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“Quando o meme vira crueldade”
O caso da idosa que foi ao aeroporto regional de Erechim na expectativa de encontrar o ator americano Brad Pitt para se casar é, para muitos, motivo de riso. Mas por trás do cômico existe algo profundamente triste e trágico sobre nós, enquanto sociedade. O brasileiro é piadista por natureza, e a enxurrada de memes com o ator “visitando” pessoas em seus lares tomou conta das redes. Todos seguem rindo, seguindo suas vidas, sem se dar conta da profundidade do problema.
A pergunta que fica é: existem bobos para que os espertos sobrevivam?
A senhora claramente enfrenta fragilidades cognitivas e emocionais. Já o golpista está onde? Oculto, provavelmente se divertindo, à espera da próxima vítima para aplicar seu golpe inescrupuloso.
Rimos da ilusão e da dor emocional de uma vítima, mas ninguém parece realmente preocupado com o crime — ainda incompleto no aspecto formal, porém devastador no psicológico. Os abutres do oportunismo escolheram a presa perfeita: ingênua, isolada e sem defesas.
Enquanto isso, as redes sociais celebram o escárnio. Inteligentes e espertos, achamos graça da tragédia humana e ignoramos o criminoso impune, que segue abastecendo o banquete das piadas. E o pior: a vítima, humilhada publicamente, pode ser empurrada a decisões ainda mais trágicas, inclusive contra a própria vida.
Vivemos tempos de likes, piadas rápidas, niilismo, impunidade e sedução pelo espetáculo. Rir da desgraça emocional alheia virou entretenimento. O crime explícito, diante da bizarrice do episódio, passa despercebido — ou pior, é normalizado.
Talvez o nome dessa história seja: o golpe da desinteligência artificial.
O mundo é cruel — e a transformação para algo melhor exige um revisionismo ético profundo, muito além do que imaginamos. Afinal, corremos todos, diariamente, pela fama, pelo dinheiro e por um fragmento de felicidade.
No fim, o mundo midiático não tem alma. Logo esse golpe impune será esquecido, engolido pelo próximo acontecimento viral. E seguimos, entre felicidade e miséria — material e emocional — deslizando no hedonismo confuso de nossa época.
É uma era esquisita, para dizer o mínimo.
Divulgação Sabe Caxias: