Os desafios do tempo – por Miguel Brambilla

salvador_daliO tempo passa depressa ou devagar, mas não para. As coisas parecem acontecer para algumas pessoas de forma profundamente dinâmica, acelerada e perfeita e para outros não, acontece de forma lenta, aparentemente imutável, modorrenta, arrastada. Mas o tempo passa. O que podemos fazer para entender melhor esta realidade? Nos colocamos na posição de observadores do tempo e tentando dominá-lo, não conseguimos romper os seus limites. Mesmo a transformação interior está sujeita aos limites da evolução psicológica do ser e de suas memórias astrais conscientes e inconscientes. A motivação na utilização saudável do tempo está relacionada há uma série de fatores, nem todos organizados pelo livre-arbítrio do ser em ação ou estagnação. Muitos destes fatores são alheios a vontade individual de cada um. Relações com as pessoas, direcionamento da coletividade, reações das pessoas diante das ações que se tome, capacidade de carregar determinado fardo e força mental na materialização de fatos e coisas são totalmente relativas ao grau de amadurecimento de cada qual. Começa pelo equilíbrio químico do próprio corpo. A formação do caráter individual do ser, necessitado de controle, alimentação, medição de níveis, administração geral. “Cuidar do corpo e do espírito”.

Na relação com o progresso e a transformação das coisas então, vê-se que é preciso ter o espelho do tempo como controle da utilização das horas e do amadurecimento das coisas que se quer conquistar, numa compreensão paciente de retorno com relação a semeadura. Mas o tempo vai passar inevitavelmente. Fisicamente, todos vão desencarnar, mais cedo ou mais tarde. Mesmo um homem sentado em uma pedra, imóvel, estará livre do desgaste. Até mesmo a pedra vai passar, até mesmo esse mundo vai passar. Tudo muda constantemente e o movimento constante está sempre transformando dias e noites. Aparentemente sol e lua seguem o ciclo imutável das coisas, noite e dia, chuva e estiagem, estações do ano dão a sensação de estabilidade cósmica. Na soma das ações microcósmicas, individuais, pesquisadores e cientistas analisam a influência das ações de cada um e os resultados no ecossistema mundial, universal. Estas questões todas nos tornam as vezes incapazes de compreendermos a grandeza de Deus. Somos imperfeitos, frágeis como folhas novas e folhas secas na tempestade, nossas vontades por mais vigorosas que sejam, tem limites iguais e mesmo o ser que tenha sua vida altamente dinâmica, que hoje esteja em um país, amanhã em outro, que consiga mobilizar-se fisicamente com velocidade invejável, somando talentos, fama, dinheiro, milhões em patrimônio, conquistas inigualáveis, não é diferente na necessidade de subordinação ao tempo que nos limita quando somos simples mendigos, andando por poucas ruas, comendo pouca comida, dormindo em camas sujas e ao relento, sem água, sem fé, sem condição de compreender sequer a imagem real de outros mundos que se sobrepõem entre si através das imagens digitais, tv, rádio, fotografias. Esses mundos paralelos parecem dirigidos por leis diferentes. Atletas superestimados aparecem ao mesmo tempo na força de suas vitórias e disputas na programação, do que o comercial de televisão que pede dinheiro para a Organização Mundial que auxilia os desvalidos os “esquecidos do mundo”, crianças famintas, regiões em guerra, lugares insalubres, parte da espécie humana aparentemente abandonada por Deus. É preciso aceitar o tempo individual de cada um.

Somos subordinados às leis de Deus e também aos nossos próprios momentos passados, nossas heranças reencarnatórias. No íntimo as forças vulcânicas do caráter trabalham. Seguir as orientações do bem, do amor, do perdão, do recomeço, da resiliência, exige a compreensão da passagem do tempo, por que ele existe, por que ele funciona como forma de correção e evolução das coisas e por que ele é uma prisão real, limitadora e inevitável das Leis de Deus. Temos que compreender que o tempo é educador pedagógico de nossas almas, que é algoz e libertador, que é forte consolador e terrível vilão, dependendo do momento psicológico cármico temporal que vive a consciência do indivíduo. Por isso o tempo existe, por isso o tempo passa, por isso o tempo um dia terminará para alguns e recomeçará em sua contagem para outros. Sendo a vida eterna, o tempo realmente acaba deixando de existir quando o espírito se liberta da matéria.

O pensamento livre não está subordinado as leis de causa e efeito mais, por que entendeu que a vida é o Eterno Presente de Deus e vive em plenitude, fundido em si e no amor pleno de liberdade, amor e conhecimento, o passado, o presente e o futuro. Por isso o tempo existe, por isso o tempo passa, por isso é preciso compreender e aceitar esta subordinação. O movimento no atrito da matéria, nas leis de pressão, direção, foco, controle e expansão da vontade, são as formas de estímulo para que o espírito não se afunde na ociosidade e na estagnação, mas que busque lapidar o seu próprio caráter na busca de satisfação de usas necessidades básicas primeiramente e em segundo momento de suas necessidades cristicas, ou seja, com as virtudes do Cristo de Deus, imagem e semelhança do criador. Por isso o tempo existe, por isso somos subordinados ao tempo, por isso é preciso que exercitemos e controlemos nossas emoções, para que a vida seja plena de evolução e progresso. Seja num estádio lotado de jogadores famosos e milionários ídolos, num palco de roqueiros bem sucedidos na fama e no sucesso, nas pistas de fórmula 1 ou nas favelas, nas cidades, nos campos pacíficos, nas montanhas do Himalaia, nos camponeses da China, nos redutos da Índia, nos estertores do Brasil, nos países desenvolvidos e também em outros planetas, com suas relações relativas de tempo, de acordo com as dimensões da matéria. Tempo…nosso maior desafio de compreensão…Deus É o Tempo e o Tempo somos nós tentando encontrar Deus na relação com este movimento de progresso. Sigamos no caminho desta procura, por que cedo ou tarde, teremos que desvendar estes mistérios.

Por Miguel Brambilla 

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