A falta de esperança dos jovens no futuro do Brasil é pior do que qualquer crise – por Miguel Brambilla

CapaTenho 47 anos. Sou um homem jovem. Não sou garoto, não sou idoso. Estou no auge de minhas forças físicas que posso exercitar e conservar para uma terceira idade saudável depois dos 60 e quem sabe viver mais 20 ou 30 anos com qualidade de vida, produtividade intelectual e participação social, na família e na sociedade. Participação social positiva. Esta é a questão.

Temos acompanhado como jornalista a palavra de lideranças políticas, econômicas, e visto em muitos momentos a preocupação que o Brasil vive neste momento de crise ética, moral, falta de respeito aos valores coletivos e sociais, de forma praticamente generalizada, o que é muito ruim para o momento.

Fala-se da economia. Investimentos na formação de mão de obra qualificada, jovem aprendiz, cursos, inserção cultural e assim por diante. Tudo em termos materiais, de sobrevivência imediata. Perfeito.

Por que não se usa os mesmos critérios de formação profissional, para a formação ético-moral dos jovens do Brasil, que querem já em grande maioria migrarem para o Canadá, com suas facilidades e atratividades, com a esperança de encontrar uma sociedade mais evoluída, organizada e melhor para o futuro?

Os jovens querem abandonar o Brasil por que não confiam mais nos políticos, nas instituições legislativas e executivas e confiam na justiça com ressalvas, sendo que existem muitas contradições.

Não se pode criar ou recriar o slogan: “Brasil, ame-o ou deixe-o”, como os militares dos anos 70, do século passado. É preciso porém reeducar a verdade cidadã, de forma responsável no entanto, por que o jovem que pensa em abandonar o Brasil, pensando apenas no seu próprio sonho material e de enriquecimento, não está preocupado com a responsabilidade social que todos tem, e caso monte uma empresa, no Brasil, com este pensamento, também não terá responsabilidade social no seu negócio, justificando-se de forma maquiavélica para atingir seus objetivos, sem se preocupar com os meios, ou seja, entrando no jogo da anti-ética.

Negar, mentir, escamotear,vitimizar, politizar as falcatruas e as contradições, tornaram-se hábitos comuns dos que são pegos com a “mão na cumbuca”, e isso é cíclico, não vem de hoje no Brasil. O Partido dos Trabalhadores, que se apropriaram da lisura como se fossem realmente um partido de homens santos e santificadores, pioraram este sentimento de desesperança dos brasileiros, da mesma forma que a mulher desiludida com os homens, é novamente traída por um novo e mentiroso Don Juan. Quando descobre, sua dor ainda é maior, por sentir-se traída por si mesmo, por ter acreditado. Assim se sentem os eleitores do Lula, da Dilma e do PT. Até mesmo muitos partidários sentem-se assim, sem coragem de negar aquilo que defenderam publicamente, como a construção de uma nova era social e política, quando tudo era apenas bravata, com objetivos torpes, caudilhistas, ditatoriais e corruptos.

Sim, os outros partidos, PMDB, PSDB, Dem, também tem corrupção em seus quadros. Talvez não tanto quanto o escândalo PT, que tenta se estabelecer com a bandeira vermelha no Brasil, como o socialismo soviético, ou norte-coreano, justificando suas ingerências, mentiras e vampirizações em nome de uma falsa ideologia de melhorias sociais inexistentes, quando se sabe na prática que o comunismo foi pior do que o nazismo e matou mais gente na história da humanidade, sendo tão pernicioso quanto esta mazela da suástica que exterminou milhões de pessoas inocentes na Segunda Guerra Mundial.

É preciso estudar a história e mais do que isso, os jovens que ainda são ingênuos em questões emocionais, porém temem e detestam ser enganados, desconfiados de tudo e de todos, até de seus pais em determinada fase de afirmação mental e emocional, acabam detestando tudo isso, e buscam a fuga geográfica, ao invés de olharem com olhos de transformação as soluções possíveis e práticas para a construção de um novo Brasil.

É preciso trabalhar as consciências jovens desde cedo, não como nos tempos militares com as velhas cartilhas de moral e cívica, nem tampouco com as cartilhas libertinas do socialismo cooptador de mentes dos comunistas e petistas da atualidade, que se aproveitam dos sofrimentos psicológicos e sociais das minorias vitimizadas, para vampirizarem suas mentes de forma a aproximarem de seus interesses políticos, pessoas carentes de lideranças que chamam de movimentos sociais. Tentando costurar estes movimentos na direção da manutenção do poder, os mentores destas práticas corrosivas de educação em massa, fazem o contrário do que se espera em uma sociedade disciplinada e não militarizada. Abrem com liberdades induzidas e extremas, prematuras ideias de educação sexual, sobre drogas e outros assuntos polêmicos, com a pressa de ideologizarem mentes brotantes antes que estas amadureçam o suficiente para compreender suas intenções malévolas, que é simplesmente manter a “massa de manobra” no baixo estrato social, produzindo e trabalhando como escravos com ilusões de liberdade para o enriquecimento das elites políticas, enquanto os intelectuais, envaidecidos e patrocinados pelo estado, se mantém na mediocridade de suas produções artísticas, também iludidos pelas raposas do poder, sentindo-se gênios e heróis da história pública e cultural da nação, numa diversidade de multiculturalismo falsa, aprisionada em fronteiras ideológicas muito claras. Tudo o que estiver em desacordo com a ideologia montada com a flexibilidade de um tronco de bananeira, para se adequar as necessidades de justificativas do momento político, quando outras forças e contrapontos da democracia se levantam para questionar seus atos.

Estas forças opositoras ao regime socialista ou comunista, que podem ser chamados de francos, por que são todos corruptos em sua essência, sendo que na história, nem um regime comunista deu resultados positivos, e todos são violentos, intolerantes e cruéis, sem saberem exatamente onde devem se posicionar, ficam também iguais a “massa de manobra” e são inclusas nelas pelas raposas manipuladoras. Assim como está acontecendo no Brasil. A oposição não tem certeza do que é, de que caminho deve seguir e confusa, aumenta a desesperança e a desilusão de todos os que não concordam com as trairagens petiststas da atualidade, mas não sabem para onde olhar, para onde se posicionar, e por isso querem ir embora do pais. Não conseguem ver futuro na nação brasileira.

Em Portugal o presidente eleito, não tem partido político, se esta é uma das questões, antes da reforma política, urgente e necessária no Brasil, como outras tantas que ainda se apresentam urgentes. O candidato da oposição também era independente, o que muda de certa forma as ações resultantes do corporativismo político, das alianças espúrias, incoerentes e injustificáveis. Muda-se também o caciquismo partidário que existe no Brasil, impedindo o crescimento e a aparição mais numerosa de jovens talentos políticos, devido a “reserva de poder e espaço”, que os velhos senhores dos diretórios mantém e guardam para si. A descrença popular com a classe política, a extratificação de velhas raposas no comando das siglas, a falta de investimento no ímpeto político juvenil, criou este labirinto político e social atual, quando a sociedade civil brasileira, também acostumada com a omissão, por opressão militar, por medo ou por comodismo mesmo, não sabe exatamente para onde olhar e em quem confiar.

Esta fase porém é passageira certamente na minha opinião. Como se diz em algumas culturas religiosas, “Se não se aprende por amor, se aprende pela dor”. Se o Brasil não mudar pelo amor dos seus cidadãos, vai mudar pela dor imposta aos cidadãos acomodados que negam-se a sair dos limites da timidez e enfrentar os maus com a força do bom senso, da boa consciência, da ética correta e distanciar o coração e a ação social da moral relativista que torna-se totalmente injustificável em qualquer momento da história, mesmo que eficiente aparentemente por um tempo na condução do coletivo e na administração da coisa pública.

A pior das crises é a falta de esperança. Em termos individuais, conduz ao suicídio. Em termos coletivos ao abandono das questões públicas, à fuga geográfica, a omissão coletiva e o recalque de iniciativas que poderiam ser boas e saudáveis, devido ao medo, a arrogância, o desprezo e a desesperança de que resultados positivos podem ser atingidos e consolidados, mesmo que a velocidade destas conquistas não seja exatamente a ideal necessária, imediata e perfeita.

É preciso ensinar os jovens a andar para frente, com o conceito de coisa pública e possibilidade de mudança já nas escolas, na educação familiar que muitas vezes é impositiva e cruel, sendo que os pais nem sempre são totalmente democráticos e justos na utilização da autoridade com seus filhos, ou liberais demais, ou repressores de menos e vice-versa.

A visão imediatista de qualquer projeto só gera ansiedades. Uma nação é um transatlântico andando em meio há um mar gelado. Qualquer movimento ou decisão de governantes, por mais vigorosa que seja em seu comando, tem um período de maturação para atingir resultados. É preciso porém fortalecer a questão da firmeza e lucidez no caminho que se quer seguir como nação, cultura e desenvolvimento geral, em todos os sentidos e isso só  existirá de verdade no Brasil, quando se falar de política em casa, com as crianças, quando se ensinar ética entre os irmãos pequenos, com a linguagem infantil, que isso seja formatado naturalmente no cérebro e no coração dos pequeninos, para que eles possam então agir de forma coerente, gradualmente, a medida que suas relações sociais vão se desenvolvendo e tornando-se mais complexas.

