INDÚSTRIA CAXIENSE RETRAI 28,9% EM 2015

Foto:Miguel Brambilla

Foto:Miguel Brambilla

Queda foi a maior já registrada pelo SIMECS

O ano de 2015 foi um dos mais difíceis dos últimos tempos para a indústria de Caxias do Sul. Dados do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico – SIMECS apresentados nesta quinta-feira, 28 de janeiro, para a imprensa, evidenciaram a queda no faturamento e a erosão dos empregos no setor. A estagnação econômica e principalmente o recuo nas vendas de veículos pesados repercutiram na atividade industrial da cidade e região.
Conforme o presidente da entidade, Getulio Fonseca, os doze meses do ano passado mostram um retrocesso de quase 29% no faturamento em relação ao ano anterior. “A queda abrupta nas receitas se deu nos três setores básicos de nossa economia industrial local: automotivo, eletroeletrônico e metalmecânico. No automotivo, segmento de maior impacto econômico em nossa cidade e região, a queda no faturamento das empresas chegou a 32,82% a menos do que o mesmo período de 2015. Ou seja, um recuo de praticamente 1/3 nas receitas”, salientou.
Salienta o dirigente que a queda se deu tanto nas vendas internas (-38,17%), quanto para fora do estado (-33,54%). Em relação às exportações, ao analisar-se o crescimento (14,47%), deve-se levar em consideração a significativa desvalorização do Real diante da moeda americana ocorrida em 2015 (48,5%), o que ajuda a explicar a variação positiva.

QUADRO DE EMPREGO TAMBÉM É PREOCUPANTE

Getlulio salienta que em termos de empregos a situação de 2015 foi altamente preocupante, e com certeza trará sua herança para 2016. A queda no faturamento e a consequente ociosidade da indústria repercutiram no corte das vagas. Em 2015 houve queda de 20,2% nos postos de trabalho, de 45.679 em janeiro para 36.998 em dezembro (9,2 mil a menos). Nos últimos dois anos (dez.13-dez.15) a queda absoluta representou 14,5 mil vagas, uma diminuição de 28,11%. Uma retração, é bom salientar, que seria ainda maior não fosse o mecanismo de flexibilização da jornada posto em curso por um bom número de empresas do setor.
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A retração do faturamento em 2015 representou a pior geração de receitas dos últimos dez anos. A análise em série histórica temporal, em valores já deflacionados, mostra que o faturamento da indústria local ficou em 13,26 bilhões, o mais baixo desde 2006. Comparativamente a 2014 a queda representou 28,9%. Em relação a 2013, 40,7% de recuo.

PERSPECTIVAS 2016

Por outro lado, o Assessor de Planejamento do SIMECS, Rogério Gava comentou que o cenário para 2016 já mostra o inevitável. “Teremos mais um ano de atividade econômica negativa. Portanto, 2015 e 2016 farão uma dobradinha de PIB caindo; fato inédito desde que o IBGE começou a calcular o índice no distante 1948. A inflação, apesar de toda a recessão, está custando a dar o braço a torcer. O câmbio, agora real, lança o otimismo das exportações, mas encarece a produção nacional. E as contas públicas continuam a desequilibrar o cofre do governo. As previsões de comportamento para os principais indicadores econômicos evidenciam que nãos será em 2016 que o Brasil reencontrará o caminho do crescimento”, enfatizou.

PIB
Teremos em 2016 o segundo ano consecutivo de PIB negativo. Uma queda estimada entre 3,0 e 4,0%. Projeções recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) pioraram neste começo de ano. A previsão dos analistas do organismo é de que tenhamos recuo da ordem de 3,5%. Já as análises dos economistas que alimentam o relatório Focus do Banco Central (BACEN), colocam essa queda na faixa dos 3,0%. E para 2017 já se observa deterioração dos prognósticos, com previsão de estagnação econômica (crescimento zero). A recessão causada pelos juros altos, a incerteza política e os escândalos da PETROBRAS estão tendo impacto mais profundo e prolongado do que se esperava. Em contrapartida, os analistas do Banco Central, mais otimistas, seguem apostando em um crescimento em torno de 1% para o próximo ano. Mas a julgar pelas previsões de 2015, o pessimismo do FMI se mostra mais plausível. Para o organismo, o Brasil só volta a crescer em 2018.

SUPERÁVIT PRIMÁRIO
Após a frustração total com o estouro atômico da meta de 2015 (o número fechado do rombo não foi divulgado, mas a estimativa é de um déficit de R$ 120 bilhões, incluídas aí as “pedaladas”), o governo iniciou 2016 publicando um decreto provisório para gastos no orçamento. O mesmo limita a 1/12 avos as despesas dos ministérios de seus respectivos orçamentos até 12 de fevereiro. Nesta data será conhecida a programação orçamentária para o ano, com os inevitáveis cortes que terão que ser feitos. Tudo isso para se tentar atingir a meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida pública) para este ano, estimada em R$ 30,5 Bilhões (0,5% do PIB). A queda na arrecadação de tributos devido à recessão – apesar do aumento de impostos em curso desde o ano passado – será um dos entraves à consecução da meta fiscal. Analistas apostam que a meta, mais uma vez, não será alcançada.

CÂMBIO
O câmbio foi usado em 2014 como remédio para conter o prenúncio de descontrole inflacionário. Em 2015, a realidade bateu à porta e o Real desvalorizou quase 50% em relação à moeda americana. O primeiro mês de 2016 acentuou a desconfiança do mercado em relação ao Banco Central, após a decisão surpreendente do Copom (Comitê de Política Monetária) em manter a taxa Selic inalterada no ano. A suspeita que ronda o BACEN é a da ingerência do governo na política monetária, lançando dúvidas sobre a autonomia do Banco Central para tomar as medidas técnicas (e não políticas) necessárias para estancar a crise. Por força disso, o dólar iniciou o ano em forte alta, com perspectiva de encerrar 2016 acima dos R$ 4,30.

JUROS
Janeiro surpreendeu os mercados com o anúncio da manutenção da Selic em 14,25% em 2016 pelo Banco Central. A aposta quase unânime era de uma alta de 0,50 pontos. A decisão do Copom levou em conta a deterioração das perspectivas econômicas brasileiras, em muito também pela revisão das projeções feitas pelo FMI. E, se por um lado o freio no juro é saudável par combater a recessão, em outro poderá colocar em risco a contenção inflacionária.
Mesmo sem o aumento esperado, a taxa de juros seguirá em 2016 no maior patamar em quase dez anos, desde meados de 2006. A política de juros altos, portanto, seguirá sendo o remédio do governo para estancar a escalada da inflação. A expectativa do mercado financeiro de que o IPCA ultrapasse 7%, novamente acima do teto do sistema de metas de inflação, é algo que o Banco Central buscará evitar a qualquer custo. Nesse cenário, é certo que teremos juros altos por um bom tempo.

Fonte: Assessoria de Comunicação SIMECS

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