A Prática Mediúnica e a Educação Moral – por Jason de Camargo Escritor e Dirigente Espírita

A Prática Mediúnica e a Educação Moral – por Jason de Camargo Escritor e Dirigente Espírita

1.FENÔMENOS MEDIÚNICOS

A faculdade mediúnica esteve junto aos homens desde a sua história. Foi, no entanto a partir dos estudos realizados por Allan Kardec que a humanidade pode conhecer melhor esse dom que permaneceu por largo tempo na obscuridade. Os profetas da antiguidade eram médiuns notáveis, muitos povos tinham seus iniciados, suas pitonisas, seus curandeiros e tudo o mais. Sócrates era frequentemente assistido por um Espírito amigo que o inspirava nas suas longas meditações, enquanto que Joana d”Arc sabia que suas vozes provinham de entidades orientadoras na tarefa de reagrupar a França. São tantos os fenômenos mediúnicos catalogados pela própria história e que ficaram, no entanto, obscurecidos pela penumbra das explicações miraculosas de seu tempo. Sabemos também, que essas capacidades humanas foram, na maioria das vezes, mal aproveitadas porque a ignorância permeava esse campo extraordinário do intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo material. Os médiuns neófitos nessa área produziam toda a sorte de deslizes, de equívocos, de interesses escusos, abastardando seguidas vezes essa faculdade mal compreendida e mal utilizada pelo ser humano.

Apontamos no livro “Divaldo Franco – A História de um Humanista” sobre o considerável número de pessoas que possuem percepções mediúnicas, mas que não investigam. O comum é ouvirmos muitos dizerem que viram vultos de indivíduos já desencarnados, que sentiram perfumes que não sabem de onde vieram, de terem premonições, de aparecerem impulsos inesperados ou de receberem pensamentos gratuitos de ira. Quantos já ouviram vozes nítidas e não tinha ninguém por perto ou que tiveram essa ou aquela percepção não habitual ao senso comum da maioria da população. É só realizarmos uma pesquisa séria e veremos o significativo percentual de indivíduos que já passaram por experiências incomuns e que ainda não foram estudadas pela ciência de nossos dias.

A verdade, também, é que essa gama variada de percepções que algumas pessoas sentem com grande intensidade tem ocasionado perturbações e descontrole psicológico nos sensitivos neófitos e ignorantes da fenomenologia mediúnica. É comum, nesses casos, a ocorrência de visita aos psiquiatras, a psicólogos e a baixas hospitalares para os casos de transtorno considerável de comportamento. Isso tem gerado um grande número de problemas para esses pacientes e para os seus familiares.  Os facultativos, na maioria das vezes, desconhecem essas faculdades e os fenômenos que as acompanham. Não poderiam, é evidente, interpretar corretamente a gama de situações que podem ocorrer na área da mediunidade. Por isso, ministram medicamentos tentando suprimir os sintomas desagradáveis que possam aparecer. É difícil para eles compreenderem que muitos desses efeitos indesejáveis são produzidos por espíritos desencarnados. Não estou querendo afirmar que toda perturbação psicológica seja fruto da influência negativa de certos espíritos, mas sim, dizer que é significativo o número de casos em que essa influência está ocorrendo. O difícil, muitas vezes, é conseguir diagnosticar corretamente o que está acontecendo e indicar o melhor caminho para a solução. Apenas para comentar sobre a dificuldade dos terapeutas em lidar com as situações que envolvem as questões mediúnicas, eu comento o que ocorreu comigo em um programa de televisão. Participava do mesmo, além da minha pessoa, mais três médicos. No intervalo do referido programa um psiquiatra disse-me que gostaria de falar comigo. Falou que, em alguns casos, ele não conseguia chegar a um diagnóstico mais preciso e isso dificultava a resolução de seus problemas. Comentou mesmo que gostaria até de encaminhá-los para um Centro Espírita. Era um médico consciente de seus limites, pois a medicina, como qualquer outra ciência, encontra-se em permanente evolução e, ainda, não enveredou decididamente para um estudo criterioso da mediunidade e de toda a gama de influências espirituais (muitas vezes negativas), que assola a nossa sociedade despreparada.