Assim com se ensina matemática, português, inglês, física, e qualquer disciplina, se pode e se deve ensinar honestidade também. Não se deve pressupor que por serem simplesmente filhos, serão santos e honestos. Lindos e carismáticos quando crianças, todos são. Hitler foi. Átila o Huno, e outros tantos ditadores e assassinos, também desfrutaram do conforto de um útero, foram bebês inocentes e tratados por pais e mães em suas necessidades.

Pequenas maldades, podem se transformar em genocídios. O menino que mata impiedosamente um cão ou um gato, não terá piedade na vida adulta de um ser humano. Sem educação infantil de qualidade, sem atenção concentrada nas dúvidas e conflitos dos adolescentes que precisam de choques de realidade e contrapontos para que sejam capazes de meditar e impulsionados há refletir sobre as questões que são parte da vida e do desenvolvimento, chegam muitas vezes como árvores tortas e daninhas nos legislativos, nos executivos, e nas instituições, e mais cedo ou mais tarde as distorções, os nichos de mau caratismo, como mofo se aglutinam nas posições de confiança e de poder administrativo, gerando o atraso social e coletivo e a necessidade de julgamento, punição, questionamento, atrasando os movimentos de produção, de comercialização e distribuição de riqueza de uma pátria, de uma nação, que pode viver em paz e prosperidade se quiser, precisando porém estar de acordo no pacto social, apesar de suas divergências.

Tornou-se no Brasil por ações do Partido dos Trabalhadores em vilanizar seus opositores, uma prática de mocinho e bandido, absorvida pela fraca oposição, no caso do Brasil o PSDB, enquanto o PMDB surfa onde lhe convèm. “Culpa do governo anterior”. Slogan das campanhas petistas que já não serve mais. Ainda eles tentam jogar confusão na sociedade, por que perceberam que o povo, mesmo relativamente culto, até mesmo com diplomas, tem vazios políticos e de compreensão psicológica da realidade e caem nestas armadilhas de se jogar um contra o outro, na visão de mocinhos e bandidos. Como se não pertencessem todos há uma mesma nação.

Divergência não significa inimizade. Diversidade de opinião não significa apropriação de ideias. O PT acredita que só seus militantes são trabalhadores e coloca-se na condição de classe oprimida contra a burguesia exploradora da mão de obra e absorve como a nata do leite o ódio semeado por eles, mitificando pseudo-heróis que venceram estas barreiras sociais, como o caso do Lula, o pobre retirante operário que virou presidente, duas vezes. Some-se e está envolvido em graves denúncias de corrupção, assim como seus amigos, que colocaram o Brasil em grandes dificuldades, depois de 14 anos de governo federal.

É preciso por tanto, exercitar a consciência para separar-se na questão política principalmente, quando o julgamento é uma necessidade pública e de escolha, já que o voto é uma transferência de poder, aprender a separar com lucidez e critérios claros o joio do trigo. Existem possibilidades também do contra-voto, o voto de anulação, caso o político eleito seja traidor de suas promessas e que seu eleitor esteja insatisfeito. Nos Estados Unidos isso se chama recall. No parlamentarismo, também é possível retirar da liderança da nação, o político que não esteja desenvolvendo bem suas funções. Não apenas por corrupção, mas por incompetência mesmo.

Isso porém não virou ainda uma cultura na nação. Falta participação política de uma geração inteira que no vazio imposto pelo militarismo, perdeu o hábito de protestar publicamente nos anos 70 e 80 e depois da abertura democrática ainda está procurando o caminho da força, sendo que é preciso persistência para se vencer barreiras mais resistentes. O Muro de Berlin não foi derrubado em um único movimento. É preciso ter firmeza portanto em lutar contra o que é errado, exercitar o que é correto, repetir, corrigir e avançar na transformação, construção e reconstrução de uma pátria desenvolvida e bem sucedida. Os jovens precisam saber disso, caso contrário, qualquer um que tiver a oportunidade vai querer ir embora do Brasil, para desfrutar como visitantes as conquistas de outras culturas que também tiveram seus processos de amadurecimento, muitas vezes sob nuvens de pólvora, peso de chumbo e rios de sangue e tinta, como na Revolução Francesa e outras.

A pior crise portanto é a da desilusão. A desilusão juvenil que por fugas geográficas ou etílicas, teme em formar família, erra ao administrar seu pequeno estado pessoal familiar, na condução do relacionamento do casal ou com os filhos, opta pelo solteirismo festeiro e facilmente se deixa levar pelo pensamento primário de que o prazer esconde os problemas e que alguém vai resolvê-los, sem a necessidade de participação e colaboração.

Enquanto isso não mudar, o Brasil será uma roda gigante. As ilusões de estar no alto não se consolidam como verdadeiras conquistas e estará sempre girando como pátria e como nação, distanciando-se de seu verdadeiro ideal como nação, que é de irradiar a luz de uma grande pátria, sob o comando da ORDEM E DO PROGRESSO.

Deus ilumine os caminhos da Terra do Cruzeiro.

 

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