Grupo Ueba faz curta temporada de Vivita – A Noiva do Sol

Os domínios inspiradores do Moinho da Cascata voltam a     servir de palco para a original montagem criada                                                          por Jonas Piccoli, em fevereiro. Vivita Cartier volta                                                                           a ganhar corpo, vida e alma na atuação marcante de Aline Zilli. 

 Grupo Ueba, após sucesso de público e crítica, volta a apresentar espetáculo e vivência teatral “Vivita – A Noiva do Sol” no Moinho da Cascata entre os dias 13 e 16 de fevereiro às 20h. O espetáculo estrado em novembro passado volta a homenagear, após 100 anos de sua morte, a jovem Vivita Cartier, artista e poeta gaúcha, ainda instiga e inspira pesquisas sobre sua vida e obra, por ser a frente de seu tempo, de personalidade poética romântica, mas de atuação social forte e instigante.

Grupo Ueba propõe uma obra sensível e encantadora que coloca Vivita diante do público, com sua personalidade e obra, de Porto Alegre à Criúva, trazendo à tona sua juventude roubada pelo mal do século e seu amor proibido. O espetáculo trata-se de uma vivência no prédio histórico Moinho da Cascata, que tem a data de sua construção contemporânea à estada de Vivita em Caxias do Sul, mais precisamente sua passagem por Criúva.

A encenação conta com quatro atores em ações performáticas e é estrelado por Aline Zilli no papel central. A obra é orquestrada por Jonas Piccoli, que assina a direção e dramaturgia, inspirado na pesquisa biográfica feita por Marcos Fernando Kirst, que também faz participação especial na peça.

A equipe consultiva do trabalho ainda reúne nomes como Gislaine Sacchet, Jefferson Hoffmann e Cristina Lizot. Na atuação estarão presentes os artistas convidados, além de Jonas e Marcos e a protagonista Aline.

Por que um espetáculo sobre Vivita Cartier?!

Por que falar sobre uma moça que viveu apenas 25 anos, nascida em Porto Alegre e radicada em Criúva para trata-se da tuberculose, e que faleceu há 100 anos? Por que sua memória não está esquecida como de tantos que por estas terras passaram?

Vivita mesmo indica algumas respostas em seus escritos ao referir-se a si mesma, através do gorjeio de pássaros como “esquisitice de moça / e que modo original”, fazendo “coisas de poetisa / que se quer celebrizar” e prevendo talvez seu fim solitário ao declamar um poema dizendo “Ah boneca, como é triste a solidão que te espera” antes mesmo de estar doente.  Vivita criou uma espécie de persona poética quando, aos 12 anos, instituiu para sua família seu nome artístico, deixando de ser Josefina. Antes dos 20 anos de idade fez ressurgir o carnaval de rua em Porto Alegre, e declamou no Theatro São Pedro. Também enfrentou a sociedade ao torna-se patinadora, quando era uma atividade masculina. Volta a firmar sua “persona artística” ao vestir-se apenas de branco, sendo conhecida como “Noiva do Sol” por tanto amar a natureza, sendo aliás, temas estes prioritários em seus poemas: Paixão e Natureza. Ela também declarou amor a um homem comprometido, famoso no meio literário como Sol. Passa então a deixar o seu amor declarado, sem que o leitor possa saber de qual deles está falando. E consumida pelo mal do século ela passou a costurar folhas secas de volta às arvores, como metáfora de esperança de prolongar a vida diante da doença que avançava. Em suas últimas palavras ela cita sua família e seus poemas, força que a fez superar o diagnóstico de morte em 2 meses para 7 anos.

Essa moça encantou diversos pesquisadores ao longo destes 100 anos, despertando também no Grupo Ueba a vontade de trazer a cena à vida de Vivita Cartier, de maneira que o público pudesse conhecer sua obra, mas especialmente sua enigmática vida, focada para as artes. Trabalho que já vem sendo feito por Marcos Fernando Kirst no livro “O Ocaso da Colombina – A Breve e Poética Vida de Vivita Cartier”, um compilado de mais de 800 páginas sobre sua história, obra e contextos relacionados a ela e sua família, pioneiros na colonização de Caxias do Sul.

