Espiritismo na vida prática – ensaio por Miguel Brambilla

Espiritismo na vida prática – ensaio

Professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, de 53 anos, usou pseudônimo Allan Kardec para assinar ‘O Livro dos Espíritos’

Ao iniciar-se um caminho de reflexão sobre a Doutrina Espírita e sua importância para a humanidade, é preciso guardar a certeza que toda colaboração pessoal que se dê para este patrimônio filosófico, científico, religioso, codificado pelo proeminente francês Léon Hipolitè Denizar Rivail, Allan Kardec, precisa ser comparada com as obras básicas do grande discípulo do Cristo e aparada em suas arestas e devaneios, para que não fuja ao propósito do Espírito de Verdade, que é levar a humanidade presente à um passo, um degrau, um avanço mais seguro e consolidado na infinita jornada da evolução da consciência, na direção de Deus Pai, Criador do Universo.

Há método e projeto na Criação Divina e nos prepostos sagrados em suas obras frutificadas por esforços concentrados, sacrifícios e renúncias qualificadas e provadas por sangue, suor, lágrimas, orações e fé, que estão além do alcance do homem comum em sua rotina diária de trabalhos corriqueiros, rotineiros e acúmulos de conquistas materiais e prêmios sociais para o alimento do ego apenas e não para a beneficência social e a aproximação do verdadeiro papel do cidadão universal que todos somos, na infinita coletividade Divina.

As obras espíritas já estão consagradas desde o nascimento, no Pentateuco de Alan Kardec no século XIX, sabe-se com fácil pesquisa. Os milhares de artigos da Revista Espírita colaboram com maravilhosas reflexões na direção do avanço incapaz de ser interrompido do progresso da humanidade, da consciência filosófica do ser e do amadurecimento da lucidez mental e emocional de quem somos, quais os objetivos da existência, por que essa é a Vontade de Deus.

Obras maravilhosas podem ser citadas pela beneficência da intuição mediúnica, da psicografia, da pesquisa, do trabalho de tantos missionários, verdadeiros trabalhadores da última hora, que não seria mais necessário o acréscimo de nenhuma palavra ou reflexão adicional à Doutrina Espírita, mas somente reunir pessoas interessadas em estudar o assunto com seriedade em torno dos temas já propostos, dos trabalhos já realizados, muito além do simples entretenimento.

Os médiuns e trabalhadores do Espiritismo que se sucederam logo após o desencarne de Allan Kardec, ainda nos primeiros tempos da provação filosófica em contato com o negacionismo materialista, fizeram também o trabalho de garimpo na inteligência materialista da época, embriagada dos conceitos filosóficos da velha França Iluminista, que rompia as barreiras da idade média com o rompante do poder intelectual de filósofos consagrados pouco antes, como Jean Jaques Rousseau, René Decart, e buscaram também pelo verbo, pela comparação, pela análise e também pela crítica correta, apresentar razões para se compreender o que era proposto pela doutrina que levantava o véu das obscuridades dogmáticas e religiosas de dezenove séculos de obscurantismo e disputas pelo poder e pela verdade, no contraste com a imortalidade da alma, a continuidade da vida, e o empoderamento da personalidade individual, através da existência plena da consciência após a morte do corpo e a aproximação então da causa e efeito sobre si mesmo, em comparativo com as lições do mestre Jesus dadas com amor e simplicidade e que poderiam conduzir os seres que seguissem com sinceridade o Sermão da Montanha, por exemplo, a felicidade e o resgate de um mundo de “choros e ranger de dentes”, sofrimentos oriundos da própria ignorância sobre a Justiça Divina. Léon Denis trabalhou até a cegueira para na sombra de lampeões e velas, dedicar-se ao esforço construtivo de exposições argumentativas que embasassem pelo pensamento o argumento de que somos imortais como criaturas de Deus e que isso deve, como filosofia e ética, ter resultado prático nas escolhas de nossas vidas.

Outros contemporâneos ou imediatamente pós contemporâneos de Kardec, ofereceram seguramente, complementação as pesquisas do fenômeno mediúnico, das materializações, das comunicações mediúnicas e da seriedade do assunto. O processo destes complementaristas, como Ernesto Bozzano por exemplo, não se deu também tampouco pelo simples acaso e curiosidade, ou desejo de proeminência cultural e social, apenas pela razão de se defender a excentricidade de uma proposta filosófica altamente provocativa.

Escritores proeminentes da Europa em transformação no século XVI, como Oscar Wilde, autor das aventuras de Sherlok Holmes, o detetive genial e rebelde e seu seguidor, o Dr.  Watson, mostraram ao mundo a certeza de que mentes privilegiadas eram capazes de aceitar a certeza de que não vale viver apenas uma vida mortal, por mais longa que ela seja. O homem que cresce em amor a si  mesmo, sonha com a imortalidade não apenas por suas memórias e histórias, mas em viver o seu presente, o presente construído por si só para sua personalidade e encontrar-se com sua construção de forma imortal e infinita. Essa é uma herança gravada na consciência consciente ou inconsciente de cada um, para que se tenha vontade de superar limites e mistérios profundos do existir, e por isso, seguem ainda os desafios no século XXI.

O grande Victor Hugo, jornalista, político, escritor, autor de Os Miseráveis, não poderia deixar passar na sua delicada e honrada França, dos poetas, conquistadores e cavalheiros, a certeza de que um mundo melhor pode ser construído pela força do bem, do pensamento e da palavra, poder que muitos espíritos precocemente conheceram na história da humanidade.

Grandes oradores romanos como Cícero, o senador poeta, como Horácio, como tantos que deixaram as marcas de suas palavras em seu tempo, se destacaram pela capacidade de argumentação profunda. Mas sem devaneios saudosistas de possíveis encarnações antigas, deve o médium que trabalha para si próprio no auto-esclarecimento e para a coletividade que frequenta com seu esforço  confortável e privilegiado em apenas transportar-se para outras dimensões de tempo como datilógrafo daquilo que lhe vem como o sopro de uma intuição além de si, é preciso que continuem os movimentos de atração ao Movimento Espírita por mais tempo, para mais épocas, renovando com o sopro da palavra nova, reescrita sobre a ótica pessoal de quem vive e sente seus preceitos brotando em si, nas angústias e conflitos da consciência mais aflorados na forja do novo ser que obrigam sentimentos de gratidão, de retidão, de coragem, trabalhar-se sem vaidade, sem preocupações com o exclusivismo, genialidades, ineditismos, mas sim com o esforço de colaborar para a formação de novas convicções que entrarão em contato entre si, como o a irradiação do calor que encandece a matéria endurecida do tronco e rompe-lhe a resistência, transformando o ceticismo e a ironia, representados pela solidez das fibras, em cinzas e dando então espaço para nova visão, nova construção, nova reflexão sobre atos que se dedicam a compreensão do ser, exatamente como disseram os outros pensadores da história em todas as épocas. De que vale a vida se não sabemos quem somos e se vamos terminar logo ali no pó do túmulo, no desgaste das ligações moleculares, na fuga dos átomos agregados em nossa carne, no derramar dos líquidos na terra e até mesmo nossos ossos virarão pó, num aglomerado de cálcio esparso para alimentar outras raízes e outros elementos da natureza e sua quantidade atômica constantemente transformada num eterno renovar da natureza?

Para que serve a vida do rei que será odiado ou amado, que será respeitado ou temido, se seus conspiradores apagarão seu nome de praças e palácios, se suas moedas serão recunhadas e se sua história e honra serão distorcidas pela inveja que se tem dos poderosos e grandes conquistadores e pelo desejo obscuro que todos os desfrutadores, sonhadores da carne sentem em estar no lugar dos aparentemente vencedores dos limites da necessidade? Por que o ego humano ainda quer supremacia sobre o próximo. Por que as potencialidades interiores de cada um ainda não estão conscientes totalmente em si próprios e não estão polidas todas as verdades necessárias para que se saia do instinto para o amor, de forma menos dolorida possível, menos canibalista possível. Em sociedade, somos como pavões que abrimos o leque de nossas penugens ao extremo, para conquistar admiração e prazer, numa disputa primitiva, incapaz de raciocinar com maior complexidade sobre o verdadeiro destino da cultura, da arte, da ciência, da tecnologia, da poesia, das relações, das construções sociais, das políticas públicas, do amor, da fidelidade conjugal, da família, da paternidade, da valorização dos princípios éticos e morais de humildade.

Perdemos em muitos momentos o contato com os padrões mais elevados das teorias humanistas para a  construção de um mundo mais respeitoso entre si. Talvez pelo sem número de espíritos de baixa vibração reencarnantes neste momento de transformação planetária, de popularização da oportunidade do resgate cármico, quando as portas dos umbrais estão abertas dos infernos para os úteros maternos, onde irmãos revoltados não precisam mais implorar pelo prazer e oportunidade de um corpo físico como tanto sonharam, no desejo de refundar seus infernos de prazeres, saciarem seus desejos lúbricos, locupletarerm-se com as possibilidades pantagruélicas do passado, os fluídos sexuais, os banquetes opíparos, os massacres sanguinolentos das velhas batalhas de arena, o vampirismo dos exércitos opressores. Irmãos que conspiraram nas sombras por grande tempo, estão de volta para mais uma vez, por breve tempo, tentarem entender melhor a necessidade de auto elevação e limpeza da consciência, através do reconhecimento do fardo que criaram para si próprios, burlando todas as regras universais e sofrendo o contrachoque da Lei de Causa e Efeito que oprime a aura e como uma mola comprimida, sufoca o processo evolutivo, aumenta a pressão, rompe com o peso da força a sensação de tempo em movimento, colocando a consciência em modo de desespero e loucura que levou o filosofo Friderich Nietchze criar a sensação do “Eterno Retorno”. Aparentemente sim, o retorno é eterno, mas sempre um pouco mais adiante. Na espiral ascendente, a distância entre um círculo e outro se dá de acordo com a administração do espírito nesta questão de colocar sobre si mesmo o peso das energias densas que comprime a mola da espiral ou aliviá-la, transformando delitos de outrora em caridade, em perdão em recomeço. “Vá e não peques mais para que algo pior não te aconteça”, disse Jesus de forma a ilustrar que todo desafio a lei requer explicação, registro e reparação, por um simples motivo de comparação filosófica com a Perfeição Divina, Organização Universal Perfeita.

Como vamos romper as barreiras do medo que nos fere logo ali, diante de nossos sucessos temporários? Conquistamos vitórias mundiais, relevância histórica incomparável, deixamos méritos e deméritos no anseio de sermos supremos e soberanos como reis, rainhas, poetas, sonhadores, cientistas e sempre dedilhamos a melodia do nada em nossa frente, da lamentação, das teorias da conspiração universais como se Deus fosse algo distante, inatingível e que os grandes do tempo passado tem mais o que fazer senão continuar colocando em prática pela própria imortalidade, a expansão de suas consciências, pelo trabalho constante na obra da vida eterna, da Seara Divina, do Jardim do Criador.

O poeta não fugira ao destino de suas próprias palavras, assim como o general não fugirá a enxurrada de sangue de sua própria espada. O que é preciso entender na pedagogia da era tecnológica, onde os avanços científicos ainda nos deslumbram com as potencialidades da vida por serem descobertas, é que muitos ainda estão cegos ou distantes das amplas e caridosas verdades das Leis Eternas sobre a reencarnação, imortalidade da alma, contato com os mundos astrais de matéria relativizada e parcialmente invisível, mas não inexistentes ou ocultas ou desorganizadas. O que falta para a humanidade presente é maior atenção aos detalhes da vida, aprofundamento da sensibilidade viva e empática com o Pai Criador que também Está fora de nós, além de perpetrar todas as partes atômicas, subatômicas, materiais e imateriais de nosso ser, assim como um filho que confunde o sangue no útero da mãe com os fluídos de sua própria geradora. Somos oriundos do útero divino, estivemos mergulhados no “liquido amniótico” do fluído universal e irradiamos te tudo o que se move em nós, voluntária ou involuntariamente,  a certeza de uma grandiosidade, de uma ordem, de um amor absoluto que empodera a alma numa esperança infinita de ser, de querer criar, amar e transcender sobre si próprio, o mal que carregamos como fruto de instintos e paixões mau controladas.

