2 + 2 sempre será 4 – por Miguel Brambilla

A matemática é uma ciência exata. Mesmo em tempos de tentativas de imposição do negacionismo obscurantista, é fato. Não será possível ao “homus intelectalóideus cloroquinius” revogar algumas leis. A terra continua sendo redonda e já foi provada no passado por vários pensadores e civilizações, não apenas por suposição, mas por observação. Luzes, sombras, movimento, estações. Mas em tempos atuais, o imortal Umberto Eco deverá ser consagrado com uma estátua carregando uma marca dos tempos modernos, e lembrando algo que só ele pode dizer e eu teria dito se tivesse escrito “O Nome da Rosa”, ao terminar o livro. “As redes sociais deram voz à um mar de idiotas”.

Sir Isaac Newton PRS (Woolsthorpe-by-Colsterworth, 25 de dezembro de 1642 — Londres, 20 de março de 1726/27) foi um matemático, físico, astrônomo, teólogo e autor inglês (descrito em seus dias como um “filósofo natural”) que é amplamente reconhecido como um dos cientistas mais influentes de todos os tempos e como uma figura-chave na Revolução Científica. Seu livro Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (Princípios Matemáticos da Filosofia Natural), publicado pela primeira vez em 1687, lançou as bases da mecânica clássica. Newton também fez contribuições seminais à óptica e compartilha crédito com Gottfried Wilhelm Leibniz pelo desenvolvimento do cálculo infinitesimal.

A questão aqui posta é porém opcional. Não é uma definição “dicionaresca” que proponho, já que qualquer coisa que se fale hoje em dia gera seguidores cegos ou fanáticos opositores. O fato é que “ser ou não ser idiota”, no sentido de escolhas erradas e na defesa de bandeiras estúpidas é sim opcional. Todo o resto pode ser tratado como simples ignorância e neste ponto, em algum momento da vida somos e sempre seremos relativamente ignorantes até que deixemos de ser, trata-se de uma questão de pesquisa e vontade, ou doença mental, aí cabe aos médicos tratar.

Uma outra evidência de que estamos vivendo tempos de aridez cultural, de secura filosófica, onde o assoreamento das margens dos rios do saber colocam os esforçados em buscar margens mais profundas em contato com o sol e a sede e a terra seca e o convívio dos preguiçosos e estúpidos que não aproveitam o tempo e a oferta abundante e infinita quase de informação para se construírem como seres pensantes.

A responsabilidade é de quem? Certo que não é do pobre cão vadio abandonado na esquina, obrigado a comer lixo, irritando proprietários de glebas de poder por que deixam dejetos no portão. Certo que não é do pobre cacique que mal conhece seus direitos, muito menos seus deveres e age por intuição e instinto para proteger a tribo, aconselhado pelo pajé.

De quem então é a responsabilidade do atraso intelectual do planeta?

Não será possível apontar um único bode expiatório para aplacar a consciência dos alienados ou dos calculistas ainda presos a hipocrisia social que pautou há mais de 2.500 anos por exemplo, o julgamento de Sócrates.

Fácil é teorizar o ideal de uma sociedade e catalogar direitos básicos de sobrevivência e desenvolvimento sócio econômico coletivo. Rios de palavras correm aos borbotões representados pelos discursos salvacionistas, imediatistas, populistas, puristas de qualquer ousado cidadão que se arvore capaz de enfrentar interesses, cartéis, conchavos e em nome da expressão “apolítico”, caia no marasmo previsível que ditadores de todas as instâncias surgem em nome desse salvacionismo burro.

Nem mesmo a religião será responsabilizada pela preguiça intelectual da grande parte dos povos que sustentam a riqueza dos oportunistas, trabalhando para vampirescas ações empreendedoras, sempre com a desculpa de gerar emprego e renda, mas jamais dividir, jamais oportunizar, jamais oferecer de forma realmente ampla a chance de mobilidade social, pelo mérito e não pelo desespero ou pela força coletiva que só é capaz de entender sua capacidade de mudar, quando já se ultrapassou as zonas abissais do fundo do poço e da usurpação das energias, em nome de feudos, castelos e sempre a velha fraqueza de caráter do homem, o egoísmo.

Felizmente porém, mesmo que religião e ciência e sejam elas quais forem, não detém o controle sobre a origem das coisas. Até hoje nenhuma teoria popular explica a origem da matéria e do Universo e ainda em torno do Mistério da Fé ou da transferência da reflexão filosófica sobre sua origem e destino, vive-se o dia a dia sempre na impermanência, na instabilidade, sendo incapaz a criatura humana finita em sua biológica existência explicar a si própria.

Nesta mesma matemática ou física, continua a humanidade movida pela desunião. Branco ou preto, azul ou amarelo, sol ou lua, liberalismo, capitalismo, socialismo, comunismo. Nesse ismo, a tecnologia que é a interpretação humana das ferramentas do Cosmo, percebe aos poucos que ou esse Cosmo é infinito, ou segue se expandindo e mesmo que galáxias se choquem todos os dias, estrelas nasçam e morram, a irradiação de luz tem padrão, o movimento do átomo tem padrão, as partículas subatômicas tem padrão e os padrões portanto das relações humanas também acabarão sendo estabilizados não apenas na visão superficial de um novo “contrato social”, facilmente rompível por poderosos de plantão no oportunismo sempre latente na alma humana e na vaidade intelectual que nos trouxe até esta encruzilhada, sempre em busca da supremacia pessoal e de grupelhos que sustentem os caudilhos e falsos em matilhas, enxames ou bandos, bem próximos do comportamento dos reinos animais que se digladiam pela sobrevivência de suas espécies.

É fácil portanto pensar em precipitada conclusão, que ou somos animais, e não considero essa cegueira social racional, ou precisaremos compreender algo que ainda não esteja claro sobre os deveres de uma civilização global, uma vez que, aquilo que deveria ser simples no contexto de união para a busca de uma felicidade coletiva, não passa de letra morta.

Num momento e principalmente no Brasil de 2021, onde se banaliza a morte de mais de duzentas mil pessoas, numa sociedade dividida e suicida, o que será preciso para recuperar os insistentes atrasos que envergonham qualquer pessoa capaz de observar a possibilidade de estágios mais evoluídos de convivência?

Como diz a música da banda Plebe Rude, ainda nos anos 80. “Até quando esperar…,”

Felizmente porém, 2 + 2 são 4 e seguirão sendo, assim como as Leis da Física. Desta forma, é fácil observar que logo ali adiante, o rio de lágrimas das pessoas derrotadas pela omissão governamental e por ações negacionistas, a fome no prato e o peso nos ombros das muitas vidas que sucumbiram ao peso da cruz e do sacrifício de se viver num país desigual como o Brasil, irão bater as portas da “nova Versalles” chamada Brasília.

Como Donald Trump nos Estados Unidos, “mitos e micheques” sairão como outros pela porta dos fundos do palácio tupiniquim. Se o Brasil tiver dignidade sairão algemados ou processados.

O mais triste porém é saber que os metidos a heróis nacional, irão tentar impor pela chuva de oxigênio e a compra de votos lata velha, como salvação e nova esperança.

Enquanto isso as camadas de lama vão pavimentando o solo da história do Brasil.

Enquanto se busca uma nova fórmula de se limpar lama com lama, seguem firme as Leis Universais e 2 + 2 sempre serão 4. Os corruptos deveriam saber disso.

 

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