Protestos na França descambam para a violência e o vandalismo

Os protestos que se espalharam por diversas regiões da França contra o aumento no preço dos combustíveis descambam para a violência e o vandalismo, forçando o governo de Emmanuel Macron, cuja aprovação é de apenas 23%, a recuar. Entre os traços mais indiscutíveis da identidade nacional francesa estão a propensão à rebelião e a preocupação com o modo de se vestir. Nada mais natural, portanto, que os revoltosos no país recebam alcunhas baseadas em detalhes de suas indumentárias. Os trabalhadores e pequenos burgueses que fizeram a Revolução Francesa, por exemplo, eram chamados de sans-cullotes, pois não usavam os calções que eram moda entre a aristocracia. O presidente Emmanuel Macron, que assumiu a presidência da França há 18 meses, não é o rei Luís XVI, mas enfrenta agora a própria turba de populares pedindo sua deposição nas ruas. “Já cortamos cabeças por muito menos”, avisava uma pichação feita no último sábado, dia 1º de dezembro, no Arco do Triunfo, o monumento napoleônico em Paris, pelos gilets jaunes (“coletes amarelos”), como foram apelidados os manifestantes que pararam — e, em alguns lugares, literalmente incendiaram — a França nas últimas semanas. A polícia francesa diz que tanto anarquistas como ativistas de extrema direita se aproveitaram da mobilização popular para promover depredações e enfrentamentos com a tropa de choque. Cerca de 260 pessoas ficaram feridas e três morreram ao longo de três semanas. Mais de 400 foram presas em Paris.

Recuo presidencial

O nome “coletes amarelos” é uma referência à peça de cor chamativa que todo motorista no país é obrigado a ter no carro e que deve ser vestida em casos de emergência ou problemas mecânicos, para evitar atropelamentos. Os participantes dos protestos escolheram o item como símbolo porque, inicialmente, foram às ruas para se opor a um imposto sobre os combustíveis criado por Macron. A nova taxa serviria para financiar fontes de energia limpas e, dessa forma, cumprir com as metas de redução de poluição para combater o aquecimento global. Na terça-feira 4, pressionado pelas ruas, Macron mandou seu primeiro-ministro, Édouard Philippe, anunciar a suspensão por seis meses (depois estendido para um ano) do tal imposto. Porém, assim como ocorreu quando o presidente brasileiro Michel Temer cedeu à exigência de baixar o preço do diesel durante a greve de caminhoneiros de maio deste ano, o recuo de Macron pode não ser capaz de encerrar os protestos imediatamente. Alguns líderes dos coletes amarelos disseram que sua pauta de exigências já não se restringia à questão do combustível.

 

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