A destruição da república (ou o retorno a Idade Média)

imageGilson Omar Fochesato
MBA / Gestão Empresarial / FGV

 

Coube ao Ministério Público Federal, há poucos dias, fornecer mais um lastimável espetáculo ao mundo civilizado. Espetáculo de pura demência, capitaneado por um promotor fundamentalista religioso, insano e covarde. Tal qual ele poluo o artigo em adjetivos.

Justamente este órgão que deveria primar por atitudes republicanas, à qual, dentre outras finalidades cabe a defesa da democracia, torra dinheiro público em troca de uma perseguição bestial. Fizeram uma encenação em proveito dos que sempre mandaram no país, com o preciso propósito de destruir o Partido dos Trabalhadores e evitar que o melhor Presidente da República que o País já teve, retorne ao posto de Presidente.

O discurso cínico da corrupção sempre foi utilizado pelas oligarquias golpistas para desestabilizar e derrubar governos desenvolvimentistas e democráticos. Fizeram com Getúlio, Juscelino, Jango e com Lula e Dilma na atualidade.

Para o pensador italiano Norberto Bobbio, os fascistas não combatem de verdade a corrupção, apenas usam-na como pretexto para tomar o poder: “O fascista fala o tempo todo em corrupção. Fez isso no Itália em 1922, na Alemanha em 1933 e no Brasil em 1964. Ele acusa, insulta, agride como se fosse puro e honesto. Mas o fascista é apenas um criminoso, um sociopata que persegue carreira política. No poder, não hesita em torturar, estuprar, roubar sua carteira, sua liberdade e seus direitos”.

Como a casa grande não consegue eleger-se pela via democrática – não conseguiram em três eleições consecutivas – idealizou-se uma estratégia para interromper o ciclo virtuoso de governos do PT. Iniciaram com Dilma: não a deixaram governar. É a frase histórica do corvo Carlos Lacerda: “este homem não pode ser candidato; se candidato não pode ser eleito; se eleito não deve tomar posse; se tomar posse não deve governar”.

O fato é que, para destruir Lula, uma parte da elite empresarial, política e burocrática do país decidiu destruir o próprio Brasil. Aliaram-se ao que de pior havia no Congresso, para que paralisasse o governo com suas pautas-bomba, e exacerbaram a crise de imagem do Legislativo.

Nunca é demais repetir que o PT no poder portou-se como os demais partidos brasileiros, igualou-se em desvios. Porém, na gestão foi o mais competente para dar uma vida digna e honrosa para a maioria de seus habitantes. Fez muito mais que os demais, afinal não é pouca coisa colocar 7,5 milhões de jovens na Universidade em 10 anos enquanto que durante 100 anos sequer tínhamos 3 milhões de estudantes, ou seja, em 12 anos foi colocado mais jovens na universidade do que foi conseguido em um século. Enfrentou com firmeza a corporação dos médicos, alocando médicos para mais de 3.000 municípios que assim o necessitavam. Enfim, os avanços foram muitos, praticamente em todas as áreas.

A realidade fática é que sob Lula, a economia brasileira viveu seu período de maior prosperidade, com pleno emprego, com redução da desigualdade social que caracteriza o país, com uma política externa independente, em que o Brasil, mais do que respeitado, era admirado por todos. Sem LULA no poder, ficamos mais pobres como país, mais divididos como sociedade, mas desanimados como cultura. A imagem do Brasil fragilizou-se, entre seus cidadãos e perante o resto do mundo. A igualdade começava a incomodar.

É bom enfatizar. O que as elites, em especial o capital financeiro e os oligopólios de comunicação fizeram foi um despropósito. Com o intuito de derrotar o PT e evitar que continuasse na Presidência com a provável vitória de Lula em 2018, terminaram por fazer terra arrasada das instituições públicas.

Foi golpe. É golpe. Mas qualquer coisa é melhor que o PT. Ou seja, preferem uma ruptura democrática a conviver com um governo progressista.

 

gilsonomar@uol.com.br

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