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Por Gabriela Esteves Lampert, arquiteta e presidente da Associação Sala de Arquitetos
A maneira como os espaços são projetados tem uma influência muito maior sobre o comportamento humano do que normalmente percebemos. No contexto educacional, isso se torna ainda mais relevante. A projeção dos ambientes escolares influencia ativamente a forma como os alunos aprendem, interagem e se desenvolvem.
É nesse ponto que a neuroarquitetura ganha destaque. O campo, que une arquitetura e neurociência, investiga como estímulos do ambiente (luz, cores, sons, texturas e organização espacial, por exemplo) impactam o funcionamento do cérebro. Essa abordagem tem provocado uma transformação importante na forma de pensar projetos educacionais.

Gabriela Lampert – Foto Fabio Grison
A neuroarquitetura, no contexto, aparece no próprio layout das salas de aula. Ambientes pensados para permitir diferentes formas de uso, com mobiliário flexível e possibilidade de reorganização, criam condições mais dinâmicas de ensino. Esses espaços incentivam a interação entre os alunos, fortalecem processos colaborativos e contribuem para uma aprendizagem mais ativa. O estudante deixa de ser apenas ouvinte e assume um papel protagonista, participando de forma mais direta do próprio desenvolvimento.
Um exemplo recente da abordagem é o novo pátio do Colégio Mãe de Deus, em Porto Alegre (RS). O projeto explora a criação de espaços abertos qualificados, com maior contato com a natureza e organização pensada para diferentes tipos de atividades. Por meio de desenhos no piso e de “barreiras visuais”, o ambiente foi dividido em zonas com intencionalidades pedagógicas específicas: áreas para movimento amplo, espaços sensoriais, locais dedicados ao faz de conta — incentivando a criatividade —, além de uma zona natural com horta e áreas voltadas ao descanso e à leitura.
A organização permite que o espaço estimule múltiplas formas de aprendizagem e interação, indo além do modelo tradicional centrado exclusivamente na sala de aula. Ao oferecer locais que incentivam tanto o movimento quanto a contemplação, o projeto contribui diretamente para o bem-estar emocional dos estudantes.
A neuroarquitetura, portanto, amplia o entendimento sobre o papel da escola. Mais do que um espaço de ensino, passa a ser um ambiente que influencia comportamentos, emoções e relações. Projetar escolas com esse olhar é reconhecer que aprender não depende somente do conteúdo, mas também do lugar onde o aprendizado acontece.
Divulgação Sabe Caxias Multimídias:
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