As Mil Mortes da Filosofia – Aquillino Dalla Santa Neto Professor de Filosofia

As Mil Mortes da Filosofia – Aquillino Dalla Santa Neto – Professor de Filosofia

Aquillino Dalla Santa Neto Professor de Filosofia

Na Grécia de 440 a.C., a filosofia já havia gerado uma demanda por habilidades intelectuais, resultando no surgimento dos sofistas, isto é, filósofos que cobravam para ensinar àqueles que desejavam se destacar por meio da retórica.

Pela primeira vez na história, a filosofia, se podemos chamá-la assim nesse caso, torna-se um ofício remunerado, e não apenas uma atividade intelectual reservada aos pensadores que se dedicavam às produções dos tratados e conceitos filosóficos.

Todavia, o compromisso pela manutenção da autenticidade, busca da verdade e excelência, fizeram com que a filosofia travasse uma constante luta através dos séculos para instituir o pensamento científico-filosófico, dando origem às áreas da estética, cosmologia, biologia, metafísica, ética, e outras que, inegavelmente, auxiliaram a humanidade chegar aonde chegou.

No Brasil, quando a filosofia foi perseguida pela ditadura militar por instigar o senso crítico do indivíduo e, inexplicavelmente, desvalorizada trinta anos depois, agora é simplesmente descartada dos currículos escolares pelos critérios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), cuja visão tecnocrática e insensível se manifesta numa fase inoportuna, ou seja, justamente quando o país ocupa as últimas posições no ranking mundial de educação.

Mas qual a relação da filosofia com a qualidade da educação? Para quem não sabe ou finge que não sabia, o objetivo da filosofia sempre foi o de complementar o ensino-aprendizagem ao despertar de forma sutil e eficaz, a sensibilidade crítica, proporcionando um maior entendimento sobre os temas científicos, políticos, históricos e sociais.

Por isso, enganam-se os que pensam que tais competências e habilidades são inúteis nos dias atuais, considerando que, devido às distrações existentes numa era virtual, o estudante não consegue mais se concentrar e aprender por explicação, mas por provocação, método que, coincidentemente, também foi desenvolvido pela filosofia.

Infelizmente, talvez a sociedade terá que pagar um alto preço pelos efeitos negativos decorrentes à ausência de um estudo que auxiliava o estudante a pensar, discernir e questionar sobre uma realidade com ausência de ética e valores morais.

Conceder à classe estudantil a decisão do que e como devem estudar num país onde 90% dos estudantes saem do ensino médio sem saber matemática e português, é simplesmente absurdo. A pandemia provocou prejuízos enormes à educação brasileira, mas isso não esconde o fato de termos um ministério da Educação omisso e incapaz de implementar projetos e ações diante à realidade brasileira, levando estudantes e professores a se distanciarem cada vez mais de seus objetivos.

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