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Brasil cai diante da Noruega e expõe uma crise que vai muito além da eliminação

O sonho do hexacampeonato terminou mais cedo. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, representa mais um capítulo frustrante da Seleção Brasileira em Mundiais. Mais do que o brilho de Erling Haaland, autor dos dois gols noruegueses, o que chamou atenção foi a incapacidade do Brasil de impor seu futebol quando mais precisava.

A eliminação não pode ser resumida a um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães ou ao talento extraordinário de Haaland. O problema é mais profundo. O Brasil entrou em campo sem intensidade, sem criatividade e, principalmente, sem personalidade. Durante boa parte da partida, aceitou ser dominado por uma seleção que controlou a posse de bola e ditou o ritmo do jogo, algo impensável para quem sempre se apresentou como protagonista do futebol mundial.

A chegada de Carlo Ancelotti trouxe esperança de uma reconstrução baseada na organização tática e na experiência. No entanto, quando a equipe precisou reagir diante de um adversário competitivo, mostrou exatamente os mesmos problemas que marcaram campanhas recentes: pouca movimentação, dificuldade para criar espaços e enorme dependência de jogadas individuais.

Vinícius Júnior foi novamente um dos poucos a tentar algo diferente. Neymar entrou apenas na reta final e marcou de pênalti quando praticamente não havia mais tempo para buscar o empate. O gol serviu apenas para amenizar o placar, não a decepção.

Enquanto isso, a Noruega mostrou exatamente o que faltou ao Brasil: organização, confiança e eficiência. Haaland confirmou sua condição de um dos maiores atacantes do mundo, mas não venceu sozinho. O meio-campo comandado por Martin Ødegaard controlou a partida, a defesa suportou a pressão brasileira e o goleiro Nyland ainda defendeu um pênalti decisivo. Foi uma vitória construída coletivamente.

A realidade é dura. O Brasil chegará a pelo menos 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, igualando um dos maiores jejuns de sua história. Para um país que sempre se orgulhou de ser referência mundial no futebol, a repetição das eliminações em mata-matas contra seleções europeias deixa de ser coincidência para se tornar um padrão preocupante.

Chegou a hora de abandonar as desculpas. Não basta trocar treinadores a cada fracasso nem esperar que uma nova geração resolva tudo sozinha. É preciso repensar a formação de jogadores, recuperar a identidade ofensiva do futebol brasileiro e construir uma seleção que tenha repertório coletivo, e não apenas talentos individuais.

O Brasil continua produzindo grandes jogadores. O que deixou de produzir, há muito tempo, é um grande time.

A camisa amarela ainda pesa. O problema é que, dentro de campo, ela já não assusta como antes.

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