A verdade de todos nós por Aquillino Dalla Santa Neto

***Professor de Filosofia e Jornalista

A enorme vontade do governo federal em associar a sua ideologia com um pensamento nazifascista está cada vez mais evidente através das ações, símbolos e gestos que seus representantes fazem questão em demonstrar. Mais um vexame nacional que não pode deixar de ser comentado pelas consequências que poderemos viver num futuro próximo devido a um comportamento irresponsável, ultrapassado e inconsequente.

 

Aquillino Dalla Santa Neto Professor de Filosofia

Infelizmente, a comprovação disso é retratada em atitudes como a do assessor do presidente da República para assuntos internacionais, quando em uma sessão do Senado, fez um gesto deliberado que identifica a supremacia branca.

Outro fato constrangedor foi a do ex-secretário de Cultura que imitou Goebbels, utilizando na sua fala, símbolos nazistas. Curiosamente, ele foi exonerado, não porque seu discurso foi além do imaginável, mas por ofender a comunidade judaica ao interpretar uma cena hitlerista, trazendo à tona o pesadelo vivido pelos judeus durante o Holocausto. É inacreditável, mas tal fato nos faz pensar que estamos na Alemanha dos anos trinta.

Se, temos que parar com o “mi, mi, mi”, entende-se que o senhor presidente da República deveria respeitar a Constituição, começando por tratar as Forças Armadas como instituição de Estado e não de governo, o que faria com que acreditássemos que não haveria riscos de implantação de planos golpistas para impor sua vontade na maior crise econômica e sanitária da história do país.

Por conseguinte, enganam-se aqueles que confundem popularidade casual  vindos de uma epifania eloquente da necessidade de um povo carente de justiça social e moralização na política, com respeito conquistado por pensamentos e atos dignos de um autêntico líder, pois o que estamos testemunhado, não deixa de ser uma série de equívocos de uma ideologia que flerta com posições antidemocráticas e fascistas.

Não obstante, uma passagem histórica que eleva o perfil da classe militar, pode ser encontrada nas palavras do primeiro ministro britânico Churchill, dirigidas ao marechal-de-campo Rommel após o mesmo ter sido obrigado a cometer suicídio por ser acusado de participar na conspiração do último atentado contra Hitler. Reconhecido como herói alemão por tentar livrar a Alemanha de um maníaco e tirano, Churchill acrescentou: “Nas guerras sombrias da democracia moderna, há pouco lugar para cavalheirismo e honradez”.

Neste dia 1º de abril, fazem 57 anos do golpe militar de 1964. Mera coincidência ou ironia do destino?

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