Justiça determina que Lula perca os benefícios de ex-presidente

O juiz federal Haroldo Nader, da 6ª Vara Federal de Campinas, determinou a retirada imediata de todos os benefícios que Luiz Inácio Lula da Silva possui por ser ex-presidente da República. A decisão foi dada na quarta-feira (16) atendendo a um pedido ajuizado por Rubens Gatti Nunes, advogado e coordenador nacional do MBL. |

Todo ex-presidente tem direito, por lei, a uma equipe de oito pessoas paga com o orçamento da Presidência de forma vitalícia. São quatro servidores para “segurança e apoio pessoal”, dois servidores para assessoramento e dois motoristas junto aos respectivos carros oficiais. O salário desses assessores pode chegar a R$ 13 mil. Todos os auxiliares são de livre escolha do ex-presidente.

No documento, o juiz federal afirma que o ex-presidente está sob a custódia permanente do Estado e sob a proteção da Polícia Federal, o que “lhe garante muito mais segurança do que tivera quando livre, com alguns agentes a acompanhar-lhe onde fosse”.

“Trataa-se, nesse ponto, do ato administrativo de manutenção do fornecimento e custeio de serviço de seguranças individuais, veículos com motoristas e assessores a um ex-presidente que cumpre pena longa, de doze anos e um mês de reclusão. Mesmo a possibilidade de progressão, além de mera expectativa no momento, ocorreria apenas após mais de dois anos”, justifica no texto.

E complementa afirmando que não existem motivos para a manutenção dos benefícios e que isso seria “desvio de finalidade”.

O juiz federal diz ainda ser absolutamente desnecessária a disponibilidade de dois carros, com motoristas, “a quem tem direito de locomoção restrito”. Sobre os assessores, Nader afirma que “não há utilidade alguma” nessa assessoria, pois Lula está afastado dos”afazeres normais, atividade política, profissional e até mesmo social”.

Decisão causa “perplexidade”, diz defesa de Lula

Em nota, os advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, disseram que a decisão causa “perplexidade”. O ex-presidente Lula não foi intimado de decisão com esse conteúdo, que causa bastante perplexidade já que todos os ex-presidentes da República, por força de lei (Lei nº 7.474/86) têm direito a “quatro servidores, para segurança e apoio pessoal”. Mesmo diante da momentânea privação da liberdade, baseada em decisão injusta e não definitiva, Lula necessita do apoio pessoal que lhe é assegurado por lei e por isso a decisão será impugnada pelos recursos cabíveis, com a expectativa de que ela seja revertida o mais breve possível”, diz trecho da nota.

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