Por que eu acredito na reencarnação – Por Miguel Brambilla

1981943_891660490858349_1344982022152131529_nVivemos em um mundo cheio de contradições. As coisas parecem estar viradas ao avesso, onde os vilões aparentemente estão vencendo a corrida do ouro, ou seja, o mundo é abarcado pelos violentos, ardilosos, inescrupulosos.  A própria justiça dos homens aparenta estar em cheque mate, por que sob suspeita, juízes são denunciados por corrupção, quando deveriam representar a isenção e a verdadeira condição de avaliadores supremos de uma sociedade em constante ebulição. Acontece para o negativista, para os olhos do materialista justamente ao contrário. A desesperança move o coração do homem cansado de tecnologias e imoralidades, quando percebe que está fadado aos pequenos sonhos realizados e grandes fracassos conquistados. Tudo isso pela falta de fé em algo mais do que si mesmo, seu próprio tempo e o espaço que consegue vislumbrar.

O homem que acredita-se nascido apenas do útero de sua mãe e fadado ao desaparecimento com o inevitável túmulo, independente do hiato entre um e outro que isso represente, certamente sofrerá profundas angústias existenciais. Escolher esta convicção é negar a si mesmo, o próprio caráter e a consolidação de virtudes já atingidas com o tempo, que formam personalidades diversas. É preciso que este ser espiritual, materialista ou não, homem ou mulher, olhe melhor para si mesmo e observe-se filosoficamente fora de si, para que tenha real felicidade. Mas este olhar é um exercício que deve aguardar o curso do tempo e não o rompimento violento de convicções e personalidades. A própria vida ensinará o ser a crer e pensar.

As coisas no tempo acontecem de forma relativa a capacidade de cada um em imprimir velocidade e eficiência ao aprendizado da vida. As experiências transcendentais não estão associadas ao uso de barbitúricos, drogas, alteradores de consciência, mas simplesmente ao pensamento voltado no presente, na convicção de que os mistérios da vida estão no além da terceira dimensão de todas as coisas, na possibilidade de enxergar o invisível das coisas.

A reencarnação ensina que viemos de longe e ainda estamos longe de ser o que devemos ser. Estamos todos os dias acumulando forças, elementos quânticos de experiências subjetivas transcendentais, como a luz mergulhada e coagulada na matéria e agora forçando sua dispersão, sua evaporação, sua desintegração para a liberação desta nova luz, purificada, transformada em beleza, experiência, amor imaterial.

Sentir esta realidade e Deus em todas as coisas, exige o desejo de querer libertar-se da repetição de experiências mergulhadas no tédio do errar e do acertar, do jogo constante da construção e da morte de impérios e poderes conquistados entre o mínimo e o máximo de prazer, de contração e diástole da vontade em torno da sociedade e dos grupos sociais na história da humanidade.

Hora por cima, hora por baixo, hora recebendo, hora pagando, hora semeando e hora colhendo e tudo isso ao mesmo tempo, no amadurecimento das sementes jogadas nas leis de ação e reação da matéria, de causa e efeito, tornam com o próprio tempo lógico o pensamento da existência de Deus e a compreensão sobre Sua respiração eterna e constante e que vai além ainda da nossa profunda captação das energias do presente, mas mesmo que superficialmente sentidas, nos atrai com força infinita para este foco supremo de energia que é a criação da vida.

Assim como a imagem perfeita da árvore atrai a semente, sem ser vista enquanto enterrada no solo, a nossa própria imagem perfeita na mente de Deus está nos atraindo para que sejamos no tempo e no espaço aquilo que devemos ser. Não há fuga, não há desvio. Mesmo na negação de todas as coisas, mesmo no erro, mesmo na direção contrária, mesmo nos milênios de degeneração da alma maléfica que acumula em si perversidades, escatologias, doenças, vírus, excrescências, inchaços, um dia o retorno do que nunca foi possível sair, a Mente de Deus.

O anjo rebelde vai se considerar um escravo disso, condenado há ser para sempre aquilo que não quer ser e até mesmo um eterno fugitivo, um amante das trevas, um invejoso da luz. Não é possível dimensionar estes caminhos ao leigo e explicar isso em torno da imortalidade da alma, excita de forma inconveniente a imaginação e o ego de criaturas que passam a superestimar as suas iniciações mística sem períodos passados da história, entre aconselhamentos, guerras e desfrutes de posições de destaque e desespero em posições de ocaso.

A reencarnação não serve para superexcitar a imaginação já inflamada por perturbações psíquicas oriundas da vaidade insatisfeita e insana das almas deslumbradas consigo mesmas e sua própria imortalidade. A vida eterna serve para dar consolo e simplicidade ao coração cansado de sofrimentos cegos, de injustiças distorcidas e de conceitos de moralidade que o colocam no papel de vítima e estimulam o ódio, a rebeldia e a inconformação com suas posições de subalternidade e limitações cármicas, quando deveria esta compreensão de reencarnação, explicar que o homem, o ser, a mulher, são obras de si mesmos na navegação pelo presente, na soma de momentos, na vida que segue navegando no passar do tempo e que jamais retorna, como as águas de um rio, como o sopro do vento que nunca é o mesmo, como a realidade que está sempre e constantemente mudando em uma direção que nem sempre podemos ter todo controle.

A reencarnação deve supor condição de fé, de que nascemos em posições justas e em acordo com as necessidades de poda de nosso espírito para que sigamos na procura da nossa imagem perfeita, na direção do bem, da semelhança do Deus criador e assim por diante. Como dissemos, mesmo nos momentos de tédio, de desconexão com a fonte suprema, devido nossas próprias energias em depressão pela nossa vontade inconstante, chegará o dia que a convicção se torna firme e ao mesmo tempo serena, independente das batalhas exteriores e das explosões de realidade.

Espíritos que sublimaram a santidade, por alguma razão em si mesmos, perceberam que o filtro de energias exigia esta condição de amor supremo, que os seres normais, medianos ainda não estão capazes de exemplificar, o que não quer dizer que não sejam capazes de avançar nos caminhos da luz. Luz que somos nós, entrando e saindo na carne que vive, entra em plenitude, juventude e desgaste, mas que se renova em um novo tempo em um novo ponto da história, quando ouvimos as vozes que nos aconselham e nos estimulam continuar do lado do bem, do amor, do perdão e do respeito, independente do que aconteça.

Reencarnar por tanto é mergulhar no abissal de nossas próprias energias, para um dia submergir na religação de nossa memória espiritual, conduzir o conhecimento adquirido para novos destinos e viver em paz, em amor, em perdão, em solidariedade.

Esta lei magnifica de Deus, que nos dá vida na carne, explica Sua justiça, Seu amor e Sua misericórdia. Mas é preciso que seja compreendida, estudada e que reflitamos sobre sua expansão, seu alcance e necessidade.

Só assim deixaremos de ser espíritos rebeldes e inconstantes e compreenderemos com amor, alegria e perfeita resignação o que significa a Oração de Jesus em sua parte mais sublime quem sabe, quando pede ao Pai forças e compreensão sobre seu fardo, seu jugo e seu trabalho com os homens caídos e espíritos endurecidos, contra a ingratidão dos filhos pequenos e revoltados, mas que não abusa das forças já adquiridas de espírito maduro e avançado no tempo de épocas imemoriais se dobrando a autoridade Do Criador: ‘Que seja feita a Sua Vontade”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *