
Advogada Bárbara Ravanello
Em 28 de janeiro, celebra-se o Dia Internacional da Proteção de Dados. A data surgiu a partir da Convenção 108 do Conselho da Europa, em 1981. Para 2026, os principais desafios na área estão relacionados ao uso de inteligência artificial, como explica a advogada especialista em Direito Digital e sócia da DSF Advogados, Bárbara Ravanello.
Como é o atual cenário na área de proteção de dados?
A proteção de dados pessoais é fundamental para prevenir a exposição de informações particulares ao público em geral, evitando a utilização em golpes. Os crimes digitais são diversos. Como exemplo, podemos citar o vazamento de senhas de sistemas empresariais, com o objetivo de invadir, paralisar seu uso e solicitar resgate. Também é comum a utilização de dados para enganar o titular, dizendo que se trata de uma loja ou transportadora e cobrar algum valor para liberar mercadorias. Outra situação envolve a abertura de conta em banco para realizar empréstimos e compras, deixando dívidas para a pessoa verdadeira ou para as empresas que venderam para o falsário.
Quais são os principais desafios relacionados à cibersegurança em 2026?
Cibersegurança são ações que visam proteger os ativos digitais (sistemas, redes, nuvem) contra ameaças cibernéticas como hackers e malware. Os novos desafios serão o aperfeiçoamento das técnicas e da capacidade de ataque em razão da utilização de inteligência artificial e da própria falta de governança estruturada dos sistemas para apoiar na proteção.
Mas os desafios antigos continuam existindo e são a falta de maturidade digital dos usuários no cuidado com os seus dados pessoais e na utilização dos sistemas, bem como a falta de investimento em sistemas e treinamentos para prevenir ameaças.
É comum a imprensa retratar golpes a nível pessoal, envolvendo principalmente aposentados e outras pessoas vulneráveis. Como esses ataques estão presentes hoje em dia nas empresas? Elas também estão vulneráveis?
Dentro das empresas, os ataques acontecem buscando falhas em sistemas para obter informações ou impedir que sejam usados. Com isso, pode-se solicitar o resgate para devolver os dados e/ou permitir que a empresa retome seus sistemas e volte a operar.
As empresas são vulneráveis, ainda mais após a digitalização de suas operações. Hoje em dia, não conseguem mais realizar seus trabalhos nem emitir faturamento sem acesso. Dependem muito de suas redes sociais e e-commerce, de modo que esses sistemas também são alvos de ataque com frequência.
Empresas que já compuseram equipes e estratégias sobre privacidade de dados e segurança digital estão seguras ou precisam estar sempre em formação a respeito?
Ainda que a empresa tenha realizado investimentos pesados, os criminosos estão sempre inovando. Os sistemas se tornam obsoletos com tempo e a forma do ataque é atualizada. Assim, manter a atualização de soluções tecnológicas, renovar políticas e treinamentos é fundamental.
A inteligência artificial chegou para todos – inclusive para os criminosos. As empresas sabem como aproveitar esse recurso com segurança?
As empresas estão atentas às diversas oportunidades que a IA trouxe para suas operações. Porém, ainda não estão preparadas para a sofisticação que trouxe aos ataques cibernéticos e crimes em geral. Além disso, há o risco de erros relacionados à IA, como falta de respeito a direitos autorais, exposição de segredos de negócio e ampliação nos riscos cibernéticos – sendo esse um dos principais focos da proteção de dados para 2026.
Divulgação Sabe Caxias: