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Os argentinos parecem ter decidido comprar briga com o mundo, atirando para todos os lados. As ofensas do presidente Javier Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Morais, destaque-se, em território brasileiro, são inaceitáveis. Também foi inaceitável o comportamento dos jogadores argentinos que perderam a Copa do Mundo 2026 para a Espanha, após a derrota. Inclusive o “ET” Leonel Messi, suas ações e omissões.
Milei é o vizinho grosseiro que ofende o anfitrião em sua própria casa, entrando sem ser oficialmente convidado. Messi passou de “ET” para “ladrão” nas redes sociais, tendo virado meme e conseguido reunir a torcida do mundo contra a própria Argentina. Se onde “há fumaça, há fogo”, neste caso, a fumaça da FIFA e do presidente Giovani Infantino, que para os argentinos, agora deve parecer tão “lixo careca”, por não ter garantido o tetra “de los hermanos”, como Milei definiu Alexandre de Moares. Jogando para o algorítimo, para a bolha, para a torcida.
A deselegância já não é termo para se definir ofensas e ataques. A política das provocações está num nível ainda mais baixo: de guerra. O presidente Lula pode não ser o melhor dos presidentes, tem uma aura sombria ao seu redor que alimenta o ódio da sua oposição, não é do que se trata.
A questão é que a política aloprada de Trumps, Mileis, Bolsonaros vai acabar arrebentando a corda da paz e do debate político em algum momento.
Quebrar paradigmas da truculência é inaceitável e deve ser repudiado. Milei foi chamado de palhaço pelo Ministro da Fazenda Dario Durigan. É com isso que contam os provocadores: com o baixo argumento. Sem proposta, sem debate, sem análise, sem consenso, sem área comum.
Não é possível esquecer que, no Brasil, o “nós contra eles” começou com a esquerda, inclusive com o atual presidente. Quando Jair Bolsonaro incorporou esta linguagem, transcrita para a extrema direita, foi como colocar um pé de cabra na rachadura da parede política do país.
Todos perdem com atitudes como estas. Os povos argentinos, brasileiros, norte-americanos e o mundo de trabalhadores moderados e produtivos certamente são os mais prejudicados pelos autoritarismos, pelas batalhas rasas da política truculenta e pelo maquiavelismo algorítmico que tomou conta do mundo na atualidade.
A tábula rasa das bolhas de “idiotas com voz”, segundo Umberto Eco, é o alvo do marketing eleitoreiro da atualidade. Os problemas da economia, da ecologia, da distribuição de renda, da empregabilidade, da prestação de contas e da democracia, hoje em dia, são comparados às ações de enterrar canos para fazer saneamento básico. Não geram votos, não dão engajamento e não garantem popularidade.
Apesar dos avanços tecnológicos, a política do mundo foi capaz de inventar a era das trevas digitais.
Se o mundo vai encontrar a luz antes de um autocanelamento geral, será preciso pagar para ver. O que parece ser urgente e necessário é que os sensatos se envolvam para além da omissão e do medo. Caso contrário, o preço deste momento será bem caro para todos, em todos os sentidos.

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