Por que é importante acreditar no futuro? por Miguel Brambilla

Talvez não seja esta a pior crise do Brasil. Talvez coisas piores ainda possam acontecer. Isso se as cabeças e corações não mudarem com mais agilidade. Os traumas deixam memórias dolorosas e medos infundados, mas são úteis para gerar prudência nas ações e novas reflexões para que se tenha ações mais positivas no sentido de se encontrar melhores efeitos. Não somos e nem seremos gênios da arte, da política, da filosofia, da literatura, da religião em uma única época. As culturas, as idéias, as ações, a experiência humana via se somando ao longo das épocas e isso muitos chamam de civilização. É preciso no entanto questionar em si próprio o papel que cada um desenha nesta ação civilizatória. Não importa se na coletividade, na influência sobre multidões ou na simples educação de uma criança. Os desígnios do destino são ocultos ao ser humano materialista que procura apenas na ciência a origem dos fatos, a compreensão das coisas, a possibilidade de explicar sua origem e seu destino. É preciso saber que além do presente existem outras fórmulas matemáticas de tempo que são bastante claras aos intuitivos, videntes e pessoas capazes de somar minimamente as luzes do pensamento, para que se chegue há uma equação mais completa e exata do futuro, dos acontecimentos futuros. O que pode e o que não pode acontecer depende certo de vontades mais poderosas que as dos homens, simples mortais que somos e que incapazes de mudar a trajetória de um astro, querem superar a morte das células, sem tentar compreender com maior profundidade o que está além delas. Acreditar em dimensões paralelas não é assim tão simples as vezes, pode ser compreensível, mas não precisa ser assim tão complexo. Não é preciso compreender a compleição química dos raios solares e seus compostos ultra-violetas para que se sinta o calor penetrar na pele e ativar seus compostos químicos biológicos de proteção, também ignorado por muitos. Não significa que a fotossíntese não se realize, somente por que o ignorante de suas transformações químicas não seja capaz de identificar o extrato de oxigênio das plantas, e apesar disso respirá-lo.

Somos criaturas em evolução em uma direção sábia, justa e perfeitamente organizada por leis maiores que as nossas capacidades humanas de legislar. Leis fixas, imutáveis e profundamente misericordiosas, que a intuição seja o que isso signifique ser, parecer poder explicar para a consciência de quem sente esta certeza de poder e imortalidade, de admiração e benção eterna, de infinitude e respeito profundo e mesmo que em clarões esparsos de fé profunda e transcendental, admiração e submissão, como se pode compreender no exemplo claro e na figura de Jesus Cristo que deixou rastros de luzes no passado e ainda age no presente, iluminando cada dia mais as consciências semeadas por Deus. É inevitável ao homem sábio trilhar este caminho. A soberba intelectual irá atingi-lo em vários momentos da jornada evolutiva. Pelo seu produto artístico, pela capacidade de organização social, pelo avanço tecnológico e científico, pelo deslumbre de possibilidades na utilização da matéria, que vão aos poucos contaminando a alma com vaidades e arrogância, caso não sejam contidos pela humildade, pela compreensão de que por mais genial que seja uma criatura nesta dimensão ou próxima dela, o infinito é Deus e Só Deus é Perfeito.

O Eterno se confunde com o infinito as vezes. O que é o fim, o que será o tempo e onde estarão mentes e corações amados e odiados em milhares de anos contados pelo calendário humano, no futuro?  Só que Deus É também o infinito na direção do passado e as criaturas não. Então, desta forma, não será possível compreender nem fixar em algum ponto inicial o nascimento de tudo. Se esse é um mistério guardado para o futuro, também não é possível saber. Uma pergunta procedente e clara. Como pode existir algo que sempre existiu? Como pode algo criar de si mesmo? O que havia antes e de onde veio o antes? O infinito questionamento também não deixa de ser a sede de respostas e a busca constante de sabedoria. A filosofia é viva, não está na letra morta, no fato consagrado, mas no constante movimento da alma na direção não somente da forma aprimorada exteriormente, mas do mais profundo, do mais amplo, do imponderável. A experiência se concretiza de várias formas e na filosofia jamais, por que experiência vivida exige explicação, comparação, irradiação, transformação, ação, geração, divisão, compreensão, doação. Então filosofia é também amor. Seguindo no complexo relacionamento das coisas consigo mesmas e com os outros, na constante movimentação da energia cósmica, é preciso voltar portanto a palavra intuição. Qual o seu conceito real? Não o conceito catedrático, ortodoxo, linguístico, mas além dele, no reflexo espelhado da palavra. A intuição terá que ter uma origem, uma fonte de irradiação interna ou externa que seja captada por que a recebe, traduz em si e explica para a coletividade. Uma mente por telepatia pode intuir outra mente e os pensamentos agirem em ação coordenada por inspiração ou intuição externa. Mas o que nasce em si, no íntimo da consciência, de onde vem? Como se manifesta? Por que se a angústia existe e seu extrato de reflexões empolgadas ou depressivas existem, o pensamento e as emoções existem, são claros, vivos, reais e principalmente para o benefício da ordem cósmica, éticos e morais, mesmo que ditadores e criminosos reneguem estes fatos, em qualquer escala que tenham possibilidade de ação.

