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Maria Thereza Goulart recebe lideranças do PDT de Caxias do Sul

Da esquerda para a direita: Guto Lopes, Maria Thereza Goulart, Vorni Prestes e Alfredo Paim / Divulgação

Em visita a Porto Alegre neste sábado, lideranças do PDT de Caxias do Sul, integrantes da corrente Trabalhismo Forte, foram recebidas por Maria Thereza Fontella Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, o Jango. 

O encontro teve como cenário a capital gaúcha e reuniu lideranças ligadas ao trabalhismo histórico, em uma oportunidade de diálogo com uma das personagens que testemunharam de perto um dos períodos mais marcantes da história política brasileira.

João Belchior Marques Goulart, conhecido como Jango, foi advogado, agropecuarista e político brasileiro. Foi o 24º presidente da República, assumindo o cargo em 7 de setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. Seu governo foi interrompido em 1964, quando deixou a Presidência em decorrência do golpe militar.

Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, aos 57 anos, durante o exílio, na cidade de Mercedes, na Argentina. A versão oficial registrada à época apontou um ataque cardíaco como causa da morte. Posteriormente, surgiram suspeitas de que ele poderia ter sido vítima de envenenamento no contexto da Operação Condor, articulação entre regimes militares sul-americanos para perseguir opositores políticos.

Em 2013, seus restos mortais foram exumados para uma nova investigação. A perícia realizada posteriormente não encontrou substâncias tóxicas nas amostras analisadas, mas o laudo foi considerado inconclusivo: não foi possível comprovar o envenenamento, assim como também não foi possível determinar de forma definitiva que a morte tenha ocorrido por causas naturais.

Maria Thereza Fontella Goulart foi segunda-dama do Brasil durante a vice-presidência de João Goulart, entre 1956 e 1961, e primeira-dama de 1961 até a deposição de Jango, em 1964.

Maria Thereza: uma testemunha da história

Maria Thereza Fontella Goulart foi segunda-dama do Brasil durante a vice-presidência de João Goulart, entre 1956 e 1961, e primeira-dama de 1961 até a deposição de Jango, em 1964.

Com apenas 25 anos quando Jango assumiu a Presidência, Maria Thereza tornou-se a mais jovem primeira-dama do Brasil e ganhou grande projeção na imprensa nacional e internacional. Sua beleza, elegância e estilo fizeram dela uma das figuras femininas mais conhecidas da época. A revista Time, por exemplo, a incluiu entre as chamadas “Reigning Beauties”, ao lado de personalidades como Jacqueline Kennedy e Grace Kelly.

Sua trajetória é contada na biografia “Uma Mulher Vestida de Silêncio”, do jornalista Wagner William, publicada pela Editora Record. A obra reúne anos de pesquisa, documentos, entrevistas e registros pessoais de Maria Thereza, reconstruindo não apenas sua vida ao lado de Jango, mas também o contexto político e social que marcou o Brasil entre as décadas de 1950 e 1970.

Ao longo dos anos, Maria Thereza permaneceu como uma personagem emblemática da história republicana brasileira, especialmente pela experiência vivida ao lado de João Goulart durante a Presidência, o golpe de 1964 e o período de exílio.

A visita das lideranças do PDT caxiense reforça, assim, a ligação entre a memória de João Goulart, o trabalhismo histórico e as novas gerações de militantes que seguem debatendo o legado político do movimento no Rio Grande do Sul.

Guto Lopes é candidato a deputado estadual pelo PDT, é jornalista e foi candidato a prefeito de Viamão.

Vorni Prestes é um dos filiados mais antigos do partido brizolista e atua politicamente em Caxias do Sul onde mora. Alfredo Paim é ex-presidente do PDT Caxiense e coordena a corrente Trabalhismo Forte do partido, que visa aprofundadar o legado de trabalhistas históricos.

Os grandes nomes do trabalhismo histórico

1. Getúlio Vargas (1882–1954)
É a figura fundadora da tradição trabalhista brasileira. Seu período de governo está associado à criação e consolidação de instituições como o Ministério do Trabalho, salário mínimo, Justiça do Trabalho e CLT, além do projeto de industrialização e de empresas estatais estratégicas. Foi também o fundador do PTB em 1945.

2. Alberto Pasqualini (1901–1960)
É provavelmente o principal formulador intelectual do trabalhismo brasileiro. Senador pelo PTB, desenvolveu uma concepção própria de trabalhismo, baseada em solidariedade social, valorização do trabalho, desenvolvimento econômico e justiça social. A literatura o identifica como o grande ideólogo/doutrinador do trabalhismo.

3. João Goulart — Jango (1919–1976)
Foi ministro do Trabalho de Vargas, presidente nacional do PTB e presidente da República. Representa a continuidade do trabalhismo varguista na década de 1950 e início dos anos 1960, especialmente através das Reformas de Base, da política salarial e da aproximação com movimentos sindicais e populares.

4. Leonel Brizola (1922–2004)
É o grande nome da segunda geração e da reconstrução do trabalhismo depois de 1964. Foi governador do Rio Grande do Sul, governador do Rio de Janeiro, líder da Campanha da Legalidade e fundador do PDT. A literatura acadêmica frequentemente o apresenta como o principal continuador da tradição Vargas–Jango.

5. Darcy Ribeiro (1922–1997)
Intelectual, antropólogo, educador, ministro de Jango, vice-governador do Rio de Janeiro e senador. É especialmente importante dentro do trabalhismo pela defesa da educação pública, da universidade e dos CIEPs.

O neto de Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente Jango, Cristopher Goulart, lançou recentemente um livro contando sua história. Atualmente ele é uma das principais lideranças do PDT no Rio Grande do Sul. 

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