É preciso realizar o exercício do tempo, e por isso nosso Pai Criador nos dá a oportunidade de escolhermos os caminhos que queremos trilhar no movimento de aprendizado, de absorção constante de luz e energia e a transmutação pessoal pelo dínamo mental em reflexão constante nas construções do pensamento e dos extratos que surgem para expurgarmos de nós próprios as grandezas e satisfações de sermos, vividas interiormente, num transbordar de felicidade,  quando percebermos que é possível sentir com plenitude sempre novas sensações emoções, prazeres reais de dimensões infinitas que vamos transitando, na medida que vamos diafanizando a vontade como o fogo que transforma a pedra bruta em diamante, concentrando o foco, inspirando a consciência, colocando o instrumento em aperfeiçoamento constante para a execução da música divinal que nos faz então mais belos e brilhantes, importantes sobre nosso próprio passado de ciúmes e destruição, para rasgarmos o véu de um novo tempo, abrindo clareiras de novas trilhas por serem pavimentadas e sinalizadas, para a passagem da multidão, o trânsito da coletividade ao qual fazemos parte.

Ao explorarmos nossos limites interiores, as possibilidades de refletirmos mais e melhor sobre as vulcanizações de nossa consciência acalorada com as descobertas da vida e as bondades da luz, percebemos que o momento é de usarmos a ferramenta possível para o trabalho da última hora. Seja o escopo prático, o alvo de nossos trabalhos, o homem simples, o rebelde, o prisioneiro das grades dos presídios ou dos bancos, é preciso convencer mais e melhor de que a morte não existe, de que a vida continua, que ela pode ser melhor ou pior de acordo com o respeito que se dá a ética em se fazer ao próximo o que dele se gostaria de receber.

Não bastam decretos populares, leis em desacordo com a compreensão coletiva, oriundas de palácios e de tribunas distantes da realidade do povo. Não bastam constituições elaboradas para um futuro que ainda não foi sentido e que ainda não é culturalmente trabalhado no dia a dia das criaturas, para se transformar ansiedade pelas satisfações básicas da carne, desespero em enfrentar os labirintos da morte e do pós morte, de forma impositiva e boçal, como se legisladores e teólogos, ainda como nos velhos tempos oportunistas dos exilados egípcios, serviam somente para escravizar o povo e fazer com que trabalhassem revoltados para o enriquecimento dos ditos nobres e de guerreiros ambiciosos que concuminados com falsos profetas, mantinham suas épocas no atraso, atrasando a si mesmos, tornando-se voluntárias ferramentas do retorno espiritual e do espicaçamento das coletividades preguiçosas que precisavam aprender a pensar. Puxando para sua própria “corcova espiritual” os carmas coletivos, por que era necessária a expiação, mas os agentes do mal que fizeram com que a expiação fosse cruel exploração e vingança, sanguinária imposição de deveres e obrigações, de choros e ranger de dentes, destacados do vulgo pela experimentação prévia de suas forças mas também pelo degredo espiritual resultante dos próprios delitos, ainda hoje, sofrem em si e colhem resultados do constante desfio ao Deus. Pobres boçais somos nós, irmãos das sombras, que viemos ladeira abaixo, rolando de mundo em mundo, sonhando com a soberania das sombras e com o abuso o estupro das forças inferiores criadas também pela mesma lei que cria tudo e que tudo dá aos seus filhos, mas que queremos colocar ao talante de nossas vaidades absolutistas e melificas, sendo nós, espíritos exilados, profundos poetas das sombras e representantes constantes das epopeias sombrias dos mundos inferiores que nos recebem, com a esperança de seus mentores como Jesus, onde nós próprios, como porcos enlouquecidos, como a malta de piratas em dormitório de bailarinas e freiras, apodrecemos sempre como demônios condenados ao asco, as escamas da lama putrefata de nosso próprio inferno, escorregando sempre para baixo, cada vez mais baixo, distante do verdadeiro sol e da beleza mais pura, da folha que linda e suave dança pelo vento levando o cheiro de flores, de frutas coloridas, de pássaros cantantes para além de horizontes desesperançados, levando o alívio para consciências cansadas de chorar a dor e a saudade de perder e perder-se constantemente nos desequilíbrios do mal.

