respeitabilidade para quem ama esta arte, praticamente impossível de explicar. É uma energia transcendental, mística, como o verdadeiro sexo feito com amor. Uma comparação que vai bem além de qualquer possível leviandade, uma realidade que os fãs de música também entendem, criam fãs clubes, colocam cartazes de seus astros nas paredes de casa, usam camisetas, divulgam a música. A magia da música é realmente INCRÍVEL. Desta forma, como eu já tinha conversado com o Cargê pelo face, mas não o tinha visto pessoalmente, certo que ele me conhecia e disse que queria me conhecer pessoalmente. Fui lá, infelizmente no hospital.

 

Parecíamos nos conhecer, muito estranho de verdade. Fiz uma improvisada entrevista por celular, já que não tinha levado nada para isso, fui como músico, e nem achava que seria um bom momento. Estava lá o divulgador cultural Maurício Reis para comprovar este fato, ele filmou a entrevista. Na saída do hospital, Maurício, me confidenciou a difícil realidade que o Cargê estava enfrentando. Sensibilizado, resolvemos ajudar.

Quase fui demitido da minha própria empresa e da família, por que como disse, poucos entendem esta empatia musical. Marcamos com amigos da CONFRARIA MUSICAL, formada por Márcia Paim, Nassib Turely, Marcelo Silva e eu, além de outros que se agregaram depois o festival beneficente IRMÃO ROCK AND ROLL.

Caxias é uma cidade que precisa avançar em respeito a arte. Mesmo assim, consegui o apoio de todos os colegas jornalistas, de todos os veículos de comunicação. RBS, UCS, MAIS NOVA, TV CÂMARA.

Em uma semana mais de dez grupos musicais entre músicos e carreiras solo estavam prontos para tocar para o Cargê. Músicos de Porto Alegre como o Bill do Pink Floyd Cover entre outros conhecidos da cidade estiveram prontos. Um momento sensacional. E então, pelo Cargê que foi baixista do CASA DAS MÁQUINAS, na sua primeira formação,  que conheci o Netinho que foi o fundador aliás do “Casa” entre outras histórias. Tanto o Netinho quanto o Aroldo Binda, guitarrista da banda neste período que hoje vive nos Estados Unidos, além de muitos outros artistas locais e regionais claro, se prontificaram a gravar vídeos convidando pessoas para o IRMÃO ROCK AND ROLL.

Para uma semana de trabalho e esforço, considero, passando o tempo um sucesso. Enfim.

Música e religião

Encontrei duas coisas em comum com Netinho, a música e a fé.  Sua receptividade nos aproximou para alguns diálogos espíritas. Na entrevista porém, pude enfim registrar para quem quiser e entender o que pretendo passar.

A vida é uma roda gigante, somos todos iguais, no alto de nossa fama e poder e embaixo nos momentos de dor e sofrimento. Ambos momentos estão sempre girando nos colocando hora em cada posição. O que nos mantém porém sempre no alto e vivos na mente e nos corações das pessoas é a humildade. Um sentimento que faz com que você divida generosidade, paciência, empatia e sinceridade com as pessoas. O baterista Luiz Franco Tomaz, O Netinho deixou para este humilde jornalista e quase anônimo cantor, um sentimento de amizade e superação que carregarei para sempre. Não como forma de bajulação, ao contrário disso, por gratidão e respeito. A dica que dou para quem quer como eu, um dia sequer, ser lembrado por sua história e viver em paz com essa consciência é essa. Todos somos iguais. Nossas diferenças devem servir para nos unir e não nos elitizar.

Obrigado Netinho. Caxias do Sul aguarda a presença viva e sadia de OS INCRÍVEIS.

 

 

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