Acreditar no futuro portanto não significa simplesmente esperar que ele aconteça.  Mesmo que o atleta, o agente político, o religioso líder, o cientista se associem por necessidade antropológica a sociedade ao qual foram lançados pelo útero materno, adaptados ou não de forma correta ou distorcida pelo auxílio da educação que se move em grande parte da humanidade moderna ainda por instinto, existe ação organizadora e digna por trás da ordem material imposta aparentemente apenas pela necessidade imediata de sobrevivência cultural e organização mínima coletiva. O impulso pelo progresso está no átomo, no mineral, na flor, no andarilho sem rumo, no condor, na geração que morre, na geração que nasce, no que se renova e também no criminoso que atalha o caminho da felicidade e se envolve com a infelicidade do outro. O caminho do progresso é a constante ação do livre-arbítrio na Lei de Causa e Efeito, testada e retestada pela alma em evolução, com a possibilidade de reencarnar muitas vezes em torno de suas agruras, mazelas, felicidades temporárias, avançando sempre, até que o desabrochar da santificação se plenifique em um impulso amplo de generosidade, no repuxo da queda na mesquinharia, no recomeço da onda caridosa, no retorno ao mal temporário, até que cansado da instabilidade e do descontrole sobre fatos alheios que não dependem da ação humana, o espírito se torne pleno de confiança em seu Criador e estabilize a vontade na direção da luz. Este é o momento da real conversão ao Universo , belo, eterno, feliz.

Ao perceber-se imortal, por que a intuição dará luzes ao futuro, por sonhos, pensamentos, certezas, inspirações, convicções inexplicáveis, o homem passa primeiro pela necessidade de traduzir para si mesmo este impulso, esta angústia de expurgar para fora de si a felicidade de sentir-se com perfeita aceitação, FILHO DE DEUS. Não será necessário tornar-se estranho ao amor dos que amam, nem superior, nem inferior. Na Sua bondade, inexplicável ao coração humano ainda, os impulsos da generosidade seguem deixando rastros de consolação e esperança, fazendo com que se identifique aos poucos as diferenças energéticas entre a acidez do ódio e do rancor e a leveza do perdão e da bondade. Assim, a levez do santo que pode voar livre pelo infinito e conhecer as profundidades da felicidade em êxtase na paridade com o Pai Criador e a semelhança desta maravilhosa luz, irá querer agradá-Lo ajudando em sua obra e leve, livre e aperfeiçoado, irá querer embrenhar-se como Jesus Cristo nas regiões de sombra, no pleno impulso de amor incondicional em benefício dos irmãos em criação e tornar-se um acelerador do bem.  A caridade do anjo em respirar o mesmo ar que os cegos e adoentados, a bondade dos santos em beijar o coração inflamado por paixões descontroladas, a beleza do sábio ao ensinar o rei sobre a renúncia ao poder quando necessário e assim, em cada momento, a dualidade, o espelho, a razão plena de motivação para continuar seguindo, agindo, construindo, mesmo que as células se limitem no ciclo do desgaste energético da Lei de Destruição, que tudo renova.

Não há cansaço para o que acredita no Amor de Deus. Nâo há miséria para quem aprende a dar de si. A Origem de tudo, talvez um dia seja explicada no Livro de Ouro da Consagração, quando estivermos libertos das filigranas da alma que ainda se deslumbra em si pelas infinitas possibilidades de poder e glória sobre o passado, o ontem. Seremos sempre melhores no exercício. Enquanto a vontade ativa age sobre tudo o que nos cerca, como a força do vulcão que derrete rochas, estaremos então aprofundando a compreensão de que é possível SER e a plenitude de SER deve ser dócil, suave e bondosa para o desgarrado, o necessitado, o debilitado.

O futuro reserva a certeza de que o possível está no agora e é por isso que acreditar no futuro passa por este exercício de elaborar com praticidade a fé racional, onde não se corra mais o risco de frustrações éticas e distorções filosóficas, que afastem o ser humano da fé. Se assim é a vontade de Deus, que cada um construa em si a compreensão da vida e que um se espelhe e exemplifique no próximo para que as responsabilidades se compartilhem e se solidarizem no amor e na dor, no processo de evolução coletiva e responsabilização individual, ao aceitar a Vontade de Deus, o processo de fortalecimento da alma vai se concentrando em foco e poder, diferenciando então as potencialidades da alma. A força do carvão em combustão e a potência do raio laser tem o mesmo objetivo, a diferença está no tempo. Assim, palidamente, de forma tacanha, é possível referenciar de forma comparativa o significado do tempo e as necessidades de reflexão que ele impõe. É por isso que contextos são criados pela mente e cada qual é fruto de si próprio, de acordo com o que faz com as ferramentas e instrumentos divinos que recebeu para arar e semear o próprio destino.

É preciso estar em paz para pensar. O ciclo de reflexões não oferece um fim. As meditações serão sempre cíclicas e ascendentes quando realmente se busca a verdade. A prática da verdade aos poucos vai transbordando o coração de gratidão e felicidade e renovando as energias para novas jornadas evolutivas, cada dia mais plenas de felicidade, alegrias e suave poder. Desta forma, portanto, torna-se um paradoxo pensar que o futuro é o agora, mas é o que resta o ser pensante e capaz de sentir para tornar sua vida mais sábia e eficiente no sentido da luz e do amor. Ao acreditar no agora, o futuro se concretiza naturalmente, por que decisões, irradiações, reflexões, correções, só podem ser feitas no agora. Assim, acreditando-se no agora, acredita-se no futuro e as revelações tornam-se nirvanas naturais e êxtases constantes de prazer em viver esteja a alma onde estiver.

A vida é eterna….o amor imortal. Deus é bom. Obrigado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *