Músico da história da MPB brasileira deixa suas notas por Caxias do Sul Por Miguel Brambilla

Carlos Geraldo Cargê é o nome dele. Radicado na cidade nos últimos tempos, ele se esforça por conhecer novos músicos e já fez alguns shows pela terra.

 

Na montagem, Cargê aparece com a banda de Gal Costa, com o internacional Tony Bennett e em uma das capas dos discos da Casa das Máquinas – montagem Sabe Caxias.

Cargê como é conhecido no meio musical por nada menos que Roberto Carlos, Gal Costa, Djavan, entre alguns deste plano físico, também conheceu e gravou com Tim Maia o baixo da música Coronel Antônio Bento, viajou o mundo na banda de Gal Costa e fez parte da história do rock nacional, em uma das bandas mais famosas da década de 70. Casa das Máquinas.

Cargê fez história no rock como baixista, mas é um músico completo. Cantor, compositor, maestro, nasceu em Porto Alegre e conheceu Roberto Carlos ainda na adolescência com sua banda The Brazilian Beatles. Convidado pelo rei para ir visita-lo em São Paulo, teve que esperar a maioridade, ganhar o apoio da mãe que trabalhava no Palácio Piratini na capital gaúcha para o então governador Leonel De Moura Brizola. Aos 18 anos conseguiu o apoio que precisava e sua mãe, fez questão de ligar do palácio para o rei, que se lembrou é claro do Cargê.

Esta história está contada na entrevista com link abaixo. Cargê passou alguns perrengues ao chegar na TV Record no programa Jovem Guarda. Mas no final, cantou e saiu na foto. O próprio Cargê contando esta história é muito melhor.

A vida de músico trouxe muitas alegrias ao gaúcho Carlos Eduardo. Atualmente ele trabalha em Caxias do Sul e tem a assistência do seu filho Carlos Geraldo Júnior. Cargê guarda histórias de Elis Regina para contar e foi um dos professores de música brasileira de ninguém mais, ninguém menos de que o ainda na ativa e nonagenário Tony Bennett. Sim, o próprio.

Conheci Cargê pela rede social. Marcamos de tomar um café ainda ano passado. Procurava um baixista para minha banda, vi que ele anunciou sua escola em uma revista e liguei. Nem sabia para quem estava ligando. Depois trocamos algumas ideias e ficou por isso. Enquanto isso, workshops de música e shows intimistas ocuparam a vida e a rotina do grande músico da MPB que se cercou dos melhores como sempre. Alexandre Slide, Marcos Volpato, Luis Fernando Alles, entre outros.

Meu parça, baixista de primeira da cidade, Alexandre Carminatti, absorveu parte dos conhecimentos do Cargê de forma profissional. Na segunda me avisou que ele queria me conhecer, já que nosso café ficou na conversa. Imediatamente registrei a honra e acionei o modo humildade. Combinado de ir na sexta, eu e o Ale, estávamos programados para isso. A vida porém tem desígnios diferentes para o homem que vive seus sonhos. Na quinta pela manhã, Cargê, proativo como sempre na vida de relação com os músicos, me chamou para ir visita-lo no quarto 559 do Hospital Geral em Caxias, onde está passando um perrengue de saúde, que com certeza já está se recuperando. Acionei o modo calma, suador, nervos e muita honra. Mas quem não é músico, não é artista, a família, não entende muito isso. Fazem um “aham” quando você explica que o cara te chamou por que quer te conhecer.

Então, larguei as atividades do dia, que eram urgentes, mas nem tanto a partir deste fato. Não parei de recontar para os meus a história que já tinha contado na janta, no café da manhã, no almoço, no escritório. Deixei minha filha na escola e quis ficar sozinho minutos antes de encontrar o parça, Cargê. Histórias de músico. Assim como no mundo das lutas, no futebol, até mesmo no mundo do crime tem um código de honra implícito e óbvio, uma postura ética entre os amantes de verdade desta arte espiritual, a música também tem. Levei um CD de uma das minhas bandas, a Exilados. Autografado e com dedicatória. Sou um pretensioso. Por isso fui exilado aqui na nossa terra.  Mas levei. Esperei para entrar no organizado hospital, senha eletrônica e tal.

Cargê que nunca tinha me visto pessoalmente, abriu os braços para mim, falou em alto som e tom de cantor de primeira meu nome. “-Brambilla, que bom, queria muito te conhecer, sou teu fã…” Melhor que isso, foi sentir, conversando com o parça, que é sincero. Nem tinha levado material para entrevista, fui visitar uma lenda da MPB que me convidou numa hora difícil e este tipo de convite não se nega. Cargê está bem, já me fez umas propostas e tal e por ai vai.

Então, depois daquele instante da self, a ideia de gravar pelo celular mesmo. Um especial do programa CENA PARALELA, em sua sexta edição, que acaba sendo histórica, inesquecível.

Artistas não pensam em ambientes. Qualquer cama pode ser um palco. Hospital, hotéis ou motéis, prisão ou navio. O importante é falar, contar histórias, viver, alegrar. Foi o que fizemos naqueles minutos mágicos entre 14:30 e 15:30. Nem vimos passar. Improvisei o Maurício Reis como cinegrafista, continuo pretensioso, agora como jornalista e conversamos. Um dos meus melhores momentos na música. Um elo espiritual de ligação, como se estivesse encontrado velhos amigos de outras encarnações. O Cargê e o Maurício. Não se explica este tipo de coisa. Sei que ele foi sincero em suas palavras e foi ótimo ter registado este momento. Nesta semana, o Cargê aguarda a visita de Nando Reis, o prório ex-Titãs, cujo nome fala por si. Cargê é um parça da música. Senacional. Enquanto escrevo isso revivo os mesmos sentimentos. Acompanhe abaixo na voz do Carlos Geraldo, o Cargê sua história de como chegou na Jovem Guarda, abençoado pelo rei ROBERTO CARLOS, e quase foi barrado pelo leão de chácara. Quase.

Teremos outras histórias para contar. Como desfecho, mais uma emoção. Como músico, sinto-me abençoado pelo Cargê que sei que pede por mim. Já não sou criança, fui exilado na terra aos 17 depois do Porto Alérgico, mas aos 50 Deus está me dando bênçãos. Afinal, se o Tony Bennet e o Willie Nelson ainda lançam discos e trabalham, tenho no mínimo mais 35 anos para conquistar um pedaço desta história no Brasil. Para traz já foram 30. Afinal de contas também, a vida é eterna e o que importa mesmo são os encontros, a arte, a melodia. Os apêndices de fama e dinheiro são bem legais, mas o reconhecimento e a possibilidade de seguir criando são muito mais prazerosas. Descobri com o Cargê, que o plano invisível trabalha na CONFRARIA UNIVERSAL DOS MÚSICOS, que vai além das fronteiras desta dimensão, ultrapassa corpos e épocas e nos coloca em posições diferentes no tempo e no trabalho de interpretar as emoções humanas. Muito obrigado Deus por este momento, agora falando como jornalista. Muito obrigado Cargê pelas bênçãos e pelo reencontro amigo.

Com vocês, CARLOS GERALDO CARGÊ – divirtam-se.

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM CARLOS GERALDO CARGÊ:

 

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