Sobre Zé, já disse Lulu: “Não leve o personagem pra cama…o golpe acaba sendo fatal” por Miguel Brambilla

clip_image006[4]_thumbA questão é a velha guerra dos sexos, poder, fama e respeito. Tudo na mesma barca, no mesmo mundo. Zé Mayer, Lasier Martins, Vitor…da dupla Vitor e Léo, porque sertanejo não tem sobrenome parece. Enfim. O que importa tudo isso? Simplesmente a questão de humanidade. Todo mundo erra e merece pagar por isso. Todo mundo precisa saber que é humano. Lulu Santos porém já disse tudo. “Aqui é vida real”. Aqui, no mundo, fora dos holofotes do poder, das câmeras e das câmaras, das fãs e das abundantes mariposas assediando ricos e poderosos, onde estamos eu, você e todos, tentando viver a vida na corda bamba dos erros e dos acertos. Erros fatais, acertos geniais não são o que move o mundo. O que move o ser e a evolução das coisas é o dia a dia, a disciplina de se manter com o pé no chão, humilde. Os romanos, é sabido, oficializaram este papel do escravo que lembrava aos generais triunfadores sua condição de humanidade, quando entravam em glória no centro de Roma, ovacionados e cegos pela ilusão do “Olimpo”, onde reinam os imortais.

A época é de mídia fácil e farta e os acontecimentos negativos e alguns positivos cavalgam ou trafegam, voam, navegam de forma quase telepática. A impressão que se tem é que todo mundo já sabe ou já sabia que ia acontecer, antes de acontecer, e quando acontece choca pouco, não surpreende e causa até mesmo a catarse do “bem feito”, por que eu estou livre. Talvez. Nunca seremos Lasiers, Mayers, Vitorrs (& Léo)…no sentido de sermos senadores, pegadores das globais, símbolo sexual ou famosos cancioneiros do sertão nacional. Mas seremos nós mesmos, homens e mulheres na corda bamba de nossos instintos, tensões e preocupações. Quando alçados porém ao hall da fama e do poder, demonstramos que continuamos humanos, boçais, cruéis, infelizes, arrogantes ou realmente geniais, talentosos e bondosos, por que ninguém pode ser o que não é. Em qualquer ponto do Universo portanto, cada um é exatamente aquilo que é.

Se o vizinho, a família, o bairro, o trabalho ou o mundo vão ficar sabendo de nossos podres, o vexame moral é o mesmo, por que continua sendo imoral, com ou sem poder, na relação da moralidade com a ética espiritual eterna. Mesmo que ninguém fique sabendo, continuamos sendo nós mesmos, humanos, hipócritas, querendo viver a vida dos outros, ser o que não somos e torcendo para que caiam os heróis de seus castelos de areia e hipocrisia. Então, Lulu Santos, Pity, Raul Seixas e outros tantos tem razão quando denunciam ou avisam e mostram para si mesmos e para os outros, na sabedoria e sensibilidade do poeta e da cultura romana. Continuamos sendo e sempre seremos, homens e mulheres, levantando e caindo, sempre, todas as horas, julgando e absolvendo, acreditando e mentindo, autorizando e desautorizando atos alheios, discutindo o certo e o errado com a leviandade do vendedor de feira, até que, mais cedo ou mais tarde lembremos a máxima simples e poética, mística e autorizada pelos anjos. “Fora da caridade não há salvação”.

Enquanto as coisas andam em ritmo de Lava-jato, andamos há procura de valores morais corporativistas, relativistas, simplistas para entender o que é e o que não é direito. Na confusão das intimidades “bbbzistas”, onde o voyeurismo moderno é avançar para dentro cada vez mais da intimidade do outro, fecha-se o ciclo do desconhecido interior, como a porta automática dos corações e mentes, quando saímos de nós sem olhar para traz, deixando que se feche por dentro sem novas entradas ou saídas que não sejam o arrombamento pela dor da recuperação ética, o princípio de renovação moral que gostaríamos ter, mas não somos capazes de sustentar, sem ferir o próprio conceito de seriedade. O maior conhecedor do homem é o próprio homem individual, no sentido generalizado. Zé, Lasier, Vitor, João, Antônio, Miguel, Dorinha, Cristina…homens e mulheres, ricos e pobres, famosos e anônimos perdidos na cega ilusão de que fama, dinheiro e poder, blindam a consciência do ato ilícito e tornam todos os momentos impunes, como se tudo fosse uma grande ficção e todo o momento fizesse parte de um grande teatro, seja nos lares, nos tribunais, nos hospitais, nos parlamentos, nos presídios, nas redações, o conteúdo é sempre o mesmo, na era da vida holográfica digital, amortece-se o respeito. Difícil mas não impossível é o recomeçar.

 

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