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Transição energética impulsiona novas soluções e modelos de negócio na indústria regional
A transformação da indústria automotiva já deixou de ser uma discussão sobre o futuro. Eletrificação, biometano, biocombustíveis e novas tecnologias de propulsão já estão redefinindo produtos, operações e modelos de negócio, abrindo, assim, oportunidades para a cadeia produtiva da Serra Gaúcha.
Esse foi um dos principais temas abordados durante o 6º Fórum da Cadeia Automotiva, realizado em 25 de setembro, no SIMECS, em Caxias do Sul. Promovido pelo APL Metalmecânico e Automotivo da Serra Gaúcha, formado por SIMECS, SIMMME e SIMPLÁS, o encontro reuniu especialistas e representantes da indústria para discutir sustentabilidade, inovação e competitividade no setor automotivo.
Na abertura, o presidente do SIMECS e do APL, Paulo Scopel, destacou a importância de aproximar as empresas das transformações em curso. “É muito importante receber um evento como este na casa do SIMECS, promovendo a troca de conhecimentos e conexões, além de uma provocação positiva aos nossos associados para cada vez mais buscarmos soluções tecnológicas voltadas à redução das emissões de carbono”, afirmou.
Um dos destaques foi a experiência apresentada pelo superintendente de Engenharia Veicular e Mobilidade Especial da SPTrans, Simão Saura Neto. São Paulo já possui 1.933 veículos de tração elétrica no transporte público, sendo 1.745 ônibus elétricos a bateria e 188 trólebus. O avanço ocorre em um sistema de 13.460 veículos cadastrados, que transporta 7,2 milhões de passageiros em dias úteis.
Os resultados apresentados também evidenciam os impactos econômicos e ambientais dessa transição. O custo energético por quilômetro do ônibus elétrico a bateria corresponde a 28,67% do registrado pelo diesel, embora a avaliação econômica completa também envolva veículo, infraestrutura e ciclo de vida. A frota elétrica já representa uma redução estimada de 165 mil toneladas de CO₂ e 73 milhões de litros de diesel por ano. Para Simão, “esse salto é inevitável. A descarbonização e a eletromobilidade trazem benefícios e esse movimento vai crescer cada vez mais”.
Empresas da Serra já participam dessa transformação
As experiências apresentadas no painel “Mercado em transformação: estratégias para competir e crescer” mostraram que empresas da Serra Gaúcha já estão inseridas nesse movimento.
O painel reuniu Jocelei André Salvador, cofundador e Head de Engenharia da Arrow Mobility; William Menegotto, diretor de Engenharia da Agrale; e Marcus Aurélio Telh, engenheiro de Produto Sênior e especialista em Tecnologias de Propulsões Alternativas da Marcopolo, com mediação de Luís Carlos Sacco, coordenador da Câmara Setorial Automotiva do SIMECS.
A Agrale apresentou sua atuação com GNV, biodiesel, sistemas híbridos, elétricos e biometano, destacando que a transição energética pode envolver diferentes rotas tecnológicas, de acordo com cada aplicação. A empresa também mostrou como o desenvolvimento local ganha escala em outros mercados: em Buenos Aires, contabiliza 82 e-buses e mais de 350 ônibus a gás natural, incluindo 12 micro-ônibus elétricos destinados à primeira linha 100% elétrica da capital argentina.
A Arrow Mobility trouxe outro exemplo de desenvolvimento de novas soluções a partir da engenharia regional. A empresa iniciou o projeto do veículo elétrico Arrow ONE em 2021 e, em poucos anos, avançou para produção, comercialização e exportação. Em 2023, assinou contrato com o Mercado Livre. Posteriormente, passou a atender também Amazon, Revo e BR Supply e, em 2024, realizou sua primeira exportação para a Argentina.
Já a Marcopolo apresentou a eletromobilidade como um ecossistema que vai além do veículo e envolve energia, infraestrutura, baterias, conectividade, monitoramento, manutenção e serviços. A companhia trabalha com diferentes alternativas tecnológicas, incluindo biogás, biometano, etanol, biodiesel, célula a combustível e soluções totalmente elétricas.
As experiências apresentadas ao longo do Fórum apontaram para uma perspectiva comum: a transformação da mobilidade não será determinada por uma única tecnologia. A competitividade dependerá da capacidade de integrar tecnologia, infraestrutura, energia, operação e mercado. Para a Serra Gaúcha, que reúne fabricantes, fornecedores e empresas de engenharia e tecnologia, o cenário representa a oportunidade de não apenas acompanhar essa transformação, mas também de desenvolver, produzir e levar soluções a outros mercados.
O 6º Fórum da Cadeia Automotiva foi uma realização do APL Metalmecânico e Automotivo da Serra Gaúcha, formado por SIMECS, SIMMME e SIMPLÁS, com apoio da Câmara Setorial Automotiva do SIMECS e do Sebrae.
Créditos das fotos: Pedro Lopes/Dinâmica
SOBRE O SIMECS
Com quase 70 anos de atuação, o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs) é uma das maiores entidades patronais do Sul do país. Reúne empresas que, juntas, respondem por 73 mil postos de trabalho e um faturamento anual de R$50 bilhões. Dentre suas prioridades de atuação estão o impulso à inovação e à competitividade da indústria, a representação dos associados junto às instâncias políticas e econômicas e o incentivo à expansão dos negócios regionais nos mercados nacional e internacional. A sua base reúne os seguintes municípios: Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Cotiporã, Garibaldi, Fagundes Varela, Farroupilha, Flores da Cunha, Guabiju, Nova Pádua, Nova Prata, Nova Roma do Sul, Protásio Alves, São Marcos, São Jorge, Veranópolis, Vila Flores e Vista Alegre do Prata.
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