TecnoUCS reúne grandes empresas em debate de projetos com grafeno para a indústria automotiva

Gerdau, Randon, Marcopolo e Sanmartin estiveram representadas em rodada de negócios que discutiu aplicações do material, que será produzido pelo parque científico-tecnológico da UCS em escala industrial a partir de 2020

Representantes das empresas Gerdau, Randon, Marcopolo e Sanmartin conheceram o projeto de produção de grafeno do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul e debateram as possibilidades de utilização do material em seus produtos durante rodada de negócios realizada na sede administrativa do TecnoUCS, na última semana. O encontro também serviu para uma apresentação do projeto Rota 2030, criado em 2018 pelo governo federal para o investimento de R$ 200 milhões em cinco anos, em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I), para aumentar a competitividade da cadeia automotiva nacional.

 

O período da manhã foi reservado às apresentações dos trabalhos de cada parte. O coordenador-executivo do TecnoUCS, Enor Tonolli Jr, explanou sobre o papel do parque como articulador entre as demandas do mercado e as soluções desenvolvidas pela Universidade. Em seguida, o coordenador do Projeto Colmeia, referente às pesquisas sobre grafeno na UCS, Diego Piazza, abordou o projeto de produção de 500 kg/ano do material em 12 meses, em uma planta industrial que deve começar a operar, no campus-sede, nos primeiros meses do próximo ano. As áreas de revestimentos e compósitos – exatamente as de interesse das empresas participantes da rodada – estão entre as principais a serem atendidas pela Universidade.

 

A coordenadora do Núcleo de Inovação e Materiais Avançados da Gerdau, Leila Teichmann, apresentou diversos exemplos de projetos de aplicação de grafeno em produtos da empresa, como a criação de filmes anticorrosivos para superfícies metálicas e vergalhões e o desenvolvimento de compósitos poliméricos para peças automotivas. Maior produtora de aço do Brasil e uma das principais fornecedoras de aços longos nas Américas e de aços especiais no mundo, com unidades em 12 países e atendendo aos setores da construção civil, automotivo, agricultura e energia, a Gerdau busca parceiros tecnológicos para pesquisa e desenvolvimento com grafeno.

 

 

FINEP pretende destinar R$ 200 milhões em 5 anos para projetos de PD&I

 

O movimento de empresas ligadas à cadeia automotiva em torno de projetos de PD&I é impulsionado também pelo programa Rota 2030, promovido pela Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), agência pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações. Na rodada de negócios realizada no TecnoUCS, o gerente substituto do Departamento de Engenharia, Metal Mecânica, Equipamentos, Transporte e Serviços do órgão, José Maria Medeiros Filho, detalhou a iniciativa.

 

O programa pretende captar R$ 200 milhões em cinco anos e formar uma rede de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) para o desenvolvimento de projetos de qualificação para empresas do setor automotivo, nas áreas de eficiência energética, segurança, tecnologia assistiva e uso de biocombustíveis e automatização de produção. O apoio se estenderá da pesquisa básica à aplicada, no investimento em startups, desenvolvimento tecnológico e de protótipos e, por fim, à introdução do produto no mercado.

 

Como material mais forte, leve, fino e com maior condutividade térmica que existe, e grande condutor de eletricidade, o grafeno desponta entre as soluções em tecnologia avançada para diversos setores da indústria. Em duas das cinco linhas temáticas do Rota 2030 há possibilidades de inserção do grafeno: Materiais Avançados (materiais nanoestruturados, compósitos poliméricos e ligas metálicas) e Indústria 4.0 (robótica, inteligência artificial, integração de sistemas, Internet das Coisas, entre outros).

 

 

SAIBA MAIS SOBRE O GRAFENO:

 

– O grafeno é uma das formas alotrópicas do carbono, assim como o diamante, o carvão e o grafite (do qual é obtido a partir da reordenação hexagonal dos átomos). Foi isolado pela primeira vez em 2004, na Inglaterra, pelos cientistas Andre K. Geim e Konstantin S. Novoselov, em uma pesquisa que ganhou o Prêmio Nobel de Física.

 

– É o material mais leve e forte do mundo (200 vezes mais resistente do que o aço). Uma folha de grafeno de 1 metro quadrado pesa 0,0077 gramas e é capaz de suportar até 4 kg.

 

– Também é o material mais fino que existe (da espessura de um átomo, ou 1 milhão de vezes menor que um fio de cabelo).

 

– Possui, ainda, elevadíssima condutividade elétrica, uma vez que os elétrons se movem através do grafeno praticamente sem nenhuma resistência e aparentemente sem massa.

 

– Por ser uma tecnologia disruptiva, o grafeno tende a competir com tecnologias existentes e substituir materiais com décadas de uso. Seu uso permitirá desenvolver novos materiais, com alta resistência mecânica, elevada capacidade de transmissão de dados e maior eficiência energética.

– Como material de alta engenharia, destaca-se o emprego em nanotecnologia, na produção de telas e displays LCD e touchscreens de televisores, computadores e celulares, mais resistentes e flexíveis; componentes eletrônicos com altíssima capacidade de armazenamento e processamento de dados; e baterias de recarga instantânea. Na indústria metalmecânica, gera materiais mais leves e resistentes e melhora as propriedades anticorrosivas.

Fotos: Claudia Velho/UCS

4741 – Professor Diego Piazza, coordenador das pesquisas sobre grafeno da UCS, apresentou trabalhos nas áreas de revestimentos e compósitos aplicáveis na indústria automotiva.

4821 – Gerente substituto do Departamento de Engenharia, Metal Mecânica, Equipamentos, Transporte e Serviços da Finep, José Maria Medeiros Filho, explicou diretrizes e linhas temáticas do programa Rota 2030,que visa à qualificação da indústria automotiva nacional.

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