Vivita não tinha uma vida pacata em uma história linear, e assim também é a montagem proposta por Jonas Piccoli. O público irá acompanhar a peça em diversos espaços do prédio histórico em que ela se passa, sob diversos ângulos, sendo espectador da vida e obra de maneira pulsante e ativa.

 

O Grupo Ueba propõem este mergulho em curta temporada, de quinta a domingo, dias 14 a 16 de fevereiro às 20h, no Moinho da Cascata. Ingressos limitados à venda.

 

 

Ficha Técnica:

 

Produção Grupo Ueba Produtos Notáveis

Direção e Dramaturgia de Jonas Piccoli

Pesquisa Biográfica: Marcos Fernando Kirst

Atuação: Aline Zilli com participação de Jonas Piccoli, Marcos Fernando Kirst, Jacqueline Aires, Luiza Pezzi, Cristiano Cardoso, Giulian Longa.

Preparação Corporal: Gislaine Sacchet

Consultoria de figurino: Cristina Lizot

Figurinos: Acervo Ueba e Anilda Costuras

Consultoria em maquiagem e cabelo: Jefferson Hoffmann

Apoio: Grupo RBS, Felipe Weber Florista, Provok, Aladim Iluminação, DiCriare e Cenci

 

divulgação:

 

 

SERVIÇO

Espetáculo: Vivita – A Noiva do Sol

Quando: 13, 14, 15, 16 de fevereiro de 2020

Horário: 20h

Local: Moinho da Cascata (Rua Henrique Riboldi, 31)

Valor: R$ 30,00 (meia-entrada / antecipado na Do Arco da Velha Livraria e Café)

Contato produção: 54.98118.5150

            Ingressos limitados:

Valor: R$ 30,00 para meia entrada ou compra antecipada

Compra antecipada:

  • Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Dr. Montaury, 1570 – fone: 3028.1744)
  • Moinho da Cascata (Rua Luiz Covolan, 2820)
  • Ou faça sua solicitação pelo fone Whats 54.98118.5150

 

Assista ao programa Sabe Caxias by Bitcom na BitcomTV

– assuntos de seu interesse:

Acesse a edição do dia 06.02.2020 – pelo link abaixo.

https://www.facebook.com/bitcomtv/videos/2700715983348045/

 

MATINAL

Vivita Cartier

 

 

Envolta em branco vestido

Dirigi-me ao laranjal

Todo em flor e umedecido

Pelo orvalho matinal.

 

Entre infantes aparatos

De flores me coroei

Depois, vestido e sapatos

Com flores ornamentei.

 

E flores acomodava

Tentando a composição

De um ramo, que já sonhava

Um mimo de perfeição.

 

Um passarinho gracioso

Que ali andava a cantar

Pôs-se a rir malicioso,

Começou a observar.

 

Murmurando com ar de troça

Num gorjeio de cristal;

“Que esquisitice de moça

E que modo original!”

 

Mas outro manso desliza,

Explicando familiar:

“São coisas de poetisa

Que se quer celebrizar!”

 

“Patetas! Fiquem calados!

Muito pronto lhes gritei.

Vocês são muito atrasados

Para querer deitar lei!”

 

Vivita! Escuta, Vivita!

Não te zangues, por favor,

Ficas porém esquisita

Adornada com tal flor…

 

Se nem tens noivo, brejeira…

Não te vais casar, enfim!

Com flores de laranjeira

Por que te adornas assim?

 

Ao meigo cantar gracioso

Sorrindo pus-me a dizer:

“Pois meu amor luminoso

Agora mesmo vais ver.”

 

 

Ei-lo! Meu noivo aparece;

Sempre fascina e seduz

Seu brilho, que o mundo aquece,

Enchendo-o de farta luz!

 

Repara quanto me adora,

Como me afaga gentil

E ardente me revigora

Com suas carícias mil!

 

É o sol que me dá saúde!

É o sol que me dá calor!

Minha frágil juventude

Necessita o seu amor…

 

É para o sol que me enfeito

E faço aparatos tais;

Neste gozo puro e eleito

Há mistérios ideais…

 

E posso com a flor brilhante

Sempre a fronte coroar:

Não me macula este amante

Só sabe purificar.

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