Umberto Eco, autor de “O Nome da Rosa”, morre aos 84 anos

Umberto Eco lançou seu último livro, "Numero Zero", em 2015

Umberto Eco lançou seu último livro, “Numero Zero”, em 2015

O escritor italiano Umberto Eco, autor de “O Nome da Rosa”, morreu nesta sexta-feira (19) aos 84 anos, segundo informações da imprensa italiana. De acordo com o jornal “La Repubblica”, a morte foi registrada às 22h30 (horário local), em sua casa, mas a causa ainda não foi divulgada.

Pensador, filósofo, ensaísta, romancista e crítico literário, Umberto Eco era figura de renome no meio acadêmico e referência em semiótica, mas ganhou sucesso internacional com “O Nome da Rosa”, obra adaptada para o cinema em 1986 pelo diretor Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery no papel principal. No enredo, ambientado em 1327, um monge franciscano tem a missão de descobrir as misteriosas mortes de sete monges em sete dias.

Seu último livro, “Numero Zero”, foi lançado no ano passado e critica o mau jornalismo, a mentira e a manipulação da história. Uma paródia sobre tempos convulsos, porque “essa é a função crítica do intelectual”. “Essa é minha maneira de contribuir para esclarecer algumas coisas. O intelectual não pode fazer nada, não pode fazer a revolução. As revoluções feitas por intelectuais são sempre muito perigosas”, explicou o autor na época à agência de notícias EFE.

Crítico das redes sociais

Umberto Eco nasceu em Alexandria, na Itália, no dia 5 de janeiro de 1932. Em 1988, ele fundou o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino. Desde 2008 era professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha.

Um dos semiólogos e intelectuais europeus mais importantes deste século, ele também escreveu obras como “O Pêndulo de Foucault” (1988) e “O Cemitério de Praga” (2010), além de ensaios “O Problema Estético” (1956), “O Sinal” (1973), “Tratado Geral de Semiótica” (1975) e “Apocalípticos e Integrados” (1964), referência nos cursos de comunicação em todo o mundo.

Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, Eco disse, em julho do ano passado, que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis” que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”. “Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel”, disse o intelectual durante um evento em que recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.

Em uma de suas últimas colunas publicada pelo UOL, em janeiro deste ano, Eco fala de sua visão sobre a humanidade. “Na medida em que envelheci, comecei a odiar a humanidade. Portanto, se eu tivesse um poder absoluto, deixaria que ela continuasse em seu caminho de autodestruição. Ela seria destruída e eu ficaria mais feliz. Pessoas como eu são intelectuais: nós fazemos o nosso trabalho, escrevemos artigos, temos maneiras de protestar, mas não podemos mudar o mundo. Tudo o que podemos fazer é apoiar a política de empatia”, escreveu ele.

 

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