Carros: como cuidar da embreagem

Entenda como funciona e quais são os principais custos envolvidos na manutenção da embreagem do seu carro

O que é e como funciona?

Um complicador para aqueles que estão começando a dirigir, o sistema de embreagem presente nos carros equipados com câmbio manual existe para fazer a ligação entre o sistema de transmissão (câmbio) e o motor em movimento. Ele é composto por peças como o disco de embreagem, platô (placa de pressão), rolamento, cabo ou sistema hidráulico, e, é claro, o pedal esquerdo da embreagem.

Todos esses componentes vão ajudar a embreagem a mediar a conversa entre dois importantes componentes. O sistema ao mesmo tempo ela se conecta ao motor através de um volante e fica ligada à transmissão através do disco de embreagem.

No dia a dia, o que o você precisa saber é que, para o motor e câmbio trabalharem de forma sincronizada, o motorista precisa acionar a embreagem através do pedal esquerdo. “Cada vez que você pisa no pedal, o conjunto é desconectado até que você selecione a marcha adequada à velocidade do veículo e ao modo de condução do motorista”, explica Francisco Satkunas, engenheiro e conselheiro da SAE Brasil.  Ao soltar o pedal da embreagem, o sistema é conectado novamente, fazendo o carro sair da imobilidade ou rodar com a macha ideal.

Há um jeito certo de usar o pedal da embreagem?

Sim. “Após engatar a marcha, o motorista deve soltar o pedal da embreagem de forma suave para o carro começar a andar e não sobrecarregar o sistema ou prejudicar componentes como o disco de embreagem. Ele é feito de um material orgânico de alta resistência, mas que desgasta com o tempo”, explica Satkunas. O ideal, segundo o especialista, é o motorista soltar o pedal aos poucos quando o giro do motor estiver entre 2.000 ou, no máximo, 2.400 giros. “É a faixa ideal de torque para tirar o carro da imobilidade. Uma vez em movimento, é necessário tirar o pé do pedal imediatamente”.

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Quanto tempo dura a embreagem?

De acordo com Satkunas, o conjunto da embreagem pode durar, em média, de 100 mil a 150 mil quilômetros.“A embreagem do carro que roda mais na cidade do que na estrada, tem  tendência de ficar mais desgastado, devido à troca constante de marchas, que levam o pedal da embreagem a trabalhar mais. “Carros estradeiros tendem a gastar menos o sistema”.

Geralmente, depois dos 100 mil quilômetros, são trocados o disco de embreagem e o platô. “Às vezes, o ideal é aproveitar e também trocar o rolamento, que é uma peça interna desse sistema e que costuam ser vendida à parte. Assim, você não precisa desmontar todo o conjunto novamente, caso o rolamento apresente algum defeito”, aconselha o engenheiro da SAE. Em sistemas de embreagem que usam cabo (não o sistema hidráulico), esse sistema também pode ser trocado com o tempo, que é variável e depende muito do uso do motorista.

Quais são os sinais de que a embreagem está com algum problema?

Como não há uma indicação no painel que avise ao motorista que há algo errado, o primeiro sintoma que pode indicar um desgaste prematuro da embreagem é o comportamento do pedal. “Ao acionar a embreagem, você pode notar que o curso do pedal está mais curto ou mais longo que o usual. Você solta um pouquinho, e o carro começa a andar, ou então precisa soltar muito e ficar com o pé bem em cima para ele se mover”, afirma o engenheiro. O especialista também chama atenção para o enrijecimento do pedal, trepidações, patinações e também ruídos no caixa de câmbio. “Se após trocar as marchas, o motorista escutar um barulho de engrenagens arranhando, é bom pedir para um mecânico dar uma olhada na embreagem”.

Já a fumaça é um indicativo extremo de que você pode estar forçando muito o sistema. Quando dizemos que o motorista queimou a embreagem, geralmente significa que o houve um atrito excessivo entre o disco de embreagem e o volante do motor . “Isso acontece, por exemplo, quando você eleva o giro do motor a uns 4.000 rpm antes de tirar o pé da embreagem para fazer o carro andar. É comum isso ocorrer quando o carro está parado numa ladeira”, cita um exemplo.

Quais os motivos que levam ao desgaste prematuro da embreagem?

Disco-de-embreagem-submetido-a-uso-excessivo (Foto: Francisco Satkunas)

De acordo com Satkunas, o sistema de embreagem é considerável consumível e uma hora você terá que trocar um dos componentes. Não tem jeito. Mas existem algumas manias que acabam por abreviar a vida útil do sistema. Uma delas, segundo Satkunas, é a de ficar segurando o carro em ladeiras com a embreagem acionada e com o câmbio em primeira marcha, em vez de deixá-lo parado com o freio de mão “Está aí uma situação em que você pode elevar muito o giro do motor e queimar a embreagem”, afirma o especialista.

Mas há outros vícios, que prejudicam a embreagem a médio prazo. “Outro péssimo hábito, é o de deixar o pé o tempo inteiro sobre o pedal da embreagem, mesmo sem acioná-lo. O peso, mesmo que pequeno, pode reduzir a vida dos componentes”. Sair da imobilidade com o carro engatado na segunda marcha, também não é aconselhável. “A não ser, em situações em que o carro está em uma ladeira e basta tirar o pé do freio para ele começar a andar”,  afirma.

Quanto custa para trocar os componentes da embreagem?

Satkunas afirma que o custo pode variar dependo do componente e do custo da mão-de-obra, pois as autorizadas costumam cobrar um pouco mais caro pelo serviço. No geral, é vendido um kit com o platô e o disco de embreagem, que pode custar de R$ 250 a R$ 1000 ( dependendo do modelo) . Já o rolamento varia de R$ 50 a R$ 80, enquanto o cabo da embreagem pode custar de R$ 20 a R$ 50.

“Em casos de mau uso extremo, é necessário até fazer a retífica da face do volante do motor ou até trocá-lo, um custo que pode variar entre R$ 600 e R$ 1.000″, afirma o engenheiro Satkunas. O especialista também lembra que nem sempre os componentes da ambreagem estão contemplados na garantia do veículo.

Como podemos evitar o desgaste precoce da embreagem?

“A primeira dica para aumentar a vida útil do sistema é acionar e soltar o pedal da embreagem com suavidade, evitando trancos que possam danificar tanto o sistema de transmissão quanto o da embreagem”. Outra dica do engenheiro é “nunca, jamais”, segurar o carro em uma ladeira com o pé esquerdo pressionando a embreagem: “use sempre o freio de mão”. Também evite de sair com o carro na imobilidade com o giro do motor muito elevado e também de tirar o pé do pedal da embreagem bruscamente.

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