Depois do “tchau querida”, agora e “o desmistificar do falso mito” ? – por Miguel Brambilla

O Brasil parece estar em um looping histórico, só que agora na ultra direita. A corrupção dos governos de esquerda, não é igual aos fatos suspeitos que ameaçam a estabilidade do atual governo é certo. Mas também não é tão diferente assim. Bolsonaro fica cada dia mais parecido com a Dilma e com o Collor. 

Perde poder no Congresso, negocia com “centrão”, coisa que havia negado fazer em campanha, perde apoio popular, vê a insatisfação coletiva em torno de suas ações aumentar, começa a enfrentar concretamente a possibilidade de um impeachment, por que perde o contato com a realidade do país e o pior de tudo, segue negando a pandemia.

A greve dos caminhoneiros que começa hoje então, é novo soco em Bolsonaro que vai para as cordas. O general Hamilton Mourão é atacado pelo presidente Bolsonaro, demonstra insatisfação pública e se assemelha ao que se dirá, “conspirador”, para os que morrem abraçados ao voto.

Cada dia mais Dilma e Bolsonaro se mimetizam. Collor viveu outro momento político do país. Na matemática das coisas porém, até faz um sentido lógico. Bolsonaro se elegeu criticando a esquerda, apontando suas irregularidades, denunciando sobre a onda do que já havia sido denunciado, surfando na queda das máscaras dos populistas da esquerda. Esqueceram-se os eleitores de perguntar, quais seriam as propostas que ele implantaria, como faria, o que faria e em que tempo.

A greve dos caminhoneiros é o início do golpe de misericórdia num presidente desgastado, ironizado, negacionista e que aos poucos passa a ser detestado pela nação, a medida que a soma dos mortos por causa da pandemia cresce e o governo só se atrapalha nas medidas de contenção a pandemia.

Os próximos passos também são semelhantes ao impeachment de Dilma. Bolsonaro vai regatear, espernear, blasfemar, alegar conspiração. Vai ameaçar com o possível golpe de estado, vai alardear um poder que já não tem. Ou seja, vai esculhambar. Nem assim vai conseguir manter-se no poder, por que já fez o estrago. Já deixou o terreno se corroer sobre os seus pés e assim como na vida coletiva, na política o perdão das hienas não é assim tão simples, tem preço muito caro. Até mesmo religiosos são revanchistas e o movimento cristão, supra dogmático eu diria, também já quer a “cabeça” do presidente negacionista.

É uma questão de tempo. O processo de derrocada do Bolsonaro não será tão lento como o da Dilma. Os brasileiros sérios estão cansados. Querem voltar a vida normal. Querem estabelecer novamente suas relações sociais e econômicas. Como não será possível negar o problema que se agiganta, já que o presidente não resolve os problemas do Brasil e deixa que eles desmoronem na sua cabeça, já chega o momento que a sociedade civil entende que quanto mais rápido se remover este obstáculo público, este populista inerte e negacionista do poder, mais celeremente se ira reconquistar um caminho de reorganização do país e avanço social.

Depois disso tudo, no tempo certo, a fumaça do parlamentarismo já incensa o ar nacional. Intelectuais e pensadores, analistas e colaboradores do pensamento público coletivo, já começam a refletir nesta direção. Um mecanismo que permita ter celeridade na troca do comando nacional em caso de necessidade, urgência, incompetência, ou infelizmente, ranço ditatorial.

Bolsonaro, presidente do Brasil, sem partido, deve estar deitado no divã neste momento, tomando cloroquina e chorando as pitangas com a ema.

As entrelinhas do seu olhar e de suas declarações já exprimem seu desespero íntimo.

O cerco está fechando presidente. Depois do “tchau querida”, vem aí “o desmistificar do falso mito”?

 

 

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