Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Pesquisa inédita começa a dimensionar o enoturismo brasileiro

Primeira amostragem realizada pela Escola de Enoturismo reúne dados de 51 vinícolas de seis estados, que recebem mais de 1,2 milhão de visitantes por ano e têm, em média, 34,7% do faturamento proveniente da atividade

 O enoturismo brasileiro cresce, movimenta visitantes, gera empregos e ganha participação cada vez maior no faturamento das vinícolas. Mas esse avanço traz consigo um desafio: encontrar profissionais preparados para atender um mercado que deixou de ser apenas complementar à venda de vinhos e começa a ocupar espaço relevante no negócio. Os primeiros dados de uma pesquisa inédita realizada pela Escola de Enoturismo foram apresentados nesta quinta-feira (13), durante o 1º Fórum de Enoturismo das Américas, em São Paulo.

Em uma primeira amostragem, 51 vinícolas de seis estados – Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo – recebem, juntas, 1.223.482 visitantes por ano. Os empreendimentos pesquisados mantêm 834 colaboradores diretamente ligados ao enoturismo. O levantamento foi realizado pela Escola de Enoturismo com o propósito de começar a dimensionar a atividade e contribuir para o desenvolvimento e a qualificação do setor no Brasil. A pesquisa continua e as vinícolas que ainda não retornaram o questionário ainda podem enviar.

As 51 vinícolas que prontamente participaram da pesquisa são: Adega Chesini, Almadén, Amana, Bonventi, Cainelli, Casa Perini, Chandon, Cooperativa Aurora, Cooperativa Garibaldi, Cordilheira de Sant´Ana, Courmayeur, Cristofoli, Dal Pizzol, Don Giovanni, Face Norte, Floresta de São Pedro, Foppa & Ambrosi, Franco Italiano, Fritzen, Garbo, Gaudio, Geisse, Góes, Guatambu, Guaspari, Hermann, Larentis, Lemos de Almeida, Leone Di Venezia, L’Origene, Madre Terra, Mena Kaho, Merum, Miolo, Monte Agudo, Monte Chiaro, Paraizo, Peterlongo, Salton, Seival, Serra do Sol, Somacal, Terranova, Terra Nossa, Torcello, Valmarino, Viapiana, Vinha Duarte, Villa Triacca, Vinícola Campestre e Vivalti .

Outro indicador ajuda a revelar a dimensão econômica da atividade: em média, 34,7% do faturamento das vinícolas pesquisadas provém do enoturismo. A realidade, entretanto, é bastante diversa. Entre as empresas participantes, esse percentual varia de 1% a 98%, demonstrando diferentes estágios de desenvolvimento e modelos de negócio. A amostragem também evidencia que, proporcionalmente, o enoturismo tende a ter maior participação no faturamento das vinícolas de menor porte. Ao mesmo tempo, revela um movimento importante entre médias e grandes empresas, que começam a enxergar a atividade não apenas como ferramenta de relacionamento e promoção da marca, mas como uma unidade de negócio com potencial próprio de geração de receita.

Crescimento esbarra na qualificação

Além de dimensionar visitantes, empregos e participação no faturamento, o levantamento procurou identificar quais profissionais estão fazendo falta nas operações de enoturismo. As respostas apontam dificuldades para encontrar atendentes especializados em enoturismo, inclusive profissionais extras para finais de semana e períodos de maior movimento; pessoas com domínio de inglês e espanhol; profissionais de liderança e gestão; equipes para gastronomia e restaurantes; além de trabalhadores para áreas de limpeza e higiene.

Os dados reforçam uma percepção que motivou a própria criação da Escola de Enoturismo: não falta simplesmente mão de obra. Falta mão de obra especializada para as novas demandas do setor. Esse cenário ganha relevância à medida que as vinícolas deixam de oferecer apenas visitas e degustações e ampliam seus negócios com restaurantes, hospedagem, experiências nos vinhedos, eventos, atividades culturais, programas personalizados e diferentes formas de conexão com os territórios vitivinícolas.

 Uma pesquisa para acompanhar um mercado em transformação

A iniciativa surgiu da constatação de que, apesar da evidente expansão do enoturismo no país, o Brasil não possui indicadores consolidados sobre o mercado de trabalho gerado pela atividade, o volume de visitantes recebido pelas vinícolas, sua participação no faturamento e, especialmente, as competências profissionais demandadas pelo setor.

Por isso, o levantamento foi estruturado a partir de quatro perguntas básicas: quantas pessoas trabalham diretamente com enoturismo; quantos visitantes esse mercado movimenta; quanto a atividade representa no faturamento das vinícolas; e quais profissionais as empresas têm dificuldade de encontrar. A intenção da Escola é ampliar progressivamente a base de participantes e transformar o diagnóstico em uma ferramenta permanente de acompanhamento do enoturismo brasileiro.

A apresentação dos primeiros resultados no 1º Fórum de Enoturismo das Américas colocou em discussão não apenas o crescimento da atividade, mas também um dos principais desafios para sua próxima etapa: preparar pessoas para transformar o potencial turístico das regiões vitivinícolas em experiências qualificadas e negócios sustentáveis.

Escola nasceu para aproximar formação e mercado

Criada em maio último, a Escola de Enoturismo atua sobre três pilares — Território e Origem, Comunicação e Experiência, e Negócio — e nasceu justamente para aproximar qualificação profissional e necessidades reais do mercado. A iniciativa é conduzida pela Mestre em Enoturismo, Ivane Remus Fávero; pela jornalista Lucinara Masiero e pelo especialista em Enoturismo, Artur Tremper Farias, profissionais com trajetórias complementares no turismo, comunicação, experiência, território e gestão.

A primeira turma presencial do Nível 1 acaba de concluir sua formação. As aulas foram realizadas no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, apoiador do projeto. No dia 17 de agosto, a Escola dá início a um novo curso, desta vez com ua primeira turma online, ampliando o acesso à qualificação para profissionais de diferentes regiões brasileiras. Para os fundadores, os números levantados até aqui confirmam que a formação profissional precisa avançar na mesma velocidade do mercado. “O enoturismo já é negócio. Quando 49 vinícolas recebem mais de 1,2 milhão de visitantes em um ano e a atividade responde, em média, por mais de um terço do faturamento das empresas pesquisadas, estamos falando de uma atividade econômica que precisa ser olhada também pela perspectiva das pessoas que irão sustentar esse crescimento. O próximo desafio do enoturismo brasileiro é qualificar profissionais para um mercado que está se tornando cada vez mais complexo e estratégico”, destacam os professores.

Deixe seu comentário:

Menu

Curta no social

Mensagem do Editor:

Queridos seguidores. Nossa profunda e sincera gratidão pelo prestígio que vocês nos oferecem ao acessar nosso Portal e ouvirem a Rádio Sabe. Este é um espaço de relações públicas que não existiria sem o carinho e atenção de vocês. Sigam conosco. Trabalhamos sempre para o melhor da sociedade. Pensando bem, dá para ser feliz. Grande abraço. Att. Miguel Brambilla – Editor: MTB: 10.712

Podcast TEORIA DE TUDO