Por Tânia Cruz Costa
Fundadora e Presidente do Fórum Mulher Empreendedora Gaúcha
Existe algo poderoso – e, para muitos, ainda desconfortável – quando mulheres se reúnem com propósito. Não para competir, mas para compartilhar. Não para pedir espaço, mas para ocupar.
Talvez por isso encontros femininos ainda sejam, tantas vezes, subestimados. Mas quem já viveu sabe: eles mudam trajetórias.
E os dados confirmam essa transformação. No Brasil, as mulheres já representam cerca de 34% dos empreendedores, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Entre os negócios iniciais – com até 3,5 anos -, a participação feminina chegou a 46,8% em 2024, após anos de retração. É um avanço significativo que revela não apenas presença, mas movimento.
No mundo, esse crescimento também é evidente. Em 2024, uma em cada dez mulheres iniciou um novo negócio, enquanto, entre os homens a taxa foi de uma em cada oito. A diferença mostra que, embora o avanço seja consistente, ainda existe uma lacuna estrutural no acesso a oportunidades.
No dia 30 de março, em Porto Alegre, no Salão de Convenções da FIERGS, esse movimento ganha ainda mais força na 10ª edição do Fórum Mulher Empreendedora Gaúcha (FMEG).
Ambientes como esse não são apenas eventos. São pontos de virada. São espaços onde ideias ganham coragem, negócios encontram direção e mulheres percebem que não estão sozinhas. E essa consciência é transformadora.
A literatura econômica internacional é clara: ampliar o empreendedorismo feminino impacta diretamente a economia, aumentando produtividade, inovação e renda. Em alguns países desenvolvidos, reduzir essa desigualdade poderia gerar até £250 bilhões adicionais em crescimento econômico.
Ainda assim, os desafios permanecem. Mulheres têm menos da metade da probabilidade de atuar em setores de tecnologia e seguem enfrentando barreiras no acesso a capital – um fator que aparece entre os principais motivos para o encerramento de negócios, ao lado da falta de lucratividade e das responsabilidades familiares.
Quando uma mulher acessa conhecimento, conexão e oportunidade, não é apenas a sua realidade que muda. Muda a da sua família, da sua comunidade e, em escala, da sociedade. Ignorar isso é ignorar uma das maiores forças de desenvolvimento do nosso tempo.
Nesta edição, ampliamos ainda mais essa reflexão. Ao dar protagonismo às mulheres do agro, trazemos à tona histórias que sustentam economias inteiras e que ainda recebem pouco reconhecimento. Ao convidarmos homens para o palco, fazemos um chamado claro: equidade não se constrói à distância.
A pergunta que fica é simples: você vai assistir a essa transformação acontecer ou vai fazer parte dela?
Para as mulheres, o convite é direto: ocupem.
Para os homens, mais do que presença, é tempo de posicionamento.
Porque, quando mulheres se encontram, o mundo muda. E quando mais pessoas decidem fazer parte disso, ele muda mais rápido.