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“Esse é o grande recado: ter visão preventiva”, diz especialista sobre uso de IA na gestão de terceiros

Consultor Adriano Dutra da Silveira palestrou na RA CIC Caxias sobre tendências, riscos e transformação da gestão de terceiros com apoio de inteligência artificial
A gestão preventiva e o uso da inteligência artificial como ferramentas para reduzir riscos trabalhistas, previdenciários e de saúde e segurança no trabalho estiveram no centro da palestra do advogado e consultor Adriano Dutra da Silveira durante a RA (reunião-almoço) da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias), realizada nesta segunda-feira (11). Com o tema “A 3ª revolução na gestão de terceiros: tendências, desafios e impacto da IA na gestão de risco da terceirização”, o especialista alertou empresas sobre a necessidade de adotar modelos mais estruturados, monitorados e orientados por dados na relação com terceiros.
Segundo o especialista, o aumento do volume e do valor das ações trabalhistas – foram mais de R$ 50 bilhões em 2025 – transformou a gestão de terceiros em uma pauta estratégica dentro das organizações. “Esse é o grande recado: ter visão preventiva”, afirmou o palestrante ao defender que as empresas deixem de atuar apenas de forma corretiva ou baseada em controle documental e passem a investir em monitoramento contínuo, governança e inteligência aplicada à prevenção de passivos.
Ao abordar a chamada terceira revolução da gestão de terceiros, o consultor apresentou a evolução dos modelos utilizados pelas empresas, desde processos manuais e controles em planilhas até sistemas automatizados com inteligência artificial capazes de analisar integralmente documentos, gerar relatórios em tempo real e acelerar a identificação de inconformidades. Conforme explicou, o uso de automação e IA permite mais agilidade, eficiência, eficácia e redução de passivos trabalhistas.

Adriano Dutra da Silveira e Ubiratã Rezler

Planejamento e mapeamento de riscos
Dutra também chamou atenção para as responsabilidades subsidiárias e compartilhadas das contratantes, especialmente em temas ligados às condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores terceirizados. Durante a apresentação, destacou que a terceirização exige planejamento, definição clara de políticas, contratos atualizados, mapeamento de riscos, monitoramento permanente e atuação preventiva. “Cada empresa deve olhar para a sua realidade, entender e criar regras de gestão de terceiros”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a pejotização e os riscos envolvendo pedidos de reconhecimento de vínculo empregatício. O palestrante explicou que requisitos como pessoalidade, subordinação e habitualidade seguem sendo fatores observados pela Justiça do Trabalho, independentemente da formalização contratual. Dutra contextualizou ainda recentes decisões do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas ao tema e alertou para a necessidade de enquadramento adequado dos contratos, especialmente diante do aumento da contratação de pessoas jurídicas.
Ao tratar dos desafios atuais da gestão de terceiros, o especialista resumiu pontos considerados prioritários pelas organizações, entre eles a revisão de políticas e processos, adequação de contratos, definição de checklists documentais, compliance, ESG, LGPD, experiência do fornecedor, simplificação de fluxos, automação, monitoramento de campo, prevenção de passivos e formação de comitês estratégicos de gestão. Também ressaltou a importância da atuação orientativa junto a fornecedores e gestores internos para reduzir riscos e ampliar a aderência aos processos.
Na abertura do encontro, o presidente da CIC Caxias, Ubiratã Rezler, relacionou o tema da palestra à necessidade de modernização dos processos de gestão tanto no setor privado quanto no público. Segundo ele, a tecnologia deve estar a serviço da eficiência, da redução da burocracia e da melhoria da qualidade das decisões. Rezler defendeu o uso intensivo de inteligência e automação para qualificar o atendimento ao cidadão, reduzir prazos e aumentar a transparência na administração pública. O dirigente também afirmou que, em um cenário de escassez de recursos, estruturas excessivamente burocráticas precisam dar lugar a modelos mais planejados e eficientes.
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Foto: Júlio Soares/Objetiva

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