Editorial Sabe Caxias – por Miguel Brambilla AGORA É HORA DE APOIAR O PREFEITO, CUMPRINDO-SE AO MÁXIMO OS PROTOCOLOS SANITÁRIOS INDIVIDUAIS

 

Finalmente alguns municípios resolveram protestar contra as imposições das bandeiras impostas pelo Governo do Estado às regiões e comunidades. Não que fosse ruim a intensão primeira do governador Eduardo Leite. Mas como o processo de aprendizado político acompanha os movimentos do vírus fatídico que afeta o mundo em 2020, mudando o curso da história da humanidade, não é possível ficar apenas nos primeiros movimentos. O combate à pandemia é um desfio diário para todos e também para os governantes. O fato é que os decretos baseados nas bandeiras, estagnaram na burocracia e na pressa, e pararam de funcionar, devido as profundas, graves e inevitáveis pressões econômicas e sociais que as lideranças locais vem sofrendo.  A saúde vem em primeiro lugar sempre, mas a economia precisa se adequar ao processo de sobrevivência na luta contra o coronavírus, já que a ciência apesar dos unificados esforços, retarda pelas dificuldades normais do processo científico, a resposta que todos esperam para colocar fim ao dilema desta doença grave, a covid-19, que até esta data se aproxima das cem mil mortes no Brasil, números que não podem compará-la à uma simples “gripezinha”, como disse lá no começo em março, o presidente da república, Jair Bolsonaro, levando com ele seguidores fundamentalistas, capazes de arriscarem a própria vida, tomando um remédio que não tem comprovação científica e não é recomendado por países sérios, a tal da cloroquina.

Depois de submeter-se ao legalismo institucional, acatando as ordens do governo do estado na figura do governador, e perceber-se as incoerências do regionalismo que travava a economia do município, fazendo com que os caxienses carregassem nas costas o peso de municípios que tem gerência própria e precisam resolver-se em suas comunidades, a rebeldia saudável de vinte e sete prefeituras, coloca em cheque as medidas de Eduardo Leite que estagnaram no academicismo blefante nas questões das possíveis apelações permitidas, que já não sensibilizavam mais ou nunca sensibilizaram as bancas julgadoras que alimentam o governador com informações.

Era inevitável portanto a necessidade de um rompimento mais brusco infelizmente neste sentido, devido aos erros e dificuldades na leitura da realidade dos municípios no âmbito da jurisdição estadual, sendo que são os prefeitos os mais expostos e pressionados por suas comunidades.

Se o “dever de casa” vem sendo feito por Caxias do Sul, como informa publicamente o Prefeito Flávio Cassina, há mais de quinze dias, e não há sensibilidade estadual, tardou a hora de romper, mas em tempos de pandemia, antes tarde do que nunca.

Natural também que o judiciário entre em campo nesta questão. Hora da verdade. Judicializa-se a política, expõe-se a fragilidade das instituições, mas em busca de uma boa razão, deve-se primar pelo bom senso, sendo que todos estão envolvidos pela pandemia. Egos e vaidades devem ficar a margem sempre, e em tempos de crise profunda mais ainda.

Para que vida e comércio continuem enfrentando a pandemia até a chegada da vacina e do remédio, o que só acontecerá em 2021, é preciso agora que todos cidadãos caxienses fortaleçam em si os cuidados sanitários individuais. Evitar aglomerações ao máximo, usar as máscaras e o higienizar com o cuidado de sempre e com mais rigor e disciplina o que for necessário e aprofundar a preocupação com os cuidados já amplamente divulgados pelos infectologistas para evitar a dança das UTIs e a alegria do monstro viral.

A hora então é de apoiar o governo municipal, que finalmente encorajou-se em defrontar a indiferença do governo do estado em flexibilizar a questão das bandeiras, colocando claramente o peso regional sobre os ombros da comunidade caxiense que não pode suportar sozinha a demanda de outros municípios.

Espera-se que o governador não endureça nos tribunais desnecessariamente contra o óbvio desejo de resolver a questão nas comunidades locais e não considere afronta a necessidade de apresentar o desacordo com o processo das bandeiras que já não vinha funcionando. O governo do estado deve estar pronto para dar suporte financeiro e político para os municípios, buscando linhas de crédito junto ao governo federal, junto aos congressistas e usando sua estrutura para somara as decisões dos municípios como precisam os prefeitos, não o contrário disso, querendo resolver a distância acenando de longe de forma fria e digital apenas as ações locais que não podem ser avaliadas apenas por uma única equação já ultrapassada e num simples passar de olhos em gabinetes fechados.

Merecem apoio neste momento o governo do prefeito Flávio Cassina que finalmente assume para si a responsabilidade e os prefeitos associados a Amesne que acompanham esta decisão.

É justo que se o governador Eduardo Leite não quiser enfrentar uma rebelião política neste momento, recue e aceite que todos querem colaborar, inclusive com seu governo, levando o barco da economia em contato com os cuidados necessários à saúde, até o porto seguro desta pandemia, que deve demorar ainda no mínimo seis meses, para que tudo volte ao normal de verdade, sem máscaras nem mortes aos borbotões.

 

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