Sentimos nós, espíritos das sombras, do anticristo, o constante cheiro do enxofre apodrecido no velho desgastado de seus vícios que morre na solidão e na caridade da velha irmã arrancada de seus filhos para compreender a saudade que causou nos corações de mães que tiveram de seus ventres sequestrados os próprios rebentos que também seriam suas esperanças na velhice.  Somos nós, velhos exilados na antiga Pérsia e suas sovinices, que por muito tempo criamos sortilégios de paixões para donzelas castas que viraram prostitutas no descontrole da carne e do caráter, se entregando aos banqueiros de todos os tempos, presos depois da morte no mofo de seus ricos túmulos ou de seus buracos negros onde escondiam seus tesouros. Até hoje o cheiro do mofo e o contágio da morte se multiplica pela insânia das obras construídas pelo mal, como Roma, pobre Roma, que teve a glória de receber o Cristo, mas que dele fez chacota e que na sua insânia ainda viveu para contaminar com a erva daninha da palavra morta o verbo de um Mestre de Luz que veio trazer a esperança. Roma que não tinha limites entre mães e filhos, incestuosa e devassa como a Pompéia de outros dias, como a Babilônia de muitas vidas, ainda nos traz na erótica esperança de sermos mais e melhores do que outros, as incertezas dos tempos de tempestades e pandemias, de tsunamis e agonias íntimas, expostas em fraturas de desesperança, por que nada mais consola o homem sonhador em sua marcha para o nada.

Queria que uma lágrima me desmentisse neste momento, mas só vejo o trilho do tempo voltando para o passado. Em um grande teatro, num majestoso espetáculo, está o construtor de uma obra imortal para os poetas de sua época. É um mundo distante, uma outra época. Lá, com o poder da imaginação, seduzem os corações de virginais donzelas, engana-se a intensão de uma caterva que alucinada seguem para o mal o organizador de um destino perdido e sombrio, sem pensar que logo ali, no último ato, na saída do mesmo espetáculo, está pronta a nave de partida, para outra vida, distante, esquecida, sofrida.

Nós exilados, que saímos surpresos de corpos desintegrados pelos nossos próprios atos, ainda vamos de mundo em mundo, procurando o que? Santo Deus, diga-nos com sermos humildes de verdade. Somos mestres em hipocrisia. Escrevemos a história de vários mundos. Sabemos costurar as emoções em ideias capazes de romper os corações mais sólidos. Como políticos éramos os melhores, descemos com Moisés e antes dele para as tribos de Israel defender com fanatismo a Terra prometida que seria só nossa, viemos com o disfarce da nova era, criando composições melódicas que eram as trilhas sonoras dos fornos crematórios de Davi e do Fhurer da era atômica, e quisemos impressionar quem? Mães? Pais? Por que sempre a morte nos busca, nos arranca da consciência, nos coloca em algemas e em vagões para um novo mundo. Quando mudaremos de verdade Senhor? Quando deixaremos de ser covardes?

Pois então, que todos aqueles que compreenderam a verdade de um mundo em transição, onde o novo exílio se aproxima, peguem a ferramenta da última hora e trabalhem. Sejam como o Francisco de Assis que soube renunciar as delícias mais raras a sua disposição. Ocupemos o tempo vago e mais que ele para lembrar que a vida é eterna, que somos imortais, que além desta matéria, para os cegos que não veem, para os surdos que não ouvem, para os céticos que não aceitam, falam os espíritos pedindo passagem para dizer que precisamos e podemos mudar. Lembremos ao irmão desesperado que o suicídio não resolverá os seus problemas, acordará ele mais tarde pior, com mais sofrimento e mais atrasado. Lembremos ao ladrão que terá que devolver tudo aquilo que não lhe pertence, seja de galinhas ou de cofres públicos. Ao traficante, coitado, saiba que todo o mal que causa com suas estratégias quase perfeitas para disseminar o mal, as drogas alucinógenas e a destruição de corpos, mentes e famílias, facilitando a loucura, por cada alma que cai ligada a si, serão mil anos de dor e sofrimento na vida futura até que aceite a mais valiosa das moedas de troca, o amor de Jesus.

