Pressões que nos movem….por Miguel Brambilla

A mente dos dias atuais é uma panela de pressão em ebulição constante. Este é o inferno previsto pelos profetas. Não o fogo externo, o fogo da ira mental, da chama do pensamento que queima a emoção. Estamos sempre pensando, o tempo todo. O cérebro da vida moderna se ascende em chamas constantes, sempre precisando mais, sempre precisando consumir mais informações. São caldeiras ferventes, consumindo fosfato na pressão da sobrevivência, para que sejamos aceitos na comunidade mundial.

Ninguém quer perder tempo em ficar para trás. Tudo é tecnologia, informação, reflexão, decisão, cálculo, ação. Até mesmo o amor. O amor é cálculo da rotina semanal, mensal. Cálculo hormonal do homem e da mulher, dos horários, das questões econômicas do mês. Assim, as possibilidades de encontro, mesmo no casamento já são totalmente matemáticas, pouco instintivas, intuitivas, naturais.

Sonolentos, estamos tentando ficar acordados, em nome do progresso intelectual. É preciso construir, consumir livros, histórias, criar memórias, mudar as coisas de lugar, higienizar, normalizar.

Nestes tempos de verbo acelerado, já não há contemplação. Não há tempo nem mesmo para os reencarnacionistas meditarem, por que se quer acelerar o processo de resgate cármico, a ânsia de regulamentar a alma de acordo com o equilíbrio exigido pela Lei de Causa e Efeito. O tempo substitui o medo que não tem dedos e a vida passa tão rápida quanto um raio. Todos os dias pensamos no fim do mês, no próximo boleto, nas estratégias de conquista, na melodia, na esquizofrenia e no salário.

Então, você se entope de cafeína, anfetamina e paixão e tenta produzir o máximo, usando o mesmo critério da sua ansiedade para a pseudo aprovação, por que ninguém ama de verdade e todos estamos sobrevivendo.

Na troca, uns oferecem fogo, outros lenha e tudo é energia já catalogada, a meta já está traçada, a vida roteirizada. Vamos morrer é certo, sempre será um drama, vamos tentar acreditar no invisível, mesmo que ele se materialize em nossa frente, vamos tentar novamente o amor, vamos tentar suportar qualquer tipo de dor.

O homem moderno vive sufocado de angústias diferentes do passado. Na anormalidade entendemos que as pressões pela ordem são tão necessárias, que nos curvamos como corcundas dos antigos poderes que já tivemos e não temos mais, encontrando pela frente orgulho, arrogância, ignorância e delírio.

Nem todos os tempos são livres de trilhos tortos, é preciso entrevistar os mortos e recolher os corpos, é preciso entornar os copos, abraçar os femininos corpos e fazer poesia, da rotina de um dia, do tédio de um dia, do sol, da noite, do silêncio que não viria, que não humilha, que não brilha, que não reflete exatamente o que há por dentro da mente.

Fogo, lava, cérebro fervendo….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *