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A pele perfeita: entre a ilusão e a pressão social / Drª Grasiela Monteiro

A busca pela pele perfeita tem começado cada vez mais cedo. Crianças e adolescentes, em especial no período de 8 a 12 anos, tornam-se um público bastante influenciado pelas redes sociais e pressionado pela sociedade da imagem. Tanto que esse comportamento já tem até um nome: cosmeticorexia. Envolve, inclusive, dificuldades afetivo-emocionais. O diagnóstico clínico ainda não é usado formalmente pela psicologia e pela psiquiatria, mas vem sendo designado para definir o “cuidado obsessivo com a pele”. A compulsão pela pele perfeita tem como centro o sofrimento psíquico por pequenas coisas.

Muitas vezes, os jovens não se dão conta do uso de filtros pelos influencers que falam sobre skincare, misturando os conceitos de realidade e ilusão. E acabam usando produtos não indicados ou apropriados para a sua idade.

Pais e responsáveis devem ficar atentos aos produtos que vêm sendo usados em suas casas. Ler o rótulo é um começo. O uso inadequado e excessivo de sabonetes, adstringentes e loções tônicas pode levar à quebra da barreira cutânea, pois mais facilmente causam dermatites, alergias, irritações graves e manchas (hipercromia pós-inflamatória), prejuízos que podem chegar à idade adulta.

Claro que é saudável cuidar da pele desde cedo, principalmente com o uso de protetor solar e hidratante. Porém, de maneira compatível à idade e com vigilância para a questão do comportamento. Uma das diferenças mais profundas entre produtos para adultos em relação àqueles para o público infanto-juvenil é que o protetor solar para crianças é físico, mineral (um pouco mais grosso e mais difícil de espalhar). O hidratante é neutro, sem perfume ou parabenos. O skincare do adulto engloba protetores solares químicos, hidratantes e produtos antirrugas com a presença de ácidos como o retinóico, o láctico, o salicílico e até de vitamina C.

Por isso, fica o alerta: a avaliação periódica do dermatologista para orientação e supervisão faz-se cada vez mais necessária, bem como o diálogo com as crianças e os adolescentes. Talvez seja necessário fazer consulta psicológica e psiquiátrica, quando a obstinação pela pele perfeita estiver associada a quadros de ansiedade, conduta obsessivo-compulsiva e transtorno dismórfico corporal. Às vezes, os jovens precisam ouvir a “palavra do especialista” para dar credibilidade a alguns aspectos importantes da vida.

Grasiela Monteiro – Foto Leandro Araújo

Divulgação Sabe Caxias Multimídias – Desde 2010 

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