Arranquemos definitivamente irmãos exilados das nossas vergonhosas carreiras evolutivas, pelo menos até aqui, a vergonha de sermos os retardatários, os refratários. Sejamos os regenerados. Faz parte do Código de Transformação Moral Divino, o abrandar das penalidades pela força da fé, da vontade, do amor. Que os anjos nos abracem com suas asas balsâmicas e que aliviam só pelo sopro de um respirar nossas feridas, das almas que pururucam na pele queimada dos infernos da paixão, ranger de desespero. Tende piedade de nós grande Ismael, coordenador deste Brasil que precisa exalar o coração do amor para o mundo, mas que ainda navega nas caravelas do passado, vivendo nas cortes e nobrezas surreis e imorais de líderes que se locupletam e de povos que se alienam. Livrai-nos dos radicalismos dogmáticos, mas que sejamos mais sérios no compromisso civil que temos para com esta nação filha do Espiritismo, terra fértil que deve ser para o mais vigoroso evangelho.

Se não aprendemos ainda por respeito ao Pai Criador a renunciar as ações malévolas e oportunistas de nossos seres, sejamos humildes em reconhecer nossa teimosia e não acusarmos a Providência Divina de nossas ações indignas. Sabemos que dias melhores virão, mas dolorosa é a saudade de quem parte desta terra para o plano espiritual, da casa do pai para o mundo, quanto mais será dolorosa novamente a partida para esse novo exílio, onde a distância cósmica só pode ser vencida pela infinita e absoluta vibração do amor, energia mais poderosa definida pelos cientistas proeminentes de sua época, como Albert Eisten, que via, na luz de seu espírito, aquilo que tentou decifrar na equação da vida, a explicação que devemos ter por intuição, que o amor é luz e que a luz mais forte de todas é a que nos salva de nós mesmos, que age como força dentro de nós, que se multiplica em dons e talentos para a coletividade, quando a esperança é a principal possibilidade do que sentiu como os seguidores de Jesus, a beleza e o esplendor de universos diáfanos e tranquilos, serenos, suaves, como o indefinível sentimento que tem a mãe que dá a vida há outro ser.

Tudo isso já está escrito. Voltaremos ao assunto em novos laivos de inspiração e amizade espiritual. Não importa o que se pode dizer, há lógica e coerência no devaneio poético, quando se busca por exemplo a leitura isenta de O Livro dos Espíritos. Há certezas na razão de um sonho que nos coloca curvados as grandezas divinais, nos atraindo para dias melhores sempre, apesar das aparências rasas dos desesperados. Deus Pai, sem a tua luz, somos cegos carregando o sol nas costas, sem poder ver as belezas que ele ilumina. Fazei com que possamos encontrar nesta ausência, a luz dentro de nós para que pelo simples milagre da vida infinita, indestrutível que nos deste, dia após dia, um dia que seja e quando for, estejamos maduros e fortes para exemplificar por gratidão a ti os sonhos consolidados de mundo felizes, mundos utópicos para muitos, incapazes de ser atingidos.

Que as bênçãos da compreensão dos mundos espirituais, de uma nova visão de temporalidade na ótica da reencarnação e da imortalidade da alma, mudem nossos parâmetros na conquista de nosso objetivos. Que nossas dores sejam validades pela nossa real transformação em aceitarmos tuas determinações e vontades sobre nossos ombros e responsabilidades Pai e que não fraquejemos mais, jamais. Como Jesus, o irmão exemplar, sejamos caminhadores do bem, como pequeninos em amor, inchados pela febre de nossos cérebros distorcidos pai, sejamos aquilo que o profeta chama de “gota de orvalho”. Que ao sairmos do momento de oração, dos templos, do contato contigo Pai, nos mantenhamos ligados. No bom dia ao trabalhador, na inspiração pública, no trabalho doméstico, no orientar de um filho, na lembrança de um pai. Saibamos atenuar o pecado do pecador com tua indulgência divina, reprimindo o mal necessário quando necessário, mas com a doçura da esperança e da possível regeneração. Somos ainda deslumbrados pelas riquezas Deus. Somos ainda crianças que derramam as tintas sobre as telas brancas, incapazes de pintar sequer uma pequena flor de paz e de luz que beneficie um átomo de nossa cosmos. A modéstia nos falta, a esperança nos falta. Mas não nos faltará a certeza de que tudo o que aconteça de expiação em nossos endereços vibratórios, em nossas consciências, de Tí Querido Deus, só vem amor e Teu amor que nos clama mais amor ao próximo, nos dê a certeza de que devemos andar com firmeza e coragem na direção  do bem.

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47751865

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