Todos temos o que expiar…por Miguel Brambilla

Ao escrever este texto, quando chego em casa após o estudo entre amigos no grupo espírita, percebo que estou dando continuidade as reflexões do momento. O tema de estudos hoje foi o perdão, o perdão das ofensas, o perdoar infinitamente, o esquecimento do passado e assim, todo o desfilar de problemas e conflitos que temos entre aqueles que mais amamos nesta vida, ou que pela posição sanguínea familiar, deveriam ser. Mas não são. Por que? Achar tudo bonito no espiritismo é apenas o começo da história da compreensão sobre a vida eterna, sobre as vidas passadas, sobre os mistérios da reencarnação, os mundos diversos, os planos espirituais, as cidades astrais, os anjos e o drama dos obsessores. Mas quando acontece conosco, qual a probabilidade que temos de filtrar positivamente as nossas expiações e provas? Ou será que achamos inocentemente que não temos o que expiar? Talvez achemos ainda que nossa expiação é imutável resgate cármico ou de questões intransponíveis nesta vida e que somente um “tsunami” emocional ou um apocalipse moral possa nos reaproximar do amor perdido, e recuperar no tempo e nas velhas e nostálgicas memórias o presente das relações que ficaram para trás, abandonadas pela angústia do orgulho ferido, pela insistência no renovar das feridas de um ou de outro e pelo atraso ou imaturidade na conquista do perdão.

Nem sempre ao abordarmos o outro sobre nossas insatisfações representa a mudança dos atos do outro. Isso nem sempre aumenta o grau de respeito do outro sobre nosso desconforto e muitas vezes pode até satisfazer o vingativo, incentivando o sentimento de escárnio, cinismo, falso sentimento de compreensão e bem típico de irmãos sofredores. Mas qual o grau de irmandade que atribuímos há esses “irmãos sofredores”? Perdão é também caridade. Então o que é caridade? Cumplicidade? Conivência? Omissão?

Vê-se que apesar de aparentemente ser fácil amar, nem sempre é? Conflitos diversos se apresentam para a razão filosófica. As  ciências materialistas, sejam elas quais forem, não encontram o “fio da meada” ao negarem a imortalidade da alma, a pré-existência da alma e sua continuidade pelos caminhos desconhecidos do tempo e suas relatividades amplas.

Existe uma necessidade de aprofundar pensamentos e sentimentos, mas ao mesmo tempo, a preguiça acaba barrando certas iniciativas que se dispersam no desfoque do imediatismo, onde tudo é fugaz, passageiro, instantâneo, imediato e literalmente entre aspas “necessário”. O sentimento de urgência das pessoas, na direção de suas conquistas, banaliza o que está exatamente mais fazendo falta na era moderna. O amor.

Temos tecnologia em abundância, é fácil falar com o mundo todo, sem fio, quase por telepatia, apesar de ainda não, ainda.

Mas porque achar que nós não temos o que expiar?

Por que achar que fomos santos e somos vítimas?

Por que achar que estamos em missão?

Vaidade? Talvez. Falsa modéstia? Quem sabe. Nos perdoemos também destes vícios emocionais filhos do orgulho e recomecemos nas tentativas do amor. A vida é eterna. Jesus vai nos ajudar com certeza.

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