O Espiritismo, por isso, é, no momento, o maior repositório de conhecimento a respeito do intercâmbio entre seres encarnados e desencarnados, bem como das consequências que derivam dessas relações. Ele vem prestando inestimáveis serviços à humanidade, orientando, amparando, consolando e auxiliando no equilíbrio de um sem numero de lares que sofrem a injunção de uma mediunidade atormentada. Onde a ciência acadêmica e contemporânea para os seus estudos, permanecendo no campo mais sensório, a Doutrina Espírita prossegue na análise de um mundo mais sutil do que o nosso e avança para conhecer os seus habitantes, bem na comunicação dos mesmos com aqueles que povoam o plano material.

Por aí se vê a importância dos Centros Espíritas, de seus médiuns e demais colaboradores que laboram constantemente para o equilíbrio  psíquico de milhões de indivíduos e de seus familiares. O núcleo familiar ressente-se como um todo quando aparece, em seu bojo, um fato de natureza mediúnica ou obsessiva ocasionando, quase sempre, perturbações em sua estrutura íntima. Muitas vezes, tais ocorrências são tão devastadoras que a família entra num clima de grande sofrimento e cabe a nós, espiritas, auxiliar naquilo que pudermos fazer para minorar tais sofrimentos.

2-EDUCAÇÃO DA MEDIUNIDADE

A educação da faculdade mediúnica é o conjunto de ações educativas que visam o exercício correto da mediunidade. De uma forma mais simples podemos dizer que esse conjunto de ações é formado pelos seguintes elementos:

  1. a) Conhecimento doutrinário:

Estudo profundo da mediunidade em particular e da Doutrina Espírita como um todo. Isso possibilitará ao médium conhecer a sua faculdade, identificar as influências que procedem do exterior (boas ou perturbadoras) e saber a melhor forma de lidar com elas. Irá aprender a analisar as sensações produzidas pelos fluídos dos espíritos, diferenciando-os e tendo condições de estabelecer a procedência dos mesmos. Compreenderá por que os espíritos desencarnados permanecem entre nós, quais seus motivos, por que uns procedem perturbando as pessoas e outros as auxiliam e qual o seu papel nesse processo espiritual. O conhecimento doutrinário dará um suporte extraordinário para que o médium possa exercer com maior clareza a sua faculdade.

  1. b) Prática mediúnica:

Compõe-se de um estudo teórico-prático específico para a prática mediúnica, das reuniões de educação da mediunidade e de desobsessão, bem como de outras atividades de cunho mediúnico no Centro Espírita.

  1. c) Educação Moral:

É a base de sustentação espiritual do médium. Sem a educação moral o medianeiro coloca-se em risco constante. Poderá ter uma faculdade proeminente, com excelente potencial mediúnico e abastecido de regular conhecimento doutrinário, mas sem a vigilância comportamental necessária ele naufragará nas ondas perigosas da obsessão. Por isso, a necessidade de salientarmos a área da educação moral dirigida para os médiuns que atuam no campo da mediunidade. Não haverá uma saudável prática mediúnica sem o concurso de colaboradores moralizados, responsáveis e conscientes de sua tarefa.

“É IMPORTANTE A EDUCAÇÃO MENTAL E MORAL, QUE PRODUZ VIBRAÇÕES SANEADORAS, NO CENTRO ESPÍRITA, NO LAR E EM AMBIENTES PÚBLICOS”.

 

3) EDUCAÇÃO MORAL DOS MÉDIUNS

Destacaremos, a seguir, alguns pontos que julgamos necessários para auxiliar os médiuns a desenvolverem suas atividades mediúnicas com maior segurança e proveito para o Centro Espírita e seus frequentadores. São elementos simples e de grande repercussão para o psiquismo do medianeiro e para o próprio ambiente espiritual em que ele transita.

a)Atmosfera fluídica:

Os espíritos nos informam que tanto o plano material como o espiritual é constituído pelo fluído cósmico universal. É como se a energia estivesse sob múltiplas formas e com os mais variados comprimentos de onda, ou seja, energias com frequência vibratórias que variam ao infinito, desde os estados mais densos até aos mais sutis e inacessíveis, ainda, às pesquisas da ciência contemporânea. É como asseveram os físicos: a matéria nada mais é do que energia condensada ou coagulada. Acontece, no entanto, que essas energias permeiam os ambientes e as pessoas, bem como são facilmente influenciáveis pelos pensamentos, emoções e sentimentos dos indivíduos encarnados como desencarnados, isto é a atmosfera fluídica pode se modificar segundo o teor força do mento-espiritual que gravita no ambiente. Por exemplo: as pessoas mais purificadas mentalmente deixarão suas marcas no ambiente em que vivem, saneando-o, purificando-o com os seus sentimentos cheios de nobreza espiritual. Esses fluídos serão leves, agradáveis, calmos, saudáveis e produzirão um bem-estar naqueles que estiverem nesse ambiente. Por outro lado, as pessoas mais impuras, mais odientas, plasmarão fluidos densos, pesados, desagradáveis, violentos e produzirão um mal-estar, dor de cabeça, nervosismo, arrepios, bocejos, cabeça pesada, doenças, etc.

Como se observa, existe um dínamo-psiquismo entre um emissor que influencia e um receptor que recebe a influência. Os médiuns mais experientes percebem a diferença vibratória dos ambientes, e através de uma análise dos efeitos em si mesmos poderão diagnosticar o tipo de espíritos (encarnados ou desencarnados) que plasmaram os seus fluídos.

Por isso, é bom destacar a importância da educação mental e moral dos médiuns na produção de elementos vibratórios saneadores, não apenas no ambiente do Centro Espírita mas, também, em seus lares e demais locais por onde passam. O médium moralizado não pode ter um comportamento saudável apenas nas dependências de sua Instituição Espírita. Deve procurar conscientizar-se que a construção de uma mente sadia é o resultado de uma soma de elementos que se acumulam no transcurso de todas as horas e não apenas de alguns momentos de elevação.

  1. b) Absorver ou repelir:

A lei de afinidade vibratória tipifica que forças semelhantes se atraem enquanto que forças contrárias se repelem. Portanto, percebemos e atraímos para nós próprios os fluidos que permitimos que tal aconteça. Por exemplo, se o médium percebe que os fluidos são pesados, infelizes e desequilibrados estará nele, na maioria das vezes, as condições para absorvê-los ou repeli-los. Se ele concordar com a vibração recebida, é natural que passe a ter também pensamentos infelizes e desequilibrados. No entanto, se não concorda, ele deverá modificar a sua atitude mental com emissão de bons pensamentos, bons sentimentos, boas ideias ou uma prece fervorosa. Em outras palavras, podemos dizer que o médium deve se acostumar a analisar calmamente os efeitos das vibrações que percebe, permanecendo equilibrado, sereno e com a firme determinação em sua mente de escolher o melhor caminho.

Nas reuniões mediúnicas é natural que os médiuns aceitem a presença de entidades menos esclarecidas e necessitadas, mesmo percebendo os fluídos mais densos e perniciosos. No entanto, eles deverão aprender a graduar a sua passividade mediúnica, para que, no cotidiano, eles tenham condições de repelir as influências indesejáveis, não cedendo o seu consciente para as entidades intrusas e que possam prejudicá-lo.

A educação moral do médium será sempre a salvaguarda de seu equilíbrio. Por onde ele transitar, encontrará as situações mais desencontradas possíveis, visto que no planeta em que nos encontramos existe uma infinidade de espíritos necessitados. Logo, a sua postura digna diante da vida é que o manterá em condições de trabalho útil no campo da mediunidade. Os hábitos saudáveis da boa leitura, da prece, da meditação sistemática e do comportamento cristão irão auxiliá-lo a manter vibrações saudáveis em seu psiquismo e, por consequência, uma estrutura saudável e equilibrada.

  1. c) Imantação telepática:

As mentes infelizes de espíritos inferiores sentem uma atração pela futura vítima em função da afinidade moral e da sintonia vibratória. Essas entidades fazem uma observação do comportamento do indivíduo. Verificam seus hábitos, suas tendências, seus gostos, suas fraquezas e por ali procuram inocular suas ideias perturbadoras. Os médiuns desavisados e ainda portando algumas fragilidades no campo comportamental, tais como as bebidas alcoólicas, o vicio do fumo, do jogo, da sexualidade desequilibrada e imprevidente, da irritabilidade constante, das mágoas arquivadas, do ciúme exacerbado, dos melindres contumazes e de tantos outros elementos perniciosos para o equilíbrio mental, oferecerão um campo propício para as sugestões infelizes, levando os incautos para o caminho das inquietações, das desconfianças, da insegurança pessoal, das enfermidades, dos insucessos, das angústias e das incertezas. Esses pensamentos desarmonizados, refletindo estados emocionais e comportamentos negativos criam zonas mórbidas em nosso campo mental, facultando a inoculação de emissão virulenta alheia que age no sensitivo desprevenido como se fora uma afecção mental, instalando-se, em decorrência, o processo obsessivo.

Para se evitar tudo isso, teremos que atuar firmemente numa postura que nos afaste de vícios de qualquer natureza e que nos aproxime das virtudes do perdão, da tolerância para com os outros, da generosidade, da disciplina de hábitos saudáveis, da simplicidade e de tudo aquilo que produza o bem-estar psíquico de uma consciência tranquila.

  1. d) Emoções e Sentimentos:

A aura ou campo energético que circunda o indivíduo é o resultado de seus pensamentos, emoções e sentimentos. As vibrações elevadas produzem campos de alta frequência enquanto que as desencontradas como a cólera, a depressão, a fadiga, o desgosto, o medo exacerbado, o ódio, a inveja, o ciúme, a ira, produzem campos energéticos de baixa frequência, passíveis, portanto, de complicações espirituais inferiores. As emoções são funções especificas do psiquismo, correspondentes aos estados mentais veementes ou excitados. Ao recebermos certos estímulos a mente reage de acordo com o estímulo recebido. Essa reação ou excitação provoca o aparecimento de energias especificas, trazendo consigo respostas físicas em consonância com o teor vibratório das mesmas. Por exemplo, ao recebermos uma otícia agradável a nossa mente reage positivamente, a emoção da alegria aparece e esboçamos um sorriso. Por outro lado, ao recebermos o estímulo de uma ofensa, amente reage negativamente produzindo a energia da ira, da contrariedade, e a resposta física aprece em nosso rosto Dessa forma, as pessoas vivem recebendo os mais variados estímulos da própria vida e tendo as mais diferentes reações diante desses estímulos. Acontece, no entanto, que certas emoções podem produzir descontrole nos médiuns, prejudicando o equilíbrio necessário para o seu trabalho mediúnico. Por isso, sempre será saudável ermos uma vigilância maior com as nossas emoções em nosso cotidiano evitando, dessa maneira, o dissabor de não rendermos o melhor que pudermos nas reuniões mediúnicas.

Como estamos na Terra realizando uma viagem de aperfeiçoamento espiritual e a mediunidade faz parte desse contexto para os médiuns, é importante que vinculemos os aspectos morais às suas faculdades medianímicas, visto que o medianeiro desprovido desses aspectos correrá imensos riscos de cair nas raias de uma obsessão devastadora. Somente a educação de seus sentimentos possibilitará a reorganização de suas energias, o equilíbrio de seu campo mental, a afinidade vibratória com espíritos amigos e benfeitores de sua tarefa. As frequências das ondas mentais correspondem ao estado íntimo das pessoas. Quanto mais bondosos, amigos, humildes, fervorosos em suas preces e disciplinados forem os médiuns, mais puras serão as suas mentes possibilitando, assim, melhor proteção espiritual em todo o transcurso de sua existência terrena.

  1. e) Controle dos Impulsos:

É muito importante para os médiuns de uma maneira geral exercitar o controle de seus impulsos. Através deles é que se cometem os grandes desatinos surgindo, depois problemas de difícil solução. Os impulsos da violência, da agressividade, da sexualidade descompromissada, dos melindres, das desconfianças, da ira e de toda ordem de desmandos que irão infelicitar as pessoas. Os indivíduos da sociedade contemporânea possuem uma personalidade oscilante, ou seja, ora elevam-se em prece e são amigos, ora descambam para o caminho da maldade, da cólera e dos desejos desfreados. É nessa oscilação comportamental que ele se compromete com espíritos infelizes e reduz a produtividade de seu trabalho na área da mediunidade. Um dos pontos significativos do exercício mediúnico está na estabilidade mental do médium, de sua postura equilibrada nas várias situações do cotidiano, porque não podemos nos esquecer, como já discorremos anteriormente, das vibrações que permeiam as nossas emoções e sentimentos. São elas que irão traduzir os benefícios ou malefícios da conduta de cada indivíduo.

Os espíritos superiores já possuem uma estrutura mental mais sólida e desprovida da violência e de todas as mazelas quer infestam ainda a alma humana, por isso, eles nã apresentam esses impulsos negativos que tantos nos infelicitam. Em nosso caso, como ocorrem ainda essas oscilações comportamentais é necessário ampliarmos a vigilância em nossas emoções e em nossas atitudes habitando-nos à prece e à meditação sobre o nosso comportamento.

Quando agimos impulsivamente estamos cedendo espaço para o descontrole, ocasionando um tipo de permissão para que nos utilizem como queiram. Reduz-se, com isso, a nossa ação consciente sobre como deveremos agir em determinadas situações. Não devemos nunca ceder os mecanismos existentes em nossa consciência para que entidades nos utilizem para fazerem o que desejarem. Mais uma vez as palavras orientadoras do Cristo: “ vigiai e orai para não serdes surpreendidos.”

4 – O HOMEM DE BEM

Destacamos como libro obrigatório para auxiliar no equilíbrio moral do médium O Evangelho Segundo o Espiritismo. Existem tantas obras boas que poderão servir de complemento e é até interessante que o colaborador espírita conheça. No entanto, O Evangelho Segundo o Espiritismo é um livro destinado ao aperfeiçoamento moral do indivíduo, baseado nos ensinos de Jesus e de grande função terapêutica tornando-se, por isso, uma obra de higiene e saúde espiritual. Deve ser o nosso companheiro diário, nosso livro de cabeceira como se diz. As pessoas que já passaram por momentos difíceis sempre encontraram nele o consolo, a orientação segura e a melhor forma de conviverem com o próximo. Quando colocamos a nossa atenção nos textos evangélicos passamos a vibrar em consonância com o seu conteúdo e reagimos positivamente possibilitando, assim, adquirirmos a vibrações de paz interior e aos estados de consciência de sublime beleza.

Para finalizarmos o nosso singelo trabalho escolhemos um dos seus textos de prestimosa orientação para todos os espíritas. Foi extraído do capítulo XVII, item3, com o título Homem de Bem.

Sobre a lei de JUSTIÇA, DE AMOR E DE CARIDADE:

“O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre os seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara que lhe fizessem.”

A respeito da FÉ:

“Deposita fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se le submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.”

Sobre a BONDADE:

“Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda a ação generosa.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

Respeita, nos outros, todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.”

Mais adiante o texto traz ainda ensinos notáveis ao abordar os seguintes temas:

A respeito do PERDÃO:

“Não alimenta ódio, nem rancor; nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.”

Sobre a INDULGÊNCIA:

“É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aqule que se achar sem pecado.”

A respeito das IMPERFEIÇÕES:

“Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-la. Todos os esforços emprega para dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.”

Comenta sobre a VAIDADE:

“Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que le foi dado pode serr-lhe tirado.”

A respeito do USO DOS BENS ou dos DONS RECEBIDOS:

“Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplica-lo à satisfação de suas paixões.”

Discorre sobre o TRATAMENTO DISPENSADO AOS SUBALTERNOS:

“Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantara a moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quando lhe possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.”

“O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.”

Respeito aos DIREITOS DOS OUTROS:

“Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.”

5.CONCLUSÃO

Depreendemos, pelo exposto que existem milhões de médiuns espalhados pela sociedade contemporânea mas que não conhecem a faculdade que possuem, por isso, na maioria das vezes, sofrem as injunções impostas por essa ignorância, sob as mais variadas formas de transtornos no seu cotidiano.

Os médiuns espíritas, no entanto, devem aprender a lidar com a sua faculdade, empenhando-se no estudo criterioso das obras de nossa Codificação, bem como esmerar-se na responsabilidade que lhe diz respeito auxiliando, assim, na qualificação cada vez maior da prática mediúnica.

Os medianeiros devem buscar continuamente a melhoria do seu comportamento moral, fator indispensável ao seu equilíbrio psíquico e de real valor para agregar junto a si, os benfeitores desencarnados.

Pelo que expomos, baseados na bela página a respeito do Homem de Bem, concluímos que o medianeiro deve buscar neta fonte o equilíbrio e saúde espiritual para o exercício de seu mediunato.

BIBLIOGRAFIA:

1.Divaldo Franco – “ A História de um Humanista”, Jason de Camargo.

2.”Educação dos Sentimentos” , Jason de Camargo

3.”O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Allan Kardec.

4.”O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec.

5.””O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec.

PUBLICADO NA REVISTA – A REENCARNAÇÃO – editada pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul – número 432

 

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