O REGISTRO DO NADA…por Miguel Brambilla

Minha filha de nove anos e capaz de criar uma conta no youtube e postar vídeos com incrível facilidade. Em 1978, quando eu tinha a idade dela, nem internet existia e a TV Colorida no Brasil só transmitia há seis anos. A Seleção Brasileira era tri campeã mundial e tentava o tetra com Coutinho, que Deus o tenha. Carlos, Dirceu, Edinho, Batista, Falcão, Mário Sérgio, Éder, Nelinho….meio misturado com a seleção de 82, minhas memórias seguem até hoje numa razão que com dificuldade na velocidade do tempo e das informações, processamos.

Ninguém mais lê nada. Os registros escritos praticamente desapareceram. Somente mensagens de celular, ícones e emoticons. Dedo, carinha, bichinhos, merdinhas. As reflexões profundas da filosofia, da educação, da política, da matemática, da física, seguem restritas aos templos, como antigamente eram os iniciados. Agora porém por escolha própria, só se lê frases soltas, pensamentos recortados, e “partiu”.

Partiu para onde? Para o emburrecimento geral não apenas da nação, mas da sociedade mundial. Um mergulho na era digital das hipocrisias generalizadas, onde todos se amam, todos tem sobrenome, todos são santificados, espiritualizados ou rebeldes, o que também é charmoso, mas por traz de tudo isso, o registro do nada. O registro do nada perdido na era digital, num link qualquer que se quebra com apenas a falta de um ponto, um espaço, um erro e fim. O pensamento está perdido, não será replicado, não vai amarelar com o tempo, pretear, mofar, criar história, registrar o pensamento do pensador.

Na música, a digitalização do mundo segue a mesma direção. Estamos todos mergulhando na Matrix do pensamento onde tudo se acessa com grande velocidade, tudo se coloca para dentro da mente, mas nada se mastiga, processa ou tritura, o que torna as máquinas mais inteligentes do que nós e as tornará comandantes de cérebros imbecilizados em curto espaço de